sábado, 19 de novembro de 2016

Pasos de San Martín '2012

De manhãzinha, minutos depois de o sol nascer, o passeio diário pelo bosque. Voltar a casa, fazer a cama, preparar o embate com a civilização. Depois, tentar sempre regressar cedo, comer cedo. Almoço tardio, jantar precoce ou lanche avultado, como preferirem. Este formoso tinto foi o vinho dessa refeição, no dia em que o haxixe acabou. Acompanhou um estufado de carne de vaca que tinha feito no dia anterior, involuntariamente próximo de um calderillo bejarano.

Comecei a beber assim que abri a garrafa e não dei uso ao decantador. Encontrei um Garnacha tão sério quanto elegante e vivaz. O aroma, ainda muito primário, mostrou predomínio de frutos do bosque, bagas de vários tipos, maduras e em licor, mas também q.b. de mato seco e alcaçuz. Com o tempo, ganharam definição fumados e tostados, em todo o caso, sempre muito suaves, bem como aromas de gianduia e café. Na boca, entrada fresca, corpo mediano, bem macio, e final prolongado, com toque de amargor. Não sobrou nenhum para o segundo dia.

Menos bombom que qualquer dos Garnacha de Gredos que já experimentei, mas bem mais que o Porrera que abati em Janeiro, está um vinho muito bonito, pelo que, não obstante viva, e por conseguinte evolua, facilmente, mais meia dúzia de anos, não me parece que exista qualquer bom motivo para não se beber já.

Vino de pueblo de San Martín de Unx, terra de forte tradição vinícola, situada 45Km a sul de Pamplona, proveio de vinhedos com 35 anos de idade, implantados numa ladeira de solo argilo-calcário. Produzido pelas Bodegas y Viñedos Artazu, ramo navarro do Grupo Artadi, foi vinificado em depósitos abertos e fez a maloláctica em barricas, onde permaneceu até ser engarrafado, em Março de 2014.

17€.

18