domingo, 25 de agosto de 2013

Um dia, quando finalmente me suicidar, não quero morrer logo para o mundo. Espero conseguir viajar para longe, sozinho e incógnito, se possível com outros documentos, e eliminar-me num ermo, algures onde possa não ser encontrado senão por acaso, ao fim de muitos anos.

Mais que morrer, espero apagar-me, continuando, no entanto, vivo por mais algum tempo, no imaginário de alguns daqueles por quem tiver passado. Encaro isto como uma última brincadeira, e talvez como a evidência de uma certa imortalidade, modesta, claro, mas, ainda assim, indício claro de que nem mesmo na morte todos os homens são iguais.

Curioso, há tantos anos que penso nisto. Não obsessivamente, vai e vem.

Este paleio poderá fazer-vos pensar que estou muito triste, o que não é verdade. Simplesmente, há coisas da vida de um indivíduo em que é difícil não pensar. Quanto à respectiva partilha, enfim, é opcional e nem por isso relevante.