quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Château Cardonna Lahourcade '2012

Este tinto consiste num lote composto por Merlot e Cabernet Sauvignon, em partes quase iguais, 50-48%, respectivamente, junto com 2% de Cabernet Franc, como que em jeito de tempero. O produtor é Les Vignerons d'Uni-Médoc, uma cooperativa agrícola sediada na localidade de Gaillan-en-Médoc.

Groselha preta e cereja, ligeira baunilha e toque lácteo, nem por sombras tão pronunciado como no Porrera do post anterior, mas presente, sobretudo no final. Servido directo da garrafa, pareceu-me um Bordéus simples, de presença apenas mediana, mas bem acabado e, o mais importante, bem agradável. Não me pareceu distante, quer em estilo quer em execução, deste Vieux Labarthe de 2011, mas mais sumarento, limpo e preciso: superior. Apesar do toco de borracha com que veio vedado, mostrou o suficiente para fazer acreditar que poderá valer a pena guardá-lo um par de anos.

O preço médio dele ronda os 5-6€, mas tive oportunidade de comprar várias garrafas numa promoção de supermercado, onde estavam lado a lado com coisas foleiras, por pouco menos de três. Ora, se o vinho é feito e vendido para dar lucro a cada um daqueles por quem for passando, até chegar ao consumidor final, como é que, considerados todos os custos, mesmo estando a escoar excedentes, pode ter valido a pena vendê-lo tão barato? Pressões logísticas, poderão dizer alguns: a necessidade de esvaziar as prateleiras para dar lugar a coisas novas.

Neste caso em concreto, poderia afirmar que dadas as "coisas novas" para as quais este e outros vinhos do mesmo naipe tiveram de fazer espaço à pressa, mais valia os senhores da distribuição terem ficado quietos. Mas tanto quem fez este formoso vinho como quem o vendeu aparenta, ainda, prosperar. Então, apesar de tudo, terá valido a pena. São políticas que não vão mudar tão cedo — aproveitemos, na nossa pequenez, sempre que algum dos elos da cadeia se lembre de depreciar algo fixe. Como ratos.

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