terça-feira, 30 de agosto de 2016

O Passado é enorme; tão grande, que parece uma espécie de infinito.

O Futuro é enorme; tão grande, que parece uma espécie de infinito.

O Presente é pequeno; tão pequeno, que parece uma espécie de nada.

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Mas o Passado passou. E para sempre. Nunca mais volta. Por isso o Passado é nada; ou uma espécie de nada.

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O Futuro ainda não nasceu; mas nem nunca nasce, pois quando nasce é Presente, já não é Futuro. Por isso, o Futuro é nada; ou uma espécie de nada.

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O Presente é pequeno; é minúsculo; tão minúsculo, que parece uma espécie de nada.

Mas eis que esta espécie de nada — o Presente — afinal é uma espécie de tudo: pois tudo, do Passado se quiser ser ressuscitado sob forma de Saudade; do Futuro se quiser ser pressentido, ou ante-vivido, sob forma de Esperança; tudo, tudo tem de ir bater à portinha da casinha do Presente, a pedir entrada; a pedir acolhimento; a suplicar umas migalhas... umas horas... uns minutos... de caridoso albergue; de necessária estadia.



Vicente Sanches,
49 Aforismos ou: — Aforismos 49 mas se preferem por extenso: Quarenta e Nove Aforismos ou Aforismos Quarenta e Nove.