terça-feira, 12 de setembro de 2017

Vale do Lacrau — Sauvignon Blanc '2014

Vinho de mesa, consta que do Douro. Do produtor, que não o menciona no seu sítio da internet, já por aqui passou este tinto.

12,5% de teor alcoólico; não aparenta ter passado por madeira.

Cheiro fiel à casta, com mais flores que verde.

Também algumas coisas menos usuais, mas não estranhas: toranja, carambola, espargo.

Peso entre o ligeiro e o mediano, ainda bom "punch" de acidez, final curto/médio, com travo ligeiramente amargo.

Pequeno e de 2014, mas ainda porreiro.

5€.

15

sábado, 9 de setembro de 2017

Montes Ermos — Códega do Larinho '2015

Montes Ermos é uma marca da Adega Cooperativa de Freixo de Espada à Cinta e este o seu monocasta de Códega do Larinho.

O nome evoca a Capela de Nossa Senhora dos Montes Ermos, sita no cume do Monte de S. Brás, mais conhecido por Cabecinho, um pouco a Norte da localidade.

Unoaked. Simples, mas limpo e extremamente fresco. Com quase dois anos, traz citrinos com toque de maracujá, flores brancas, mineral indistinto.

Seco e acídulo, pode não ser muito "grande": muito amplo, denso ou persistente, mas carácter é coisa que não lhe falta e ele não se acanha na hora de o mostrar . . .

. . . desde que se lhe mantenha a temperatura baixa. Porque com o calor ele tropicaliza-se e perde acutilância e interesse também.

6€.

16

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Eu vs Comp. (13)


domingo, 3 de setembro de 2017

Pierre Chanau — Margaux '2012

"Chanau" é anagrama de "Auchan" e "Pierre Chanau" é a marca do distribuidor Auchan e este é, enfim, o Margaux do Jumbo. Se o nome está bem esgalhado? Penso que as opiniões a esse respeito poderão divergir, mas essa é uma questão pouco interessante.

Adiante, ao tinto. O rótulo di-lo engarrafado pela Maison Ginestet de Carignan-de-Bordeaux. Négociant relevante. O ano não foi fácil em Bordéus — e se este retrato não foi focado na gama baixa, existem verdades transversais que são fáceis de entender.

As castas, Merlot, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot; quanto ao estágio, não sei nem percebo o suficiente para mandar um bitaite.

De cor escura e presença macia, com ligeira evolução, especiado que não sei se veio das uvas se da barrica, achei-o, numa palavra, decente. Alguma fruta: amora, groselha, o conjunto é ao mesmo tempo genérico e característico o suficiente para parecer parvo abordar assim a questão . . . algum verdor, alguma estrutura também . . . é redondo, equilibrado, a beirar o elegante (Bordéus de merda há, mas será que existe Margaux de merda?)

Alguma . . . identidade regional.

Não sendo nenhuma bomba, e não poderia sê-lo, para acabar vendido sob a marca de um distribuidor, é um vinho básico, mas que não envergonha. Pelo contrário, é agradável e interessante, uma óptima maneira de o curioso que ainda não se entranhou demasiado nestas coisas do vinho abordar pela primeira vez uma das denominações de origem mais exclusivas do mundo.

14€.

16

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Pedra d'Orca — Reserva '2013

De volume e comprimento medianos, este vinho trouxe consigo frutos silvestres, mais vermelhos que pretos, amparados por boa acidez, 13,5% de álcool bem integrado e alguma rugosidade tânica.

Gostei mais do seu predecessor de 2011, bebido recentemente — este precisará de tempo para limar as arestas. Em todo o caso, é um tinto honesto, com boa relação qualidade/preço.

5€.

15

P.S.

Impressões curtas, estilo desapaixonado? O facto de estar a publicar coisas assim um mês depois de as ter experimentado?

A escrita mais seca do que quando pensava andar deprimido? Uma falta de interesse por tudo que teima em colar-se, mau grado a vontade?

Ou uma desonesta falta de vontade de combater essa falta de interesse? A incapacidade de sentir prazer, aconteça o que acontecer?

Que se regozijem os meus detractores, isto anda uma merda.

Mas eu, teimoso, para já, permaneço.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Filmes (82)




If memories could be canned, would they also have expiry dates? If so, I hope they last for centuries.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Quinta da Pacheca "Superior" '2015 (Branco)

Produzido a partir das castas Gouveio, Viosinho e Fernão Pires, este vinho fermentou em barricas novas de carvalho francês. O produtor dispensa apresentações, mas não poderá fazer mal ligar-lhe.

