quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Casa de Santar — Touriga Nacional '2007

A casta, considerada a mais nobre de Portugal, certamente por dar vinhos mais fáceis e por isso mais consensuais que a Baga, terá tido origem no Dão, sido extendida ao Douro, inicialmente para vinho do Porto, e depois como que universalizada, de tal forma que alguém lhe terá chamado, num momento de singular sageza, "a mais plantada nos rótulos portugueses".

Este varietal foi produzido pela Sociedade Agrícola de Santar no ano seguinte à Dão Sul se ter tornado sua accionista maioritária. O contra-rótulo, bilingue, diz mais em inglês que em português, talvez por questões de mercado. Refere como proveniência das uvas os talhões (ou vinhas? -plots) das Alminhas, Poços, Vale Padrinho, Matinha e Aliados, recorda-nos a natureza granítica dos respectivos solos, "de textura grosseira", e desvela qualquer coisa sobre o processo de produção: 20 dias de maceração pós-fermentativa, maloláctica induzida, parte em pequenos cascos, parte em inox, e engarrafamento, sem filtrar, após um ano de estágio em barricas, novas, de carvalho francês.

No caderninho das provas, dois parágrafos: "Cor granada, escura e densa, com rebordo a atijolar. Extraído mas fino, polido, de certa forma delicado, muito floral e frutos secos, logo depois de servido directamente da garrafa" e "Abre no copo. Teve um momento em que pareceu quase só cheirar a melancia, que engraçado. Mas terroso, afinal: violetas, compota de frutos negros. Termina longo".

Dias depois, constato que ficou na memória. É um vinho que não teve de deixar de ser fino para se mostrar fiel à casta. Está elegante, provavelmente no seu ponto óptimo de consumo. De tal forma que, apesar de não ter quem me ajudasse com ele, não deixei nenhum para o dia seguinte.

18€.

17,5