quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Quinta do Sobral — Vinha da Neta '2011

Do contra-rótulo: "Homenagem do avô Nelson para a neta Maria Simões que perpetuará a tradição dos vinhos da Quinta do Sobral".

Tinto de Santar, Nelas, consiste num lote de Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz, estagiado em barricas novas de carvalho francês.

Que vinho! Retinto, com reflexos arroxeados. Muito tourigão e ainda muito fechado também, com o alcatrão (guaiacol, 4-etil-guaiacol?!) e os fumados da barrica, os etéreos dos seus 15% de álcool e as violetas e bergamota da casta dominante a sobreporem-se à fruta, preta e surpreendentemente pouco faladora — persistente, o corpanzil troncudo é amparado por uma grande acidez.

Face a tantas coisas grandes, o primeiro impulso foi dizê-lo bom. Mas, vendo melhor as coisas, está tão fechado, tão alcoólico . . . ainda mais que o já algo difícil monocasta Touriga Nacional do mesmo ano . . . enfim, porque há-de a monumentalidade ter sempre tendência a ser sobrestimada?

Não gostando de bombas, sei que há quem as aprecie. E assim, mesmo não me tendo este vinho sabido lá muito bem — sem ir, contudo, tão longe quanto a S, quando lho dei a provar: "isto é só solvente e cascas de árvores, não é?" — o valor numérico que encerra o post volta a ser, e ainda mais que no caso do já referido Touriga, uma manifestação de fé.

14€.

16