As notas tomadas no momento em que o bebi são sumárias, mas, parece-me, pelo menos num plano pessoal, extremamente esclarecedoras:

"Citrinos, flores etc. Mas para além do habitual, nuances mentoladas no nariz, a dada altura sobre intenso fundo de figo seco.

Junto com uma salada temperada com maionese de abacate e limão, sobressaiu-lhe a parte verde e apareceu maracujá.

Sóbrio, é um branco bem mineral, com fim de boca "salgadinho". Fino, composto, com classe. Final médio+."

Apesar de estar a escrever sobre ele mais de três semanas depois de o ter bebido, e que três semanas foram, em todos os aspectos!, a "chave" que as notas supra constituem permitiu-me traçar-lhe o retrato, imediata e limpidamente, quase como se o estivesse a beber outra vez.

Conseguisse realizar assim tudo o que quero . . .

8€.

16,5

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Orbital — Orbital (2)

Lançado em 1993, o álbum da capa castanha foi o segundo dos Orbital, ou seja, dos irmãos Phil e Paul Hartnoll, de Sevenoaks, Kent.



E sua nona faixa, esta "Halcyon + On + On", vem com dedicatória dos filhos a sua mãe, utilizadora de Halcion, triazolam, durante muitos anos.

Fui mais um dos muitos que a conheceram através da banda sonora do filme Hackers.

Adquiri acesso à internet no começo da idade do armário e isso ajudou a definir muitas coisas.

Antes, os interesses chegaram a bater à porta da especificação Tempest.

Hoje, colocar uma placa de rede em modo monitor e desencriptar os pacotes capturados com o Wireshark é coisa que ultrapassa o meu intervalo de atenção.

Atenção, vontade

Orbital, Halcyon

Oh.

sábado, 19 de agosto de 2017

Quinta de Foz de Arouce '2007

Banhada pelo rio Ceira, a quinta situa-se em Foz de Arouce, não muito longe do lugar de onde vieram estas fotos.

Baga e Touriga Nacional. Citando o contra-rótulo, "vinificado com maceração completa e estagiado em meias pipas de carvalho".

Foi servido após dupla decantação porque a parte de baixo da rolha se desfez enquanto a retirava.

Mas o vinho por ela resguardado estava bom: firme, fresco — quantas vezes estes adjectivos surgem juntos! — repleto de sinais da casta Baga. Mais vivo que persistente e fino à sua maneira, "dentro do robusto".

A fruta, tendencialmente vermelha, veio integrada num conjunto dinâmico e complexo que também mostrava balsâmicos e frutos secos: evolução, praticamente a única coisa a denunciar-lhe a idade, já que, de corpo, estava muito bem.

Em Março de 2009, dei 15,5 em 20 a este 2005 da mesma casa. Pareceu-me, então, "um pouco vazio". Agora, que já vi e bebi muito mais, sou mais generoso com as notas. Não que acredite existir tão dramática diferença entre colheitas, que o factor idade aqui possa valer um valor e meio ou que os vinhos, em geral, tenham melhorado significativamente face ao que então havia.

Simplesmente, acho que aprendi a moderar as expectativas. Não como autodefesa, mas porque o mundo é de uma determinada maneira e eu talvez andasse a pedir-lhe de mais.

12€.

17

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Pedra d'Orca — Reserva '2011

Jaen, Touriga Nacional e Tinta Roriz. Rubi intenso. Frutos do bosque agradavelmente almiscarados constituem o cerne de um tinto de elegância simples, com boa acidez e estrutura razoável, muito amigo da mesa.

Até ver, dos vinhos da Adega Cooperativa de Vila Nova de Tazém, foi este o que mais me agradou.

A anta da Pedra da Orca é um dólmen que se presume datado do final do Neolítico, situado em Rio Torto, concelho de Gouveia, junto ao quilómetro 103 da EN 17.

5€.

16

domingo, 13 de agosto de 2017

Na sequência do post anterior...

Foi Mecking contra Dreev na primeira ronda do torneio de Tilburg, Outubro de 1994. Um torneio por eliminatórias, "bota fora"...

O primeiro jogo, que Mecking empatou de pretas, foi este:



Após novo empate no segundo,



Jogaram-se duas semi-rápidas para decidir quem passava à ronda seguinte.

Uma dança fodida de peças pesadas, que Dreev ganhou...



E Mecking não conseguiu contrapor.



Terminou assim, precocemente, o torneio para Mequinho.

Nikolic, Seirawan, Dreev. Tanto tempo depois do milagre, a jogar contra alguns dos mesmo muito bons, sempre perdido por um...

Como se Deus lhe pedisse para ser mais humilde.

