sábado, 21 de novembro de 2015

Domaine de la Rectorie — Cuvée Pierre Rapidel '2006

Outro vinho doce! Andarei deprimido? Mas este é especial, o primeiro Banyuls do blog.

Produzido de forma similar ao Porto, através de um processo em que a fermentação do mosto é interrompida por adição de aguardente, teve origem em uvas Grenache Noir (90%) e Carignan, provenientes da região de Banyuls-sur-Mer, no sudoeste do Roussillon, perto da fronteira com a Catalunha. Estas são, de certo modo, vinhas de montanha, à beira mar.

A acreditar no que diz a internet, da presente cuvée, o produtor terá enchido umas 6000 garrafas, de 50 e 75cl, após 6 anos de estágio em grandes barris de madeira avinhada, foudres.

Servido a 12ºC, apesar de um bocado funky no princípio, não tardou, porém, a mostrar montes de cheiros interessantes, terciários, de carácter oxidativo. Trouxe, por um lado, e acima de tudo, cerejas maceradas em álcool, junto com passas, várias, de ameixa, figo e tâmara, amêndoas tostadas, mel e especiarias quentes, como canela e caril; por outro, em jeito de contraponto mas não em pano de fundo, madeira velha, açúcar queimado, verniz.

Fez lembrar um bom ruby, de menor porte e limpeza, é certo, mas também mais vivaz, a deixar perceber verdadeira frescura, mau grado tratar-se de um generoso com 16,5% de volume alcoólico. A apontar, certo desvio para o amargo, mais presente no paladar e que encontrei muito interessante. Ainda não está no ponto, e por muitos anos, posto que deverá viver entre mais 30 e 50 em garrafa, mas duvido que venha a conseguir dar a alguma a guarda devida.

Com castanhas assadas, assim, foi excelente, mais ainda que com chocolate preto, que calhou ser deste.

Portes fora, 20€ por cada 50cl.

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