sábado, 23 de março de 2013

Hexagon '2008

São seis as gerações de descendentes do senhor José Maria da Fonseca e são seis as castas que o compõem: Touriga Nacional, Syrah, Trincadeira, Tinto Cão, Touriga Franca e Tannat — assim introduz o produtor a mais recente edição do seu topo de gama, engarrafado em Março de 2011. Para os curiosos, a respectiva ficha técnica está disponível para consulta aqui.

O relato organoléptico é para manter simples. No presente, servido directamente do caderninho negro do álcool. Primeiro dia. A 16ºC, com picanha na pedra, batatas fritas e os molhos da praxe, depois de arejado num decantador durante mais ou menos uma hora: Fruta fina, indefinida, escura, em camadas. Excelente madeira, abaunilhados e caramelo de nata. Tem um lado vegetal muito interessante, que se percebe melhor na boca. Bonito e bem dimensionado, com taninos nobres, termina longo.

Segundo dia, ao almoço, pouco menos de meia garrafa guardada na porta do frigorífico, com a rolha voltada ao contrário, a acompanhar lombo de coelho salteado e cantarelos: Ainda fechado, apesar de a fruta se mostrar um pouco mais solta. Figo? Ameixa? Amora? Framboesa? Não interessa: corpo firme, cheiro bom. Pena não ter sobrado para o terceiro dia. A experência, aposto, teria sido interessante.

A propósito desta minha curiosidade pelos efeitos do tempo de abertura nos vinhos, coisa considerada por muitos puro e simples desperdício, lembro-me de Miguel Louro, da Qta. do Mouro, comentar na NovaCrítica que muitas vezes decantava os seus vinhos, quando jovens, de um dia para o outro, alargando o prazo às vezes para mais de quatro dias — já agora deixo o elo.

A garrafa foi oferecida pelo produtor, que recomenda um PVP de 39,49€.

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