terça-feira, 18 de outubro de 2011

Marquês de Marialva — Selecção do Cinquentenário '2003

Continuam a perguntar-me porquê ainda e só notas de prova, porquê vir para aqui falar de vinhos como se tivessem caído do céu já engarrafados. . . Olhem, porque não sou um académico. Não tenho pepitas de sabedoria vitícola ou enológica a partilhar convosco. E porque as histórias do vinho que sei, são velhas, estão mais que contadas. E porque, no mais, isto do vinho é um negócio. Dinheiro. Paixão? Alguma, aqui e ali. Mas no geral, paixão o caralho, a menos que seja pelo dinheiro. E afinal, que interessam os boatos do ano? No fim, o post sai igualmente inútil. Mas, se por um lado menos sumarento, por outro também muito menos feio. Talvez seja a Natureza a procurar repor o equilíbrio. Enfim, adiante.

Um dos vinhos da semana passada: monocasta Baga da Coop. de Cantanhede. Diz o contra-rótulo que as uvas foram criadas em protecção integrada, que o mosto fermentou 18-20 dias a 22-25ºC e que o líquido resultante estagiou durante 6 meses em barricas de carvalho francês antes do engarrafamento. Relevante será também o estágio em garrafa, mais de meia dúzia de anos que muito terão contribuído para o seu estado presente.

Baga evoluída, com ginja e folha de tabaco, especiarias quentes, indefinidas, azeitona parda. . . A fruta ainda rica, escura. Muitas passas, licor também. Os aromas e sabores que foi proporcionando mostraram-se acessíveis, de tal forma que chegou a parecer um vinho fácil. Um vinho com estes predicados, fácil! A acidez aguenta o perfil morno sem sobressair (isto é difícil, sobretudo quando a temperatura sobe) e os taninos, claramente amaciados pelo tempo, ainda dão de si. Terminou com bonitas sugestões de framboesa. Não tendo impressionado, aconchegou-me durante um jantar de cabrito assado — a sua missão foi cumprida.

9€.

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