Mecking continuou a jogar. Dominante no ICC, competente em qualquer das competições em que entra, é hoje o nº 2 do Brasil, ainda acima dos 2600 pontos Elo.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Away from the board the lean teetotaller with the thinness of an ascetic vegetarian smiled a lot. He looked older than his age, at the same time exuding a forceful kind of fitness. Immediately after his first game against Dreev he saw no objections to answering some questions. In fact, he did not need a first question. As we sat down he lost no time to lower his head to the microphone and explain a point I might have missed. 'Do you know that I am a Catholic theologist? You know that? I always play wearing a cross, but I forgot today. I came in a hurry and I forgot.'

What I understood from the reports on your matches against Nikolic and Seirawan was that you first wanted to finish your theological studies before you would continue in chess.

'Let me tell the whole story. I once was the third rated player of the world. This was in 1977. I played a Candidates' match against Polugaevsky and one or two months after this match I fell ill with a very grave disease. In the beginning of 1978 I was in the United States and the doctor told me that I had myasthenia gravis. It's the same disease that Onassis, the Greek shipping tycoon, had for thirty years. The doctor told me that when this disease was acute they could not do anything to save my life and that I would die in a matter of days. Because it affects every muscle of the body. One year later, in 1979, I had a very bad crisis and I was about to die. It got worse and worse and I could not chew for one and a half months. I was only drinking liquids, no solid food anymore.'

Why were you not hospitalized?

'There is no medicine against it. That doctor in the United States was one of the biggest names in neurology in the world. He told me, "Mr. Mecking, we are very happy that today you can talk because tomorrow you may not even breathe. You can die in days if the disease gets worse. We cannot do anything for you." So, what to do? I went back to Brazil and stayed there. In 1979 I was about to die. My friends thought that I had only two weeks to live as I had been one and a half months without eating. Only drinking. I was weak, weak. I could not even brush my teeth. I completely lost the strength in my arms and I had no defence at all against the cold. (In a lamenting voice) Oh, it was terrible. In Rio de Janeiro we have a warm climate. You know, in May I was covered with four blankets all the day. I had no defence against the cold. I had trouble breathing, my eyelids were affected, my legs, my arms, everything. Now, I was a Catholic when I was young. I was born in 1952 and I was eighteen or nineteen when I left the church. So, in 1977, when I got sick I returned to the Catholic Church. Then in 1978 I found out that there was a very strong group in the Catholic Church, called Catholic Charismatic Renewal. In the United States twenty per cent of all Catholics belong to this group. There are, I think, 55 million Catholics and ten million belong to this group. It's growing very, very fast. They pray for the sick and Jesus Christ has been healing many, many people that were about to die. Who had no chances with medicine anymore. People with all kinds of diseases. Blind people, people with cancer, all kinds of very grave diseases. So, in '79 when I was about to die I began to pray in this group. It follows the Pope.'

It's also recognized by the Pope?

'Yes, the Pope likes it very much. Three persons came to my house. One of them was a very famous person in Brazil. She was called Zia Laura. Zia means 'aunt' in Portuguese. She died three years ago. She was on television praying for the ill. She came to my house and prayed for me. At that time Jesus Christ did not heal me completely. But my condition improved very much. After that my life was not in danger anymore. Still I suffered from the disease for the years that followed, facing smaller crises. Sometimes when a person has a very strong faith he or she is healed completely the first time. With others Jesus Christ goes little by little. Progressively, so that they pray more and are sorry about their sins.'

This was the case with you?

'Yes, really. Then there was something else. In Brazil Our Lady appeared in two different places. In Pesqueira and in Piedade dos Gerais. Nine times I was in Pesqueira. The first time was at the end of'86. At that time, every time I played chess I would feel horribly after ten or fifteen minutes. It was like a dark cloud in my mind. This ceased completely after I had gone to this place. I could play chess again and I even played a simultaneous.'

Your first, unsuccessful comeback you tried at the Interzonal in Rio in '79.

'Oh no, then I had no condition. This was only months after Jesus Christ had saved my life. The first miracle. At that time I knew very little about religion. I was completely sure that a miracle had happened. So I thought, "That's fantastic. If Jesus Christ did not let me die, I will play in the Interzonal and I will win." But it was not like that. He really performed a miracle and saved my life. But he did not heal me completely. Only a certain percentage. I don't know, fifty or eighty per cent.'


(...)


You feel you have the strength to heal other people?

'Not myself. It's what Jesus wants... This woman Zia Laura used to pray in the biggest soccer stadium in Brazil in front of one hundred and thirty thousand people. And Jesus healed many people. But she died of cancer, because one day you must die. Jesus Christ heals when he wants. Not when I want him to. This person should be without grave sins.'

