domingo, 16 de junho de 2013

Passagem '2008

Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. As uvas vêm da Quinta das Bandeiras, que fica à beira-rio, no Pocinho, oposta à Qta. do Vale Meão. Existe uma linha de comboio com uma passagem de nível abandonada na propriedade, com a qual o nome deste vinho terá alguma coisa a ver, amongst other things.

É coisa fragrante, rica em frutos do bosque, escuros e maduros, bonitos e bem definidos. Tem muita cereja, amora, framboesa — e mais. Tem flores de cheiro doce que vêm junto com algo balsâmico, mais pesado, a sugerir algum tipo de composto aromático. Coisas da Touriga Franca. Tem álcool, também. Tem já uma ou outra nota de evolução, pelo menos foi o que me pareceu.

Não é um vinho que se possa considerar grande, seja em volume ou profundidade. Está muito giro agora que vai para cinco anos, mas duvido que assim seja quando tiver dez. Também não se desdobra em mil e uma coisas com o passar do tempo no copo e está longe de ser um exemplo de longueur. Os taninos, às vezes, parecem duritos; de outras, passam.

Mas o toque gordinho com que toda aquela fruta fresca percorre a boca! Este não é um vinho simplesmente fácil. É um vinho que se insinua, que se farta de falar sobre si, que clama por atenção. Se fosse uma gaja, era uma daquelas camwhores. Mas das fixes. Ora, quando a vida se mostra assim, o que é que se há-de fazer?

10€.

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