segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Château Vieux Labarthe '2011

Feito pela SARL Château Cafol, este tinto da margem direita do Dordogne é composto por 75% de Merlot e 25% de Cabernet Sauvignon, provenientes de cepas com uma média de idades que ronda os 30 anos, implantadas em solos argilo-calcários, na comuna de Saint-Pey-d'Armens.

Apresenta a designação de Saint-Émilion Grand Cru, non classé, tal como mais umas centenas de marcas da região, o que não corresponde a um degrau superior no sistema classificativo da denominação de Saint-Émilion, mas sim a uma denominação diferente, apesar de geograficamente coincidente, que na prática representa rendimento na vinha um pouco mais limitado e um estágio de pelo menos 14 meses antes do lançamento no mercado, entre outras minhoquices (as regras, em francês, podem ser consultadas aqui).

De cor granada, trouxe recordações de morango e cereja, algo circunspectos mas agradáveis, com toque especiado e de folha de tabaco, mentolados e bastante madeira: azeitona, baunilha e côco. Madeira que não estando mal integrada, de tal forma que não tapa, sequer, as especiarias do Merlot, está, está sempre. É um vinho que se deixa beber muito bem, fresco e equilibrado, de sabor agradável, apesar dos taninos mais marcados no final. Persiste moderadamente.

No dia em que foi para a mesa, esqueci-me de deixar algo a descongelar, quando saí de manhã. Assim, acabou a acompanhar coisas simples, mas que me são caras: a sopa da semana, desta vez com cenoura e lentilhas, pão de centeio e os queijos que tinha cá por casa. Foi um dia em que não comi a carne de nenhum animal, e apesar de isso em nada ter influído no estado das coisas no mundo, trouxe-me uma paz interior bastante singular. Talvez assim valha a pena.

5€.

15