terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Cruz — Colheita '1992

Engarrafado em 2010 pela casa Gran Cruz. Âmbar acastanhado no copo. Passas de frutos negros, muito açúcar mascavado e torrado, mel de cana. Notas de nozes e outros frutos secos, ligeiro ranço e pele completam o bouquet. Sabor delicado, de doçura agradável. Todo ele, aliás, se revelou redondinho e bem dimensionado. Muito suave, talvez demasiado, até, a raiar o débil.

Um sucesso com bolo de noz, portou-se menos bem a acompanhar um Lancero. Bom charuto, cheio de aromas a folha de tabaco crua, vagamente terroso. Apesar de enriquecer o sabor denso do charuto com notas mais doces, frutadas, encontrei-o de alguma forma incompatível com os taninos do havano. Charutos e tawny é ligação que nem sempre corre bem. Já com haxixe, não sei se pela natureza mais adocicada e especiada da coisa, se por menor intervenção do tabaco — é sempre de recomendar a utilização de tabaco de cigarros tostados na altura, a la Smokie Werner, para minimizar a quantidade de voláteis, de modo a proporcionar um veículo tão neutro quanto possível — as coisas não só são mais previsíveis como tendem a correr muito melhor.

15€.

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