segunda-feira, 25 de abril de 2016

Lagunilla — Crianza '2011

Fundada em 1885 por Felipe Lagunilla San Martín, um dos pioneiros da região na luta contra a filoxera, à data com apenas 24 anos, a adega fica junto ao Ebro, em Cenicero — mais concretamente, aqui.

Em 1994, foi adquirida à multinacional Diageo pelo grupo Haciendas de España. Depois disso, a marca, desenvolvida por United Wineries, ganhou uma base sólida de seguidores, de tal forma que actualmente conta com um volume anual de cerca de 3 milhões de garrafas de Rioja "Crianza" e "Reserva" vendidas.

Composto por 80% de Tempranillo e 20% de Garnacha, este vinho estagiou durante um ano em barricas de carvalho americano.

Servi-o directamente da garrafa, a 16ºC, para dentro de um copo "bordalês" e encontrei algo consentâneo com a imagem que — pareceu-me — o produtor quererá passar.

Relativamente robusto, apesar do volume e persistência apenas medianos, é muito Tempranillo e muito Rioja também. Flui desenvolto, com a intensidade certa, sem esmaecer nem assoberbar e sempre bem fresco.

Iluminado por uma Garnacha que tanto lhe traz alegria ao nariz como um certo amargor de fundo que lhe marca o paladar, tem montes de fruta vermelha, vagamente resinosa, característica do estilo, junto com uma complexidade que vai um pouco além do toque especiado/abaunilhado da barrica, mais claro no fim de boca.

À medida que o fui bebendo, o amargor entranhou-se, ao passo que a sumarência continuou a dar cartas. Clássico fabricado, de cariz popular, este dilecto filho do capitalismo não é, no entanto, luxo de imitação. Trata-se, aliás, de um espécime bem convincente!

Talvez influenciado pelo preço, talvez por outros preconceitos, confesso que esperava menos.

5€.

16