quinta-feira, 21 de abril de 2016

Marquês de Marialva — Baga: Reserva '2010

Este varietal Baga da Adega de Cantanhede foi, em tempos, uma das minhas escolhas quotidianas. Depois, não sei bem porquê, afastei-me deles. O último sobre o qual partilhei algo aqui foi um exemplar da colheita de 2006, em post de 2011. Ora, há dias, tendo-se proporcionado, ocorreu-me ver que tal estaria e trouxe para casa uma garrafa da colheita de 2010, talvez a mais recente à venda. De acordo com a ficha técnica disponibilizada pelo produtor na internet, após desengace total, este vinho fermentou a 28ºC, com maceração "suave e prolongada", tendo estagiado durante 9 meses em barricas de carvalho francês antes de ser engarrafado.

Quanto à prova, cereja madura, bonita, com toque terroso e alguma profundidade. Um pouco de compota, uma ou outra passa e ainda mais discreto fumado. Se as quisermos encontrar, há especiarias; mais concretos, tabaco e café, após algum tempo no copo. Tem peso médio e textura polida, com bom frescor e algum final. Poderá alegar-se que é um bocadito magro, pelo menos para Baga, mas creio que tal seja opção de estilo. Afinal, também é macio desde novo. Acompanhou esta receita de frango com cogumelos, seguida à risca, apesar de toda a tolerância à imprecisão que obviamente terá, e que tantos anos depois, continua a ser das coisas que melhor me sabem. E como quem não quer a coisa, deixou-se beber todo de uma vez. Que potabilidade admirável!

Nessa noite, fui brindado com um sonho vívido. Estava com duas mulheres, de cujas figuras não me lembro, presos num lugar qualquer, cenário que também não havia ou não retive. Tínhamos sido capturados por robôs disfarçados de homens, como existem nos filmes do Exterminador Implacável. A dada altura, estão connosco dois desses robôs, já na sua forma original, grandes, metalizados, de ângulos duros. Um deles agarra uma das mulheres pelo escalpe e rasga-lhe a pele no sentido descendente, como quem descasca uma banana, e descarta a carcaça parcialmente esfolada, a pingar sangue enquanto esperneia no chão, aos ais.

A outra, num instante assiste, junto de mim, à agonia da primeira, e acto contínuo aparece deitada de costas, sobre uma espécie de mesa cirúrgica, com os robôs a operar. Removem-lhe o topo do crânio, expondo o encéfalo, e sei que está acordada, apesar da falta de reacção. Então os robôs agarram-me. Acagaçado, berro que sou um deles e que podem confirmá-lo se me radiografarem o braço direito. De alguma forma, no sonho, era um facto da minha vida que alguém, um dia, por algum motivo, me tinha substituído o braço de carne e osso por um robótico, de aparência exterior idêntica ao natural. Um dos robôs passa-me pelo braço um aparelho de leitura óptica, similar aos scanners de preços portáteis que se utilizam nos supermercados, e confirma o membro não natural. Assumem que sou, de facto, um robô. Levavam-me algures quando o despertador tocou.

5€.

15,5