sábado, 13 de fevereiro de 2016

Assobio '2013

O aroma é limpo e nítido no carácter do Douro. Predominam os frutos silvestres, mais vermelhos que pretos, a que se juntam apontamentos químicos/florais, completados por notas de tosta e especiarias, provável contributo dos 30% do lote que estagiaram em barricas de segundo ano.

O paladar é macio, de intensidade e persistências medianas, com toque especiado. Apesar de pender para a ligeireza, todo ele apresenta uma coesão muito satisfatória, óptimo exemplo da chamada early maturity.

Penso que tenha sido boa ideia abri-lo agora: sem querer sugerir que não se vá beber bem em 2018, pareceu-me que, provavelmente, não valerá a pena aguardar a sua plena maturidade, em detrimento desta fase, por assim dizer, mais viçosa.

Este tinto tem vindo a ser produzido na Quinta dos Murças, propriedade que se extende por mais de 3Km, ao longo da margem direita do Douro, perto da aldeia de Covelinhas, no concelho de Peso da Régua, desde que esta foi adquirida pelo grupo Esporão, em 2008. Levou Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional, de cepas com uns 20 anos.

Diz no contra-rótulo que "O Douro é a mais antiga região D.O.C. do mundo (est. 1756). A construção da barragem de Foz Tua irá destruir irremediavelmente o Vale do Tua, que integra este património mundial classificado pela UNESCO. A Plataforma Salvar o Tua [link], de que fazemos parte, tem por missão, proteger e valorizar este património e impedir a construção desta barragem".

Não obstante a muita tinta que o assunto tem feito correr, as obras vão avançando e a EDP prevê que a infraestrutura entre em funcionamento no próximo mês de Setembro. Na minha humilde opinião, que vale o que vale, é uma pena e uma vergonha. Mas, lucidamente, que havia de se esperar?

Abatido em dia de semana, acompanhou chouriço assado, pão de centeio e uma sopa que a S agora faz com feijão e legumes no forno.

7€.

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