sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Velharias (37)

Sem data, no verso da capa de um livro.



dourado, o tom eléctrico do nosso amanhecer às portas da cidade que nos viu nascer, crescer, fugir

fugir, correr —

parados sob as árvores, ramagens negras soerguidas ao céu, como garras ressequidas

correr —

amanhecer ar e luz numa estradinha dos arredores, ao princípio da alvorada, ainda as luzes da cidade sobre o largo fundo negro

negro dos montes onde nos perdemos.

amanhecer ar e luz num pequeno cemitério de aldeia, assistir de perto ao desmembrar das trevas, o seu ronco de morte dissipado na claridade fria

depois das luzes da via rápida, para lá das casas, hortas, pinhais

por entre os montes, azul disperso —

cinzento, dourado.