quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Destaque-se, na distribuição das culturas, a importância da vinha e do olival. Pelo menos desde o século XVIII que sabemos de Castelo Branco produzindo azeite e vinho.
É o que se depreende das actas camarárias da época e o que expressamente consta na Corografia do P. Carvalho Costa e, também, na resposta ao quesito 25 do inquérito ordenado pelo Marquês de Pombal e destinado a completar o Dicionário Geográfico do P. Luiz Cardoso.

Na acta camarária de 9 de Setembro de 1768 (S. II. 175) refere-se que os vinhos albicastrenses, muitas vezes, se transformavam em "quási vinagre" pelo facto de as vindimas se fazerem antes das uvas estarem maduras.

A esta antecipação da colheita não deviam ser alheias a escassez de pessoal e consequente alta de salários na época da vindima.
A hipótese que se formula parece obter confirmação no facto de a câmara nos aparecer a tabelar os jornais dos trabalhadores da vinha. Cardoso, "Vida Municipal", S. II. 169.

Na exposição de Paris de 1889, o azeite de Castelo Branco foi distinguido com seis medalhas de ouro, cabendo três à cidade, duas ao concelho e uma ao resto do distrito.


Na exposição industrial portuguesa de 1888 — secção agrícola — dos 26 expositores do concelho de Castelo Branco, 17 apresentaram vinhos tintos ou brancos.

Os vinhos do expositor Domingos José Roballo já tinham ganho prémios nas exposições de Viena de Áustria de 1873 e de Filadélfia de 1876. Exposição Industrial Portuguesa, Catálogo da secção agrícola, Imprensa Nacional, Lisboa, 1888, pag 269 e sgs..
Quanto a prémios obtidos nesta exposição agrícola de 1888, apenas sabemos que ao conjunto de vinhos da Casa Agrícola Abrunhosa foi atribuída uma medalha de cobre.

No concurso nacional "O Melhor Vinho" — produção de 1970 — foram concedidos prémios aos seguintes produtores do concelho de Castelo Branco: D. Maria Alda Godinho Pinheiro Dias Coutinho Vaz Preto — 1º prémio, vinho branco, classe B; Joaquim Domingos, vinho tinto, 2º prémio, classe A; João Esteves Lourenço Pereira, vinho tinto, 3º prémio, classe A; D. maria Alda Godinho Pinheiro Dias Coutinho vaz preto, vinho tinto, 2º prémio, classe B; e, na classe A, menções honrosas a Hrs. do Dr. José Nicolau Nunes de Oliveira e António Goulão Folgado.

No ano de 1929 ainda a vinha era numerosa, havendo tendência para aumentar a sua plantação. O vinho era muito alcoólico.
Tenente Elias da Costa, "Castelo Branco no Trabalho", Edição do A. Lisboa, 1929, pag 207.

José Vasco Mendes de Matos, "Esquema Para Uma Biografia da Cidade de Castelo Branco",
Edição do autor, Castelo Branco, 1972.