sábado, 10 de dezembro de 2016

Quinta de São Francisco '2010

Este tinto de Óbidos (DOC) foi produzido pela Companhia Agrícola do Sanguinhal na quinta de S. Francisco, que se situa junto da antiga freguesia de Outeiro da Cabeça. Afirma o produtor no seu sítio da internet ser esta a maior das suas propriedades e aquela onde, presentemente, vinifica e engarrafa todos os seus vinhos.

Composto por 60% de Castelão, 20% de Aragonês e 20% de Touriga Nacional, estagiou em barricas novas e usadas, de carvalho francês e americano.

Mais intenso no nariz que na boca, é um vinho simples, de volume e persistência medianos — talvez até a dar para o esguio. Em todo o caso, fácil de entender e bastante versátil à mesa.

Predominam aromas de fruta escura, amora e cereja ácida, a que se junta algum licor, provável consequência do tempo, e um pouco de tosta, certamente de barrica, que subsiste em pano de fundo.

Nota-se que leva Touriga Nacional, mais pelo toque terroso que acompanha toda a prova e se confunde, até certo ponto, com barrica, que pela vertente floral, porventura mais comum, da casta.

Aquece um pouco no copo e a faceta melada do Castelão começa a fazer-se notar, sobretudo no ataque ao nariz, mas o conjunto nunca perde o carácter sério que lhe é conferido pelo paladar bem seco e reforçado por um extrazinho de acidez que ainda hoje se nota.

Em suma, está um vinho agradável, a que me parece faltar distinção. Para já, envelhece harmoniosamente, mas não creio que tenha sido feito para ser envelhecido. Se brilhava mais em novo, não sei — por via das dúvidas, não deverá fazer mal bebê-lo quanto antes.

Acompanhou hambúrgueres de Wagyu com pão de centeio, um sacrilégio.

5€.

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