terça-feira, 25 de agosto de 2015

Casa dos Zagalos '2009

Muito tempo depois, volto a abrir um vinho da Quinta do Mouro, de Estremoz. Os solos são xistosos e o clima, mediterrâneo continental. O proprietário, dentista de profissão, adquiriu a quinta em 1979 e plantou as primeiras vinhas em 1989. Participou numa espécie de entrevista online, no antigo fórum da "NovaCrítica Vinho & Gastronomia", que vale a pena ler.

Composto por 50% de Trincadeira, 30% de Aragonez, 10% de Alicante Bouschet e 10% de Cabernet Sauvignon, este tinto estagiou, durante um ano, em barricas de carvalho francês e português.

Tem cor escura, ameixa e outros frutos negros, bem maduros, com profundidade, redondura, concentração e persistência quanto baste. As marcas do estágio em madeira ainda se notam, a par de sugestões de tabaco e especiarias. Tudo bem ligado: a caminho da meia dúzia de anos, ainda sem sinais de cansaço.

Poderá não me ter inspirado a dizer muito, mas bebi-o com verdadeiro gosto, tanto com pão e umas fatias de chouriço de Pamplona e cachaço curado em vinha d'alhos, como com o lombo de porco, estufado, mais uns cogumelos porreiros, que a S preparou para o jantar desse dia.

Dos alentejanos que conheço, será dos mais convincentes, pelo menos entre os vendidos a menos de 20€. Se a ideia foi fazer um vinho fácil de entender, mas bom, de toque clássico, amigo da mesa e capaz de permanecer assim durante dez anos, então está plenamente concretizada.

12€

16,5