quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Covela — Avesso '2013

A propriedade está localizada na parte mais austral da região dos Vinhos Verdes, na fronteira entre o Minho e o Douro, junto a S. Tomé de Covelas — dá para o rio, tem um solar renascentista, lagares e a necessária capela, tudo do sec XVI e em ruínas, e pertenceu a Manoel de Oliveira, o cineasta.

Adquirida por Nuno Araújo no final dos anos 80, foi ganhando nome com muitas colheitas seguidas de vinhos porreiros, como este, por exemplo.

Mas a empresa que a explorava faliu na sequência de um projecto imobiliário falhado, que passava por integrar uma dúzia de moradias de luxo, para habitação, nos terrenos da quinta, e o banco credor ficou com ela em leilão.

Ora, o banco em apreço, também sem liquidez e entretanto nacionalizado, teve de a vender aos outros interessados, à data, o duo Anthony Smith e Marcelo Lima, e as operações foram reiniciadas em 2011, com a antiga equipa, enólogo incluído.

Este branco, monocasta Avesso sem madeira (passou parte do Inverno sobre as borras finas) vai a caminho dos dois anos, mas continua bem intenso, repleto de tons limonados, várias histórias de sumo e casca, e possui paladar seco e acidez vibrante. Muito, muito fresco.

Poderei ter-lhe percebido certa mineralidade, mas essas são coisas do demo, de que prefiro não falar. O fim de boca pareceu-me bastante prolongado. Em suma, um "Verde", não Alvarinho, com extra de corpo e alma. Gostei!

6€.

16