domingo, 15 de janeiro de 2012

Quinta do Serrado — Touriga Nacional '2005

Dão DOC, monocasta Touriga Nacional da FTP Vinhos. Logo de início, dois sinais de alarme: indícios de infiltração na rolha, nada de mais, e ligeiro cheiro a velho no ataque ao copo, que no entanto se dissipou ao cabo de poucos minutos.

De tom granada, escuro e maduro, inicialmente apenas mostrou fruta preta, parte dela transformada em compota e licor, e álcool solto. Com o passar do tempo, horas, começaram a notar-se aromas mornos de evolução, caramelo, pastelaria, folha de tabaco, pinhões e outros, por assim dizer, afins destes. Vinho adulto, no limiar da curva descendente, pelo menos. Compostinho, mas chochito, de final médio/curto. Não o posso dizer mau, mas esperava melhor.

Será este envelhecimento aparentemente precoce característica deste vinho em particular? Será coisa dos vinhos com este perfil, extraídos e alcoólicos, ricos em acidez e taninos, mas sem a profundidade e o balanço, enfim, a carne suficiente para aguentar, digamos, dez anos em garrafa? Afinal, é sempre esta a fase seguinte à dita early maturity, ainda tão na moda. Estou a utilizar o termo tal como foi popularizado pela Wine Advocate. Para se perceber o que quero dizer, bastará, como termo de comparação, fazer notar que é o que de momento acontece com as gajas, pelo menos em alguns meios. As preferidas, cavalos de 17 anos que aparentam ter mais de 25. Todas boas: quando efectivamente tiverem 25, a ver vamos. Ainda a respeito da early maturity, parece que o termo nem sempre foi um descritor (ou isso) popular: tudo terá começado com uma observação do próprio R. Parker a respeito de um Viña Tondonia de 1987 que, simplesmente, aparentava estar velho antes do tempo. No fundo, a menos que nos estejamos a referir ao mesmo objecto num dado momento muito específico, não existe contradição, a eventual deturpação esbate-se: é sabido que os vinhos que ficam prontos surpreendentemente depressa tendem a envelhecer antes do tempo. Coincidência feliz? Talvez, mas sempre dependente de certa ideia de evolução natural das coisas que, por mais enraizada que ainda se encontre em alguns, não é, não tem como ou porque ser imutável — em todo o caso, digo eu, seria uma pena perder-se. Este mundo, enfim! Voltando ao vinho, para terminar, ter-se-á tratado, simplesmente, e aqui volto aos sinais de alarme com que comecei o post, de uma garrafa menos boa?

Bebi-o simples, depois com estufado de galinha, e ainda, mais tarde, ao almoço do dia seguinte, com salsichas crocantes, assadas quase a seco, no forno. E foi com estas últimas que me soube melhor, apesar de se notar muito mais próximo do fim.

12€.

14,5