quarta-feira, 2 de outubro de 2013

José de Sousa Mayor '2009

Proveniente do Monte da Ribeira, herdade próxima de Reguengos de Monsaraz que até 1986 foi propriedade da Casa Agrícola de José de Sousa Rosado Fernandes, a edição de 2009 deste topo de gama da José Mª da Fonseca fermentou em talhas de barro e lagares, tendo posteriormente estagiado durante 11 meses em cascos novos de carvalho francês.

Uma curiosidade: de acordo com as notas do produtor, o presente lote é composto por 49% de Grand Noir, 28% de Trincadeira e 23% de Aragonês, completamente diferente, por exemplo, do da colheita de 2000, que também figura aqui no blog e que era constituído por 55% de Trincadeira, 33% de Aragonês e 12% de Grand Noir.

Isto leva-me a crer que mais que reproduzir o Tinto Velho de 1940, cujo método de produção, não tendo chegado devidamente documentado aos actuais proprietários por graça da estroinice e do comunismo, se conseguiu em boa parte recuperar em virtude de um bom trabalho de reconstituição, o mote será fazer algo no seu espírito, mas diferente, com espaço para a experimentação.

Este é um vinho que justifica uma hora de arejamento prévio e que me tem agradado sempre mais em balões largos. O barro por onde passou, e que poderia parecer estranho noutras circunstâncias, aqui faz todo o sentido, com as tâmaras, os figos e outros frutos escuros, bem maduros, que sempre se me insinuam transformados pelo sol, com a folha de tabaco e a baunilha, sensações quentes que acabam invariavelmente por sugerir, por associação, retratos da sua terra.

Não chega, no entanto, a ser objectivamente gordo, muito menos pesado, e tem uma acidez que quase limpa a boca. No mais, é um Reserva na verdadeira acepção da palavra: volumoso, estruturado, com bom final e (certamente) alguma capacidade de guarda.

A garrafa foi oferecida pelo produtor, que recomenda um PVP de 18,95€.

17,5