domingo, 25 de dezembro de 2011

Pedra Cancela — Reserva '2008

Há muito que deixei de ter tempo para aqui deixar todos os vinhos que bebo. Também noto que, salvo raras excepções, pouco aqui vou deixando de mim. Posto isto, a coisa do enodiário, parece-me, falhou.

Este foi dos fotografados e anotados, para publicar, na verdade, ainda antes de aberto. Escuro, quase retinto. A fruta negra, densa, séria, quase sisuda, tingida por quantidades apreciáveis de madeira que, pelo menos na altura, pareceu-me, existia como que sem fim: nem solta, nem a mascarar, compor ou dominar. Mascarar, compor, dominar o quê? Estava, apenas, e como tal fazia-se notar.

Segundo dia: dark character. Mais redondo, os 15% de álcool melhor integrados. Tudo muito vinho, vinho que ao invés de remeter de imediato para aquilo que poderia ter feito lembrar, simplesmente pareceu cheirar e saber a vinho. Lá bem no fundo, que mais se lhe havia de pedir?

E apesar de, objectivamente, nem fruta nem madeira, flores, especiarias, farmácia, terra ou álcool, juraria que mostrou um pouco de cada. Nada sobressaiu, contudo — nem mesmo a falta. No fim, talvez a palavra para o definir seja coeso. E talvez mais importante, agradável.

Que me esquecia: Touriga Nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro. (E Jaen?) O contra-rótulo di-lo engarrafado na Quinta por J.C. Gouveia, Oliveira de Barreiros, Viseu — produtor que por sinal tem presença na web, aqui.

10€.

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