sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Quinta do Monte d’Oiro — Têmpera '2004

Segunda edição do varietal Tinta Roriz do produtor de Freixial de Cima, fermentou em cubas de inox, com maceração prolongada, e estagiou durante 15 meses, em barricas de carvalho francês, das quais três quartos novas, antes de engarrafado.

Não o provei em novo. Neste momento, e nesta garrafa em concreto, volvidos mais de doze anos sobre a data da colheita, encontrei um vinho limpo, fragrante q.b. e bem dimensionado — mas, acima de tudo, coeso.

De perfil cálido, não capitoso, conduzido por fruta escura, com generosa porção de notas terrosas e apimentadas à mistura, mostrou-se um caldo de cuja complexidade não consegui, no entanto, destrinçar muita coisa.

Não duvido ter-lhe encontrado compota e licor, bem como cacau, café, tabaco, baunilha, pimenta preta e fumo. No entanto, face ao conjunto e presumindo que o objectivo é tentar caracterizar esse mesmo conjunto, a nenhum desses descritores encontrei real interesse. Sem ir mais longe, por como variaram, no tempo, tanto a sua expressão (que baunilha, que tabaco) como a sua aparente quantidade.

Parece-me, então, mais útil comparar o presente retrato deste vinho àqueles estufados que levam basta variedade de ingredientes, mas onde, no final, não apanhamos o conjunto dos seus aromas/sabores isolados, antes uma mescla que apenas a grosso modo corresponde à soma das partes, e de onde, pontualmente, como que se evidencia ora uma, ora outra.

De taninos polidos e já perfeitamente integrados, retém vida (e aqui a acidez é só uma parte) suficiente para se preservar da mornidão. Ainda assim, guardá-lo mais tempo, só por curiosidade.

Acompanhou o "Russian Beef Stew" que consta do "Slow Cooker Classics from Around the World", de Victoria Shearer, e que fica para o próximo post.

20€.

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