quarta-feira, 1 de maio de 2013

Morgado de Sta. Catherina — Reserva '2009

Arinto de Bucelas, da Quinta da Romeira. As uvas fermentaram e estagiaram, dez meses, em carvalho francês. Demasiado frio no princípio. O passar do tempo trouxe-lhe frutos secos e madeira cheirosa. Também deixou perceber citrinos doces, de carácter maduro: laranja, lima e algum outro tipo de fruto tropical a que não consegui associar um nome. Continuando a evoluir, sugeriu a dada altura ananás-baunilha com toque de fumo e pinho. Fresco e persistente, tem uma untuosidade extremamente agradável, não se podendo dizer, no entanto, que seja um vinho muito extraído ou encorpado — à imagem do seu antecessor, relativamente ao qual será, eventualmente, um pouco mais leve.

Acompanhou arroz de polvo. A receita é sobejamente conhecida, um clássico muitas vezes reinterpretado. À nossa maneira, usualmente sem vinho tinto, mas com coentros frescos. Embora agora seja a S quem o prepara, aprendi-lhe as bases antes de a conhecer, com M, algarvio orgulhoso, o meu padrinho de praxe. Lembro-me de que se fazia ora equilibrado, ora estupidamente picante, dependendo de se contávamos com gente de fora para o jantar ou se iam ser só os da casa. Foi um destes arrozes de polvo o veículo de certa competição entre M e D, o degradado, que consistia em apurar quem era capaz de comer mais picante. M saiu vencedor, embora sem prémio nem honra, dado que ambos se fartaram de vomitar. Enfim, coisas da vida, de jovens.

9€.

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