domingo, 26 de junho de 2016

Terras Gauda — O Rosal '2015

Para fechar o ciclo das mini-férias, fica o reparo sobre este Rías Baixas, produzido pelas Bodegas Terras Gauda.

No vale d'O Rosal, a Primavera e Verão de 2015 foram dos mais quentes dos últimos anos. Depois, as chuvas do princípio de Setembro atenuaram a seca, ajudando as vides a completar a maturação da fruta, o que antecipou a vindima face ao habitual e resultou numa colheita considerada "muito boa" pela entidade reguladora.

Desta vez, o lote consistiu em 70% de Albariño, 18% de Caiño Blanco e 12% de Loureiro. Após uma primeira maceração, os mostos lágrima de cada variedade fermentaram em estreme, a baixa temperatura, por acção de leveduras autóctones, em depósitos de inox. O vinho foi estabilizado pelo frio e filtrado antes de engarrafado, em Dezembro de 2015.

O Caíño, que não conhecia, merece um parêntesis. Originário da Galiza, resultado provável do cruzamento de Albariño com Azal tinto, apresenta cachos pequenos, ciclo longo e maturação tardia. Ademais, é sensível e pouco produtivo, mas, dizem, tem como característica especial a capacidade de dar vinhos invulgarmente loquazes na expressão do solo onde cresceu, por isso, mau grado não ser popular, manteve certo interesse.

Bebido com umas vieiras salteadas em manteiga, só com sal e pimenta, que me calharam mesmo bem e que foram muito amiguinhas do feijão verde e das batatas assadas com casca que a S me garantiu que lhes devia juntar no prato, como convenceu!

Ananás, banana, maracujá, mais um toque de flor de laranjeira e algo verde e aromático, talvez louro e lima — é um vinho de contrastes: essencialmente tropical, mas tropical delicado, contido, tanto na intensidade como na doçura, está também intensamente fresco e tenso, com finíssima agulha a espalhar-se pela boca com um "punch" de acidez limonada que se prolonga. Ao mesmo tempo, tem aquele toque encorpado, vagamente cremoso, característico do Alvarinho.

No princípio, parece só bonzinho, nada de especial. Mas entranha-se depressa. Talvez pelo perfil aromático, dá a ideia de ter calhado uma coisa porreira, a milímetros de outra que podia perfeitamente ter saído bem vulgar. No entanto, colheita após colheita, têm resultado sempre coisas porreiras. E isso não pode ser coincidência.

Engarrafado há pouco mais de meio ano, está já perfeitamente integrado — para beber jovem.

A qualidade dos vinhos impressiona face à dimensão do projecto: em 1990, o produtor encheu 37000 garrafas com o resultado da sua primeira colheita; deste 2015, que não é o único vinho do portefólio da casa, abri a garrafa nº 165845 de 915000 produzidas.

12€.

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