domingo, 13 de novembro de 2016

Château Moulin Bellegrave '2012

Tinto de Saint-Émilion, traz a assinatura de Antoine Mabileau, de Vignonet, e é mais um dos muitos franceses "genéricos", de gama média-baixa, que desde há alguns anos se encontram amplamente disponíveis da distribuição.

Procurando saber mais sobre ele, constatei que o produtor apresenta no seu sítio da internet um outro Château Moulin Bellegrave, também da colheita de 2012, mas possuidor de um rótulo diferente e da denominação "Grand Cru" que a este falta.

Isto, junto com a indicação, presente no contra-rótulo deste, de ter sido "mis en bouteille au Château par LPT à F.33650", levou-me a concluir tratar-se, provavelmente, de um lote de vinho "menos premium", oriundo das terras do Sr. Mabileau ou comprado por ele, que tratou depois de o engarrafar (via La Passion des Terroirs, um grande négociant de Arsac) com o mesmo nome, mas uma imagem diferente e um preço três a seis vezes inferior ao do seu vinho estandarte.

Hmm.

Claro que o que acabei de referir não implica, necessariamente, que o vinho não preste. Mas, já à partida, quão honesto?

Presumo que se trate de um lote de Merlot, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon, como habitual na região. Não apurei mais.

Em todo o caso, servido directamente da garrafa, a acompanhar churrasco, mostrou um nariz surpreendentemente generoso, com cerejas e outros frutos do bosque, pretos, bem maduros, a abeirar a compota, permeados de sugestões terrosas, especiado indistinto, doce, e um pouco, pouquinho, de baunilha. Na boca, sabores em consentaneidade com os cheiros, algum corpo, redondez e final curto, mas agradável.

Estava eu a comer, beber e tirar notas — má ideia — quando, de repente, foi como se o vinho me dissesse "se não conseguires destacar-te pelo talento, vence pelo esforço, foi o que fiz!" E, meu deus, que adágio de merda, mas, encontrando-lhe propriedade, lá o registei.

É que, não obstante a sua origem humilde e os caminhos que teve de trilhar até eu escolher, entre tantas alternativas próximas, levá-lo, a ele, para o grande além, os aromas estavam em equilíbrio, o sabor era agradável — enfim, um conjunto prazeroso, tanto sozinho como acompanhado, e que deixou, para cúmulo, no ar a promessa de poder evoluir mais um ou dois anos em garrafa. Assim sendo...

4€.

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