Did you have the feeling that you were full of sins when you got the illness?

'Yes, I was out of the church.'

This was your sin?

'And other sins. Two other sins.'

Sins that you think other people would call sins?

'Now that I am a theologist I understand very well what is a sin and what is not. I graduated as a theologist after four years of study. (With an unpredictable switch) So, I want to thank the tournament very much for inviting me. When they invited me in February I was so sorry. I said, "Oh, I cannot go." But the last time I was in Piedade dos Gerais this young man prayed for me and he said, "In three days Jesus Christ will heal you completely." I went back to the capital of the state, the State of Minos Gerais. There some seven persons were two days more praying for me and Jesus Christ healed me. You know that twenty years ago I was very nervous. (In a slower, soothing tone) Now you see I play the games very calmly. If I lose, of course I don't like this. But my faith is very great. And like the man said I was healed in three days. And I could stop all the medicine. I still do have my special food. I have been eating this special food since '79. I'm a specialist. If l eat this food I don't even have a cold. I'm always perfect.'


(...)


Do you have a computer?

'Yes, I have it, I have it. (Again turning to a subject he must not forget) Another thing that is very important for me is that I would like to ask the Catholic people in Holland to pray for my win in this tournament. Oh, I would thank them so much. I believe that if many people are praying... You know what happened in this team competition I played in in July? I will tell you. My team was from the biggest city in the State of Sao Paulo, Campinas, more than a million inhabitants. There was another strong team with the junior champion of Brazil on fourth board. I was the top player of my team but the average rating of the other team was higher. And so we played the decisive match. At one point I get up and look at the games. Oh, it was terrible. We are going to lose 3,5-0,5. Only one game was level. Two were lost, and one was much inferior. The probable result would be 3,5-0,5. However, on this day, before six a.m. I had telephoned to a sister who wakes up at 4 a.m. to pray and I had asked her and her fellow sisters to pray during the hours of the match. And they began to pray, pray, pray. And what happened? We won the match 3-1. It was unbelievable.'

Is it fair to pray for victory? If you're supported by God that's quite a strong help.

'Why don't the others do the same? That's what I want. If the other grandmasters... Mr. Portisch is a Catholic... '

So, what would happen if you played Mr. Portisch and both you and he pray for help? Who would God have to help?

'(Enjoying the problem and starting to laugh) Look, that's very serious. Look, there's another thing that's very important for me. I would like to ask all the Dutch Catholic people to go to this group Catholic Charismatic Renewal. It's very good. They pray for the sick and they glorify the Lord. Oh, it's fantastic.'

But is there a solution to this question we just touched on?

'The thing I want to tell you is that ifl were World Champion, of course, I would speak about chess. I would try to develop chess. Chess is a fantastic game, I love it. But I also do things in religion. That's my very big wish. To pray for millions of people to heal them.'

But is there a solution to this question? You say the others should pray as well. Now suppose they start praying. God might be left with a problem.

'The persons I asked don't pray for Portisch.'

But suppose they would. What would happen in this game?

'Well, many, many times when you ask for something, God gives it to you. But of course both cannot win. So, (laughs in short repetitive laughs) we can ask God. The thing I can tell you is that no prayer is lost. Suppose you pray for a person who is very ill. He's about to die. You pray, pray, pray, but the person dies. That's because Jesus Christ had another intention. But your prayer is not lost. Jesus Christ will use your prayer for somebody else or for something that is better for you. You understand? So, if l play against a Catholic, both of us cannot win. One must lose or it must be a draw. But in the Bible it says pray always, incessantly. So, that's why I have good hopes to be World Champion. It's not crazy this idea. This is my first tournament in sixteen years and if I could draw against an abso­lute top player with Black I have chances.'


(...)


Do you ultimately intend to become a priest once your chess career is over?

'I don't know. I know that I prayed very much, many days, and at the mo­ment my faith tells me that I should not be priest right now. But if Jesus Christ tells me to do that, oh, pffff, I'll do that on the same day. But now I have to play chess and try to develop my chess. And that's very tough. (Gets excited again) Tomorrow, oh, a very difficult game.'

What's the nature of your faith right now? Are you pledged, let's say, to celibacy?

'No, no, but I don't want to marry. I want to play chess and this requires a lot of time. I need a lot of time to analyze games and so on. So, I don't want to marry. If in the future I will have to be a priest, I will be a priest. Right now I don't want to be priest. (Recalls another message he should not for­get) Please add the name of the sponsor in your interview. It's lnterpolis. They like that. They are very nice people.'


(...)


