quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Meandro do Vale Meão '2009

Não resisto ao reparo: instalou-se entre o pessoal que escreve sobre o que bebe a estranha moda de publicar os rótulos consumidos com a indicação de que não têm nada de específico a observar sobre eles, e mais, que fazê-lo é artificioso, foleiro e está mais que visto. Que é um desperdício, pelo menos face a poder beber despreocupadamente, sem o encargo de tomar umas notas. Pensar? Ou sentir, conforme o caso, sim, mas a família, os amigos, o campo, o tradicional, velhas casas e lagares, as atitudes dignas e elegantes de cavalheiros mortos há sessenta anos, que já não há homens, acabaram-se os homens! O cão, o filho que esperneia no berço, ele que ainda vai fazer reviver a alma desses nobres cavalheiros, o Elvis, o que for. Fuckin' A, pessoal! Se não há nada de específico a adiantar sobre um vinho, para quê publicar o respectivo rótulo? Ia fazer diferença se o título a dar de comer aos agregadores fosse outro? Parece-me bem que não.

Ahm, Meandro. A volta do rio, que em sentido figurado pode também significar enredo, intriga. Velho conhecido da casa, guardo neste espaço reparos sobre as edições de 2005, 2006 e 2007. Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Sousão: castas vinificadas em separado, o lote resultante estagiado em barricas de segundo e terceiro ano — ficha técnica aqui. Vertido directamente no copo, vinho escuro, com ginja, frutos pretos, ligeira compota. Doçura solta, vagamente vinosa, muito lá no fundo. Madeira efectiva, em proporção correcta. Boca viva, de peso mediano, a mostrar taninos suficientes para continuar a mudar sem perder por 5 ou 6 anos mais. Em suma, outro bom vinho que, por algum motivo que não consigo precisar, me deixou algo indiferente.

10€.

16,5