quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Titular — Encruzado '2011

Este varietal Encruzado foi feito por António Narciso, o enólogo, com uvas da Quinta da Teixuga, de Vilar Seco, Nelas. O contra-rótulo di-lo "fermentado em inox e depois em barrica por 5 meses". Como habitualmente, deixo aqui aos eventuais interessados o elo para o sítio do produtor na internet.

Foi bebido após um dia complicado, daqueles cheios de coisas do mundo que têm mesmo de ser feitas. Por isso não tomei grandes notas a seu respeito, mas reparei que a par daquela coisa indefinida que tantas vezes leva o rótulo de "mineral", mais por não se conseguir relacionar facilmente com algo em concreto que por fazer, de facto, lembrar algum tipo de terra ou pedra, tinha flores e barrica, esta mais abaunilhada que tostada, tudo como que a emanar de um núcleo essencialmente cítrico, com certo verdume, a evocar lima, toranja e outros que tais.

Na boca, encontrei-o macio, razoavelmente encorpado e prolongado, com a boa integração dos diversos elementos que se lhe podem entender como constituintes a transmitir uma impressão de "suavidade" talvez enganadora, dado que não é, de todo, um vinho de coisas pequenas.

Sem massa, momento ou magia que cheguem para emocionar, não deixa de ser um branco porreiro, sóbrio e de boa intensidade, muito amigo da mesa. Surpreendeu a frescura, que apesar de ainda bem suficiente, esteve longe do reflexo da acidez vincada que praticamente todos os que escreveram algo sobre ele fizeram questão de referir e que, por conseguinte, esperava encontrar. Vai para cinco anos...

Tal como o vinho do post anterior, acredito que seja boa ideia abatê-lo nestes tempos mais próximos, só que desta vez não para gozar o viço de uma maturidade precoce, antes por se ter mostrado já completamente maduro, podendo não faltar muito para que comece a decair. E se cada garrafa é uma garrafa, tanto mais com o passar do tempo, um adivinho é um adivinho, e eu, que não sou garrafa nem adivinho mas julgo ter mais da primeira que do segundo, acho melhor não arriscar.

8 €.

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