quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Tome-se o conteúdo da etiqueta "velharias" e junte-se-lhe um décimo, escolhido ao acaso, do volume de "os meus discos" e "os meus livros". Adicionando mais meia dúzia de fotografias sortidas, muitas delas tiradas da web, teríamos o "blog antigo", o antecessor do puto que bebe. Mais sentido e cuidado que o presente, pelo menos no tempo dedicado a cada coisa. Mas, como produto acabado, julgo que mais fraco. Não por certa falta de polimento de que padecia, que era conhecida e tolerada, e menos ainda pela de inspiração ou motivos, que iam e vinham, e muitas vezes estiveram mais presentes que agora, apesar de sob máscaras diferentes. Acho que, na altura, o que faltava era plasticidade e perspectiva na maneira de ver e fazer as coisas. E mais ainda, contacto humano. Era assim, o predecessor do puto, um blogue autista, que, no entanto, era quase 100% eu, ao invés de isto que agora temos, onde o esperado pelos outros, sejam eles quem forem, tem um peso muito maior.

Apesar da idade que avança, sinto-me menos inadaptado, menos marreta que há dez anos atrás. "O J teve uma fase terrível! O J humanizou-se com a idade!" — quantas vezes tenho tido oportunidade de o ouvir! Ora, aí está algo com que concordo. De facto, devo ter-me humanizado qualquer coisa com o tempo e a convivência. Da mesma forma, também terei ficado menos estranho e caricatural, mais conforme a moda. Sei que desde sempre sinto empatia, e mais, verdadeiro amor, por algumas coisas, mas também um desprezo notável por outras, aquelas que, a dado momento, não me interessam. Por outro lado, se tempos houve em que não tinha qualquer problema em evitar conflitos, hoje já não é bem assim. Portar-me-ei, então, "melhor", mais conforme o que os outros gostariam, a priori, que lhes acontecesse nas suas interacções comigo. Mas, e eu? E ainda piora quando, não sei se em momentos de paranóia ou de uma maior lucidez, me interrogo se será possível recalcar sem sentir que o esteja a fazer.