segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Château Haut-Landon '2013

Para que um blog valha a pena, há que ter algo a dizer. Essa é, julgo, a condição necessária. E não inclui, no caso específico dos eno-qualquer coisa, o puro e simples replicar das muitas notas de imprensa que nos vêm ter à caixa de email, a todos.

Na hora de escrever, será melhor não florear nem tergiversar. Ser conciso, procurar o tempo certo. Tempo e fio, ou uma pessoa perde-se.

A visão do instante pode valer ouro e a auto-referência é morte — dizer as coisas assim, não, mesmo que sejam verdade. Convém trazer certa fluidez ao discurso e um toque de indiferença, creio, não fará mal. O resto está nos livros.

Duvido que exista algum outro blog cujo autor esteja tão consistentemente sem vontade de o actualizar. Mas à pergunta "se assim é, porque o fazes?", continuo a não  saber (ou querer) responder.

Entretanto vou bebendo, tentando não repetir muito os álcoois. Vamos, então, ao cromo do dia:

Vinho de négociant, engarrafado por SAS Robin, de Saint Aubin de Blaye, este lote composto por 85% de Merlot e 15% de Cabernet Sauvignon vem da D.O. Blaye-côtes-de-bordeaux, na margem direita do Gironde, 40 Km a norte de Bordéus.

Sem tempo para respirar antes de servido, mostrou desde logo um conjunto de aromas muito bonito, rico em frutos do bosque, escuros — para não dizer negros: amora, cassis, ameixa seca — e generosamente especiados.

Na boca, o comportamento foi consentâneo com os aromas, confirmando-se um tinto prazenteiro, com boa concentração e algum nervo, que apenas pecou por não possuir maior substância, aquela de que precisaria para poder crescer e tornar-se realmente interessante.

Bem ou mal, o termo de comparação que no acto da prova me ocorreu foi um daqueles relógios chineses que ao longe parecem porreiros, mas em que uma observação mais cuidada acaba sempre por revelar um bisel mal alinhado, uma escala meramente cosmética ou que a pulseira, afinal, não é de crocodilo ou sequer couro, mas de plástico.

Acompanhou bifes do beijinho — ou sete da pá — grelhados e acompanhados de batata frita e molhos: um de alho picado, com sumo de lima, azeite e maionese, e outro de azeitona, cortada em rodelas finas e também misturada com azeite e maionese.

4€.

15,5