terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Quanta Terra — Grande Reserva '2008

Foi sujeito a dupla decantação, um bocado antes de beber. Logo depois de servido, mostrou a fruta a transformar-se do vinho que adquiriu idade; também começos de pele e nozes râncidas.

Ainda fresco, evidenciou um volume bem razoável, que diria "médio+" se não abominasse a expressão, e boa persistência. A percepção global deixada foi de macieza, apesar de os muitos taninos presentes se mostrarem, indo à procura deles.

Meia hora depois de aberto, começou a libertar-se dos aromas a garrafa, esbateram-se-lhe os traços de vinho velho e revelou basta dose de frutos vermelhos, morangos e framboesas muito maduros, junto com banana seca. Apontamento singular: banana seca, será possível? Ou então algum tipo de batido de banana e baunilha, e aí o factor barrica poderá tornar as coisas mais plausíveis, quem sabe. Um conjunto engraçado.

Em contraponto — contraponto mais como na arte de combinar duas linhas musicais em simultâneo que no elemento que estabelece contraste — na boca continuava sério. Isto é: não austero, não seco, mas menos jovial ainda. Sério. Não encontrei maneira satisfatória de dizer de outra forma.

A meia garrafa que pernoitou na porta do frigorífico, com a rolha virada ao contrário, para o jantar do dia seguinte, voltou a destacar boa intensidade e frescura, muito interessantes face ao corpo evidenciado, apenas médio/médio+, desta vez sem aspas nem parêntesis, assumidíssimo.

De novo, mau grado o factor "desviante" de originalidade, tudo bem ligado. E por estar assim macio e maduro, com tiques de vinho velho logo depois de aberto, a quem o arejamento limpou mas não desenvolveu por aí além, aparenta estar em pleno plateau, adiante mais um par de anos, antes do limiar da curva descendente.

Se assim for, a beber agora, para se recordar bonito. Em jeito de curiosidade, quando, em 2009, provei este seu antecessor da colheita de 2005, fiquei com a ideia de que precisava de tempo. Será, então, vinho para dez anos, mas não mais?

Basta o facto, indisputado, de cada colheita ser uma colheita, para mandar o parágrafo supra à merda. Porém, muitas vezes, as tendências são mais simples / previsíveis do que aquilo que parecem / queríamos que fossem.

Produzido por Quanta Terra — Soc. de Vinhos, Lda., de Alijó, com uvas Touriga Nacional (60%), Touriga Franca (23%), Tinta Barroca (11%) e Sousão, estagiou durante um ano em barricas usadas de carvalho francês, tendo sido engarrafado em Dezembro de 2010.

18€.

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