sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Cistus — Reserva '2011

No Douro, o Inverno de 2010/11 foi chuvoso e a Primavera que se lhe seguiu, quente e seca. O Verão, mais fresco que o habitual, Setembro incluído, e não houve chuva de relevo antes da vindima. Um grande ano vitícola, dos melhores deste novo século.

Vinificado na Quinta do Reboredo, em Torre de Moncorvo, este tinto consiste num lote composto por 42% de Tinta Roriz, 38% de Touriga Nacional e 20% de Touriga Franca, de várias parcelas situadas nas encostas do rio Sabor, com uma média de idades de 24 anos. Abri a garrafa nº 8945 de 26718 produzidas, enviada para prova pelo produtor, a Quinta do Vale da Perdiz, que tem presença na internet.

Servi-o logo depois de aberto, num copo, por assim dizer, de jeito bordalês. Não sendo retinto, apresentou cor bem carregada, escura, consentânea com as lágrimas deixadas no rebordo do copo. Quis parecer-me estar muito primário, com montes de frutos negros "in your face" logo no ataque e um brilho de juventude, uma certa explosividade que se apôs muito bem ao carácter mais redondinho que mostrou na boca.

Ademais, aromaticamente, apanhei-lhe mato seco, com tomilho e esteva, algum tipo de licor, talvez de cereja, e um travo reminiscente de coco, resultado mais que provável dos 14 meses que passou em barricas, metade das quais, americanas, antes de ser engarrafado. Apesar do recorte moderno, nem por um momento levantou qualquer dúvida relativamente à sua origem: todo ele, não podia ser mais Douro — ou quase.

Portou-se coforme esperado face a coisas simples: churrasco de frango, salsicha e entrecosto, junto com pãozinho de Rio Maior. Mas foi quando combinado com um dos bolos de chocolate mais simples do mundo que superou as expectativas.

PVP recomendado, 9,99€.

16,5