sexta-feira, 7 de Outubro de 2011

Rol de Coisas Antigas '2008

Da Campolargo. As uvas, Baga, Castelão, Trincadeira da Bairrada, Sousão, Bastardo, Alfrocheiro, Tinta Pinheira e Alicante Bouschet de vinhas com idades entre os dez e os quinze anos, dizem, fermentaram juntas "tanto quanto possível", em pequenos lagares com pisa mecânica. O vinho daí resultante sofreu a fermentação maloláctica em barricas usadas, onde depois foi repousou durante um ano.

Escuro, focado em frutos negros, sobretudo ameixa e figo, apresenta agradáveis notas de ligeiro mentol, terra e chá. Maduro, mas também sério, com grande acidez. Robusto, cheio de taninos densos e ainda jovens. Com o tempo mostrou sugestões razoavelmente nítidas de framboesa, bem como chocolate amargo e algo a fazer lembrar almíscar.

É um vinho de recorte clássico, certamente ideado para acompanhar comida. Que comida? Praticamente qualquer prato de carne não light, arriscaria dizer. É ainda um vinho que apresenta dualidades curiosas: apesar do carácter maduro, não é nada doce. Sendo inequivocamente profundo, não é, nem creio que alguma vez venha a ser um portento de complexidade. E não obstante o esforço de afinação que se nota, os taninos ainda parecem granulosos... coisa que, neste caso, não representa vulgaridade!

É daqueles vinhos, enfim, sobre os quais é fácil falar pouco. Comece-se no entanto a tentar escavar e tudo se turva, instala-se a confusão. No fim, serão mais coisas do vinho, da palavra ou minhas? Provavelmente, o melhor será calar-me. Podia ter poupado tempo, o meu e o vosso, se tivesse resumido tudo isto em meia dúzia de palavras: frutos pretos, acidez, intensidade, juventude, coesão. E para parecer mais humano, podia ter terminado: bebam à mesa. Certamente não estaria a enganar ninguém.

9€.

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