domingo, 15 de março de 2015

Condado de Haza — Crianza '2010

A propriedade, situada à beira do Douro, perto de Roa, na província de Burgos, conta com cerca de 200 ha de vinha disposta em volta da adega, à maneira dos châteaux franceses. Por baixo, a quase 30m de profundidade, ficam as caves onde estagiou o vinho em apreço, monocasta Tempranillo com 14% de teor alcoólico, que foi engarrafado em Maio de 2012, após estágio em carvalho americano.

Muito escuro, abriu com licor de amora, frutos negros em compota, baunilha e alcatrão. No entanto, face à concentração evidenciada, esperava que projectasse mais aroma. Presença robusta na boca, com acidez suficiente, pelo menos para já, e estrutura bem tecida, não lamentei tê-lo aberto para acompanhar as costeletas de cordeiro (espanholas) que a S. tinha preparado para o jantar. O final, médio/longo e ligeiramente amargo, fez lembrar cacau.

Horas depois, a fruta afirmava-se mais na boca, com sua dose de entusiasmo, talvez o permitido pelo recorte "negro". Mas o calor, a madeira, o alcatrão, o cacau, pareceram-me os mesmos de quando a garrafa quase tinha acabado de ser aberta. Ficou um fundo na garrafa, que bebi no dia seguinte, logo de manhã, com pão e um chouriço de carne, bem curado, da Guarda. E se manteve o perfil, perdeu definição. Na altura, a propósito, rabisquei "um corpo escuro e indiferenciado, com toque de oxidação. . . como que a desconjuntar-se".

Poderá evoluir bem, se a estrutura não secar. Não obstante, no imediato, esperava melhor.

10€.

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