Did you ask or pray for any moves when you were playing your game today?

'(Hesitates) Ah, eh, I always do that. Almost always. Before I make a move I ask for confirmation. Usually I do that. For almost all moves. Of course, some moves are very simple. But I'm always praying.'

Do you pray in silence?

'I can pray only thinking, and also in a very low voice that will not disturb the others. I use a gift that the Holy Spirit gave me. The gift of tongues. I pray in a different tongue. Not in Portuguese, not in Dutch, not in Ger­man, in English. You can find this in the Bible, The Acts, chapter 2. You know at Pentecost these people were from Galilea. They spoke the lan­guage of Galilea. But all the people there understood them. With the gift of tongues they spoke the language of the Arabs, the language of Libya and other countries. Saint Paul used this gift very much. As he says in the Bi­ble, "Do not forbid anyone to pray in tongues."'


(...)


Is it only the diet or do you also do physical exercises?

'Yes, I run. Three times a week. One day I run, the other I don't. About four kilometres. But fast. Like a boy of twenty.'

Do you ever drink?

'No.'

So, a very clean life.

'You understand that if after all these years of being sick I will be a great player again it will be a sign. People will realize that God did fantastic things in my life. Because they don't expect me to play well again. So, if I do and again become a Candidate to the world title. Oh.'


Dirk Jan ten Geuzendam, "The Day Kasparov Quit & Other Chess Interviews"
New in Chess, 2006

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Plansel Selecta — Homenagem ao Thomas '2012

Monocasta Trincadeira, vinificado em lagar, com maceração, e estagiado 8 meses em carvalho francês. Tem 15% vol.

O produtor é a Quinta da Plansel, de Montemor-o-Novo.

Flores e muita ameixa preta, doce, com toque lácteo. Mais tarde, um pouco de tabaco.

Corpo e persistência médios+, com taninos maduros, boa acidez e álcool bem integrado.

Um vinho de recorte moderno, honesto e bastante temático, mas nem por isso complexo ou inspirador.

6€.

15,5

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Outono de Santar '2011

O vinho é 100% Encruzado, botritizado, estagiado 12 meses em carvalho francês; o produtor dispensa apresentações.

Servido a 12ºC. Leve e doce, etéreo sem ser alcoólico, trouxe consigo cheiros de frutos secos, tangerina e maçã, pastelaria, mel e melaços, musgo e humidade.

Muito fino, possui uma complexidade vaga, fácil de entender até chegar a altura de a explicar ao próximo.

Apesar da relativa falta de força e frescura, é bonito e merece ser conhecido.

A "Revista de Vinhos" considerou o seu sucessor de 2012 mais interessante.

9€.

16

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Bingo!

sábado, 29 de julho de 2017

Morgado de Silgueiros — Encruzado '2015

Monocasta Encruzado da Adega de Silgueiros.

Fermentou durante 14 dias nas barricas de carvalho francês onde depois estagiou, dois meses, sur lie, com bâtonnage.

No nariz, citrinos em tons de verde carregado.

Na boca, frescura suficiente e leve amargor que remete o paladar a raspa de laranja amarga e limão.

É um vinho denso, encorpado, apesar de isso se reflectir mais no seu peso que em untuosidade.

Persistência mediana, com ligeira salinidade no final.

O tempo no copo trouxe-lhe um fundo de anis e talvez alcaçuz.

5€.

15

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Trapiche — Roble Malbec '2014

Aqui está um vinho proveniente de cepas plantadas em altitude — entre 750 e 1100 metros sobre o nível do mar.

Varietal Malbec produzido por uma das mais emblemáticas adegas argentinas, estagiou 9 meses em carvalho francês e americano antes de engarrafado.

Correcto, bom de beber, mostrou figo, vegetal seco e barrica. Evoluiu na direcção das especiarias e chocolate.

Artigo de produção em massa, possui carácter varietal q.b., mas aí termina a sua originalidade. Bom para acompanhar churrascos.

6€.

15

domingo, 23 de julho de 2017

Hope Sandoval & the Warm Inventions — Through the Devil Softly

É o segundo álbum de Hope Sandoval & the Warm Inventions — link.


State your way 'cause you're going down
Get your hands to pray your way out
Satellite 'cause your faith ain't home
Jingle head your heart's made of stone

Don't blaze on your way home
Count your blessings 'cause you're hazed and don't know
Four days on your head made of hair
Just before you lay yourself down

In the ground where you came
In the place that your sisters made

Put your hands to pray your way out
For the lake 'cause it's all that your have

Don't play me for a fool you say
Happiness is your hearts contents
Count your blessings, all the way
Count your blessings on your way down

On your way down, on your way down
On your way


#11, Satellite

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Pingo Doce — Douro Reserva "2ª Edição" '2013

Edição limitada: garrafa nº 2609 de 5000.

Feito pela FALUA, com Tinta Roriz e Tourigas Franca e Nacional. Tem 13,5% vol.

Volumoso e bastante gordo, pastoso, glicerinado, com esteva, fumado, floral e químico a perfumar a fruta negra, madura, que lhe constitui o cerne.

Bem saboroso, termina razoavelmente longo.

Claramente Douro, pronto a beber, vem num estilo que dá primazia à força, que contrapõe à falta de finura uma sobeja presença.

Foi consumido com um exagero de pizza, mas teria aguentado companhia mais exigente.

5€.

15,5

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Lua Nova em Vinhas Velhas '2012

Vinhas velhas, lagares de granito, sem madeira.

Muito floral, com um traço de frutos secos.

Robusto, correcto, a fruta ainda decente.

Nota-se a ausência de barrica, agora que tem quase cinco anos de idade — terá brilhado mais em novo.

A carne de porco em vinho tinto do almoço deu-lhe melhor vida que o lanche que se lhe seguiu: pão de água, rústico q.b., recheado com Agaricus e Pleurotus cozinhados na chapa, molho picante e mostarda.

4€.

15

sexta-feira, 14 de julho de 2017




Não me interpretem mal: ele ainda não morreu.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Tons de Duorum '2016 (Branco)

Lote constituído por 30% de Viosinho, 25% de Rabigato, 2% de Verdelho, 20% de Arinto e 5% de Moscatel Galego, este vinho é feito na Quinta de Castelo Melhor, perto de V.N. de Foz Côa.

Cor citrina.

Limonado e floral. Flores silvestres, rasteiras, daquelas amarelas e brancas, de cheiro contido e sabor amargo, que há em todo o lado.

Depois, mas também com certa forma de destaque, o perfume do Moscatel. Só 5%, heh?!

Ademais, fresco e gordito, com alguma substância.

É um branco fácil, mas também simples. Alongar-me numa sua descrição seria forçar.

Gostei mais dele com stir-fry que com certo queijo de cabra meio curado, de Ródão, que lhe "puxou" um lado doce que, não se vá à procura dele, está muito bem arrumado.

Foi enviado pelo produtor, que recomenda um PVP de 3,99€.

15,5

sábado, 8 de julho de 2017

Pouca Roupa '2016 (Rosé)

Declaradamente jovens, os vinhos "Pouca Roupa" situam-se entre o "Lóios" e o "Marquês de Borba" no portefólio dos vinhos João Portugal Ramos.

Este rosé alentejano foi feito com Aragonês, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon. Não passou por madeira.

Salmão clarinho, de aroma limpo, com ênfase nos frutos vermelhos — variações de morango — e corpo leve e fresco, talvez seja o vinho mais fácil de beber de que me consigo lembrar.

O paladar, alegre sem açúcar solto, tem boa entrada, quase nenhum "meio" e final agradável.

Mega simples, elegante na sua fugacidade e extremamente jovial, metido num balde de gelo, dará um grande vinho de praia ou piscina.

À minha mesa, protagonizou um encontro incomum: com estes "steamed eggs with peppermint".

Ovos! Phear! Mas correu bem: a acidez suficiente para cortar a riqueza "fofa", não gorda, do prato, os taninos a não aparecerem, o final a limpar a boca.

Foi enviado pelo produtor, que recomenda um PVP de 3,99€.

15,5

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Um post sobre quatro whiskies

"There is no bad whiskey. There are only some whiskeys that aren't as good as others." — Raymond Chandler



Andava a pensar, faz já algum tempo, em deixar aqui qualquer coisa sobre os whiskies que abati, em casa, nos últimos dois meses (ou isso). E agora proporcionou-se! :)

Adquiri o gosto pelo whisky muito antes de pelo vinho, mas nunca o cultivei da mesma forma, por motivos vários. A juntar à espectacularidade do vinho, a cultura do meio onde cresci, o mercado — que inclui, mas não se limita ao preço —, considerando o facto de não gostar de água a acompanhar comida, a saúde...

De qualquer forma, acabam sempre por cair aqui uma ou duas garrafitas de whisky por mês. Embora não explore muito, achei que o reparo podia ter interesse: ultrapassada há vários anos a fase da pretensa utilidade, digo, da comida, este blog tem sido vinho, xadrez, vinho, filmes, vinho, vinho, o ocasional passeio mudo, vinho...

E uma vez ocorreu-me incluir gajas, mas a S. convenceu-me de que não era boa ideia. Não por ela, obviamente a primeira a não se comparar a um mapa de bits, mas para não vulgarizar as coisas. De facto, se gajas, como? Ou melhor, até onde? E qual seria o próximo passo? Futebol?

Dito isto, segue um punhado de impressões acerca dos últimos quatro whiskies que abri e usei em ambiente doméstico, que acabaram por ser os únicos dignos de nota a cruzar-me as goelas nos últimos tempos. Quatro "single malt" relativamente simples e jovens — não sou foodie, drinkie, gourmand ou coisa que o valha: a exploração é incidental.



Glenmorangie, 10 anos. Envelhecido em cascos de Bourbon, é a proposta de base da destilaria Glenmorangie, de Tain, povoação do condado de Ross-shire, nas Highlands escocesas. Destas quatro, foi a primeira garrafa que comprei e também a que acabei primeiro, de tal forma que, quando fui por ela, para a fotografia de grupo, já tinha ido — restava o tubo. Apontei a seu respeito ser "fodidamente etéreo, com 43% de volume, mas suave, o calor do álcool pouco pica, comparativamente. Baunilha, toffee e tal, mas frutado, frutado na medida em que um whisky poderá sê-lo: frutado, não cerealífero". A observação vale o que vale, mas o whisky é bom, encorpado e possuidor de um toque "salgado" que encontro sempre muito agradável.

Glenfiddich, 12 anos. Também é o produto de base da marca, feito na destilaria que lhe dá o nome, em Dufftown, Speyside. Dourado, mais escuro que o Glenmorangie — caramelo? mais caramelo? — mas também mais magro. Para além dos aromas normais, de whisky, faz lembrar mel, flores e pêras. Mas apesar de "só" ter 40% de volume, mostra mais o calor do álcool, será o que mais queima dos aqui presentes. Apesar de ser um whisky redondo e universal, feito para agradar à maior quantidade possível de consumidores, acho-o bastante raçudo e gosto disso.

Glen Moray, Port Cask Finish. Este vem da destilaria Glen Moray, que fica à beira do rio Lossie, em Elgin, Speyside, e não traz indicação de idade, ou seja, é relativamente novo e salientar esse facto não seria uma boa estratégia de marketing. Após o seu envelhecimento "normal", passa 8 meses em cascos onde já repousou Porto Cruz, tawny. Tem cor rosada, muito bonita, e é razoavelmente intenso e persistente — mas não tão cheio de si como o Glenmorangie nem tão fogoso como o Glenfiddich. Cheira muito a baunilha doce e a qualquer coisa que, de facto, remete aos frutos vermelhos, enfiados no fundo de uma tigela de flocos de aveia.

Cardhu, 18 anos. Outro Speyside, este de Archiestown, Moray. A marca pertence ao grupo Diageo, que causou controvérsia em 2003, ao começar a comercializar uma mistura de vários whiskies de malte sob a designação "pure malt", mantendo o nome e a imagem do seu "single malt", cuja produção, entretanto, interrompera. Tal ratice foi fortemente contestada e o "malte de mistura" ganhou uma imagem diferente do "single malt" autêntico, tendo a destilaria de Cardhu voltado a produzir "single malt" a partir de 2006 — fonte. Ora, este é "single malt", não "pure malt" e, a meu ver, muito bom: longo, redondinho e razoavelmente complexo, a juntar à base expectável, frutada, um toque de fumo e pastelaria / especiarias "doces". Sem dúvida, o mais suave, o menos ardente dos presentes.

Gostando de todos, não o faço como se de filhos se tratassem: prefiro uns aos outros. Globalmente, e sem grande surpresa, tendo em conta o preço, o Cardhu é o que encontro mais agradável, apenas um furo acima do Glenmorangie por via da suavidade (termo que não é tabu numa nota de prova, mas...) e dois acima do Glenfiddich, que apesar do "sharp burn" na boca (outro termo que não encontra equivalente nas notas de prova de espirituosas em português, apesar de ser comum em inglês, independentemente da respeitabilidade das fontes) acaba por ser melhor compra que o Glenmorangie face aos 10/15€ de diferença entre eles. O Glen Moray, que, pelo que vi na net, "lá fora" está no mesmo escalão de preço que os dois "Glen" supra, consegue obter-se "cá dentro" algo mais barato, a 15-20€, o que o torna uma espécie de favorito para o dia a dia.

domingo, 2 de julho de 2017

Um post sobre quatro azeites

Não sou um entendido em vinhos, limito-me a partilhar aqui uma ou outra experiência do quotidiano. Mesmo assim, de vez em quando, há entidades que entendem poder este espaço contribuir para a divulgação dos seus produtos.

Coisa que não me podia desagradar, embora o meu interesse em ser mais que apenas ainda outro apreciador que partilha algo sobre o que come e bebe, quando apetece, seja zero.

Dito isto, é a segunda vez na história deste blogue que me enviam um azeite. E se não me considero um entendido em vinhos, então em azeites...

Mas uso e gosto. Gostamos. Fazemos questão de ter sempre bom azeite cá por casa. E acontece até já ter participado numa prova, coisa complicada e da qual, creio, não retive muito.

Tal como no vinho, se a prova, o entendimento, tem muito que se lhe diga, o acto de provar é simples: verte-se uma porção de 10 ou 15ml de cada um dos azeites para dentro de seu copinho, copinhos esses que "profissionalmente" são escuros, azuis, de modo a que a cor não influencie o resultado, aquece-se com as mãos para libertar tantos voláteis quanto possível, cheira-se e leva-se à boca.

Não se deglute, dizem eles, mas tomam-se notas, se for caso disso, e um bocadinho de maçã verde, com ou sem água a empurrar, entre espécimes, para limpar o palato.

Importa notar a intensidade, por assim dizer, a força do azeite, e a sua harmonia também. O cheiro, mais verde ou mais maduro, que faz lembrar? Atentar à textura, ao "peso" do fluido. Sentir o doce, o amargo, o picante. E ter atenção à questão do ácido, que o sabor do azeite não denuncia a sua acidez, mesmo que ela esteja lá.

Ora, em vez de uma nota de prova isolada e de maior detalhe, que não sei até que ponto poderia ser fiável, fiável no sentido de "honesta consigo própria", pareceu-me mais interessante comparar os azeites que tinha em casa, sendo o mais sucinto possível nas suas descrições.

Quatro azeites, dois alentejanos e dois transmontanos. Todos "virgem extra", extraídos a frio e com acidez máxima de 0,2%, à excepção do "Rosmaninho" do rótulo com letras vermelhas, que tem 0,5%.




Por ordem, houve então:

Casa de Santa Vitória "Gourmet". Produzido na Herdade da Malhada, Sta. Vitória, Beja. Cobrançosa, Cordovil, Picual e Galega. Muito redondo, com toque levíssimo de maçã e verdor apenas residual, pareceu-me o mais maduro dos quatro. Pungência zero. Mas se é equilibrado na suavidade, também poderá haver quem o acuse de "blandness".

Rosmaninho, letras verdes. Produzido pela Coop. de Olivicultores de Valpaços, a partir de azeitonas Madural, Cobrançosa e Verdeal. Aroma mais intenso que o do Santa Vitória e mais verde também, com menos finura nas notas frutadas, mas, globalmente, mais raça. Levíssimo amargor, que cai bem.

Rosmaninho, letras vermelhas. De acordo com o contra-rótulo, mesmo lote e processo de extracção do anterior. E pareceu-me igual a ele. Ou quase, mas um quase que não me convenceu e, em todo o caso, não saberia traduzir por palavras. Sendo os azeites mais subtis no paladar que os vinhos, é expectável que seja também mais difícil apontar as diferenças entre eles, a menos que se tenha muita prática ou se seja algum tipo de sobredotado.

Oliveira Ramos "Premium". Um azeite da marca João Portugal Ramos. As azeitonas, Cobrançosa e Picual, da região de Estremoz. Equilibradíssimo, mas talvez o mais frutado dos quatro presentes, ou, melhor dito, o com mais sabor. Sugere, de facto, o verdor vegetal e a maçã indicados na nota de prova que o acompanhava.

Em prova sem vencedores nem vencidos claros, por muito pouco, gostei mais do Oliveira Ramos e do Rosmaninho "verde", que me pareceram os mais aromáticos, tanto em força como em complexidade, sem que isso lhes tenha custado finura.

Mas, sem tretas, são todos bons, muito bons. De tal forma que, se por algum capricho de um deus subitamente focado em mim, tivesse de me servir apenas de um deles para o resto da vida, a gratidão teria de continuar lá e não sentiria qualquer diferença.

Andava a pensar, faz já algum tempo, em deixar aqui qualquer coisa sobre os whiskies que abati, em casa, nos últimos dois meses (ou isso). Acho que agora é que vai ser! :)

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Azienda Agricola Basilisco — Teodosio '2010

Basilicata, ou Lucânia, é uma região da Itália meridional que faz fronteira a sudeste com o mar Jónico, a este com Apúlia, a oeste com Campânia, a sudoeste com o mar Tirreno e a sul com a Calábria