domingo, 29 de janeiro de 2012

eu não gosto de homens do lixo. hoje fui levar as garrafas ao vidrão e vi um. não existiu interacção entre nós, mas de alguma forma recordou-me certa coisa que nunca deixou de me fazer mordinho, pelo menos quando penso nela.

isto aconteceu quando o m. ainda vivia com a ana maluca ao fundo da r. fig. da foz, aquela por onde se passa antes de entrar na rotunda da casa do sal. acontece que os homens do lixo se reuniam ao fundo daquele correr de prédios, mesmo ao pé da casa dele, todas as noites. na altura, a minha casa era mero local de descarga e eu passava o tempo a dosear-me com eles e os outros drogados que também lhes frequentavam a casa. ao fim de algum tempo de convivência involuntária, fomos reparando como os do lixo eram cheios de merda. certa vez, por exemplo, um deles embirrou com o m, que vinha podre de bêbedo, porque lhe deu um cigarro amarrotado. e na altura fiquei a pensar, mas que merda, um cigarro oferecido é um cigarro oferecido, amarrotado ou não. acima de tudo, é preciso não esquecer quem pediu o quê a quem. claro que esse incidente não foi caso isolado, longe disso. também me lembro que muitas vezes comiam na rua, à entrada das garagens, quando terminavam o turno da madrugada. e que levavam para lá as motinhas de merda onde vinham montados desde casa, nunca nada com mais de 125cc, e abandonavam as garrafas de cerveja que bebiam alarvemente para que fosse a nossa mulher da limpeza a ter o trabalho de tirá-las pela manhã. filhos da puta.