quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Casa de Saima — Reserva '2012

A receita deste 2012 é afim da do 2009 que consta do post anterior: Baga e Touriga Nacional, com predominância da primeira, vinificação em lagar aberto e estágio em tonel avinhado.

Tal como o outro, foi servido sem cerimónias, directo da garrafa. E tal como nele, se o protagonista é fruta, vermelha mas bem doce, com rebuçado misturado e levíssimo floral e fumado que aparentam não querer separar-se, contributo provável da Touriga, o fio condutor é acidez e o espaço onde toda a acção se desenrola, mineral, ora a fazer lembrar terra seca, ora aparas de lápis.

É, pois, bastante parecido com o seu predecessor de 2009 — e já agora, 2010 — a grosso modo, pouco mais persistente que intenso, tão intenso quanto profundo e apenas um pouco mais profundo que volumoso. Não excluo a possibilidade de a observação anterior (ou a totalidade delas) poder ser vista como um valente disparate, mas foi exactamente esse o apontamento que tomei no calor do momento, com os vinhos e as carnes à frente, invadido pela pressa de comer que a gula traz e perpassado pela despreocupação de estar a fazer . . . nada. Como agora, relido dias depois, continua a fazer todo o sentido, pelo menos para mim, deixo ficar. É o meu mapa, tanto melhor se puder servir a mais alguém!

Então, a maior juventude deste vinho face ao de 2009 traduziu-se essencialmente num pouco mais de aresta e um pouco menos de harmonia, o que também o terá feito parecer mais forte. O tempo que passou exposto aos elementos, no copo, trouxe-lhe uns achocolatados que não detectei no outro, sempre mais balsâmico. Tudo diferenças pequenas. Relevante é serem dois Bairrada perfeitamente adultos, ao mesmo tempo simples, no bom sentido da palavra, e alegres, evidentemente com vários anos pela frente.

Para terminar: a) a comida foi javali estufado e pão com meia dúzia de tipos de queijo; b) a produtora mantém activa a sua página no Facebook, mas deixou cair o sítio que tinha em casadesaima.com, e que poderia ser boa ideia trazer de volta, mesmo com conteúdo redundante ou praticamente sem ele, caso a experiência do passado tenha mostrado não advir retorno de o desenvolver. Sempre dá um aspecto mais profissional e cosmopolita que uma presença em rede social com hiperligação para um sítio "clássico" que já não existe.

6€.

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