sábado, 31 de dezembro de 2016


24 horas de passagem pela terra natal antes do fim do ano. Decoração alusiva à época, simples mas engraçada, e uma feirola com farturas e carrosséis na praça principal. Mixed feelings! Os centros comerciais do meu tempo, meio mortos. Parece que, como tudo o que não é Lisboa e Porto, a cidade se plastificou para fora. Surgiram novos lugares, sobretudo na periferia, maiores e mais vistosos, que teriam constituído uma adição porreira caso não representassem o fim do que já existia. Mas as coisas são assim mesmo. As condições mudaram. O país, o mundo mudou. E uma dessas mudanças foi o abastardamento do que é dirigido às massas. Lembro-me, por exemplo, de ser puto e qualquer relojoaria de merda ter Omega e Longines na montra. E agora?


De manhã, antes de regressar, nova volta. O Praça Velha, que ficava no antigo Celeiro da Ordem de Cristo, fechou. Tinha um espaço porreiro, uma carta de vinhos bem composta, com alguns tintos de guarda no ponto ideal de consumo e não demasiado caros, tipo isto, e ficava num sítio super conveniente, mesmo ao lado do Património. Era, pois, possível jantar no melhor restaurante lá da terra, fumar uma ganza ao virar da esquina e ir logo para os copos, também no melhor bar lá da terra, sem grandes tropeções, arrumações ou outras complicações. Assim, almocei sushi de take-away, em casa, com uma cerveja. Mediano, muito mediano. O bolo xadrez, praticamente impossível de encontrar em Coimbra, continua, no entanto, bastante popular. Missão: store up, pig out.


Foi com certa mágoa que encontrei fechada a Conquilha, uma espécie de centro ocupacional para jovens que ficava na travessa Nuno Álvares e que foi onde aprendi a jogar xadrez. Já lá não passava há tantos anos, e mesmo que ainda existisse, de certeza que agora já não era "para mim", mas vejo através da porta meio escavacada aquele interior despojado, com sinais de largo abandono, e que melancolia! Na altura não o valorizava, mas terá sído dos poucos, pouquíssimos lugares onde, em pequeno, passei momentos realmente felizes. Sim, as aulinhas de xadrez ao Sábado, com o N. Abreu e depois os Wright, a par dos torneios de Magic e das reuniões do INTERACT, lol.


As viagens do "Intercidades" da Beira Baixa passaram a ser feitas exclusivamente por UTE — sim, automotoras. Parece que a CP poupa uns cobres, logo toda a gente (que importa) aprova. E não, montado nestes periquitos novos, o troço à beira Tejo não é a mesma coisa. Falta espaço, falta gosto. Em suma, uma merda.


Valha-nos que, do Entroncamento para cima, ainda é possível vir num comboio de verdade. Regresso e tanto ela como o gato me aguardam. Definitivamente, melhor que poder cabriolar ao sabor das mais amplas liberdades, é ter quem nos faça uma festa quando chegamos. Antes do recolher, aproveitamos para comprar vegetais.