quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Aguardentes, Jun-Ago/2012

Lembram-se deste post? Na mesma toada, mas a cagar-me para os agregadores, segue uma pequena lista de impressões sobre as brancas que por aqui se têm consumido nos últimos tempos. Ah, nunca é de mais mencioná-lo: atenção, minha gente, não tomem estas opiniões como se de sentenças se tratassem: é que, aguardentes, também não provo — bebo.


Casa de Saima — Aguardente Vínica Velha

Certamente a menos mainstream das aguardentes mencionadas neste post, foi ela que abriu os portões do meu fígado às demais irmãs. Antes, na hora do espírito, bebia whisky, às vezes rum. Não que isso queira dizer o que quer que seja, só por si. Muitos frutos secos e caramelo, e mais ainda que não sei dizer, em corpo macio e razoavelmente volumoso, com travo levemente queimante. A boa relação qualidade/preço — aproximadamente 13€ por garrafa de meio litro — não é, de forma alguma, a mais relevante das suas virtudes. Jul/2012.


Fim de Século — Aguardente Vínica Velha

Das Caves Velhas. Lote de aguardentes envelhecidas em madeira durante, pelo menos, dez anos. Cor mais escura que o habitual, com laivos esverdeados. Redonda, de untuosidade agradável e boa persistência, mas demasiado torrada/fumada para o meu gosto. 12€/70cl. Jun/2012.


Antiqua V.S.O.P.

Produzida pelas Caves Aliança, passou cinco anos em barricas de carvalho português antes do engarrafamento. Cor topázio/âmbar. Intensa e razoavelmente complexa, com notas de café e passas bem mesclados no químico, ao mesmo tempo etéreo e adocicado, característico deste tipo de bebida. Redondinha, mas com estrutura (taninos) e nada agressiva. Ok! 15€/70cl. Ago/2012.


São Domingos — Aguardente Vínica Velhíssima

Produzida pelas Caves do Solar de S. Domingos. Estagiou em cascos de carvalho limousin durante cinco anos. No nariz, bom conjunto de notas etéreas e adocicadas, mais ou menos de farmácia. Fruta? Frutinha, passinhas. Diria que faz lembrar a Antiqua, mas um furo acima. 17€/70cl. Jun/2012.


Caves São João — Aguardente Vínica Velha "Grande Reserva"

A média de idades das aguardentes que lhe deram origem andará por volta dos dezassete anos. Cor topázio. Etérea e especiada, de cheiro rico e sabor amplo e aveludado, será, provavelmente, a mais suave das aguardentes aqui comentadas. Tem um final que sempre me pareceu digno de nota, longo e quente, mas não ardente, com sugestões vívidas de baunilha. E embora não agrade como a de Saima, também é, claramente, uma das minhas aguardentes "proletárias" favoritas. 13€/70cl. Jun-Jul/2012.


Encosta de Mouros — Aguardente Vínica Velha

Da Adega Coop. de Mealhada. Cor topázio, carregada. Álcool, cola, toffee, baunilha. . . alguma estrutura, ligeiríssimo amargor no final. Um pouco menos ampla que a das Caves S. João, mas de perfil semelhante. 14€/70cl. Jul/2012.


Havana Club — Añejo Reserva

Para terminar, uma alegre aguardente de cana, lote de runs cubanos, envelhecidos (em média, dizem eles) durante cinco anos em barris usados, usualmente de whisky. Difere das outras aqui colocadas na génese — enquanto as vínicas são destiladas a partir de vinhos brancos de baixa graduação, produzidos para o efeito, os runs são-no a partir do mosto fermentado do caldo da cana-de-açúcar — e no fim — ao passo que as aguardentes vínicas se devem beber a mais ou menos 20ºC, aquecidas pelas mãos do utilizador, o rum tolera sempre bem o frigorífico ou um cubo de gelo. Um ponto transversal importante será, neste caso, porque se trata de um rum envelhecido, o balão, usualmente baixo e tão mais gordo e fechado quanto velho o líquido nele contido. Como de costume, bebi este rum "semi-novo" simples e fresco, em balão de boca aberta, para amenizar o álcool. Açúcar e caramelo, banana seca, especiarias. Apesar de realmente possuir substância, é indubitavelmente mais ligeiro que qualquer das aguardentes antes expostas, com um final mais curto e alcoólico, mas também mais limpo. Enfim, outro favorito pessoal! 18€/70cl. Ago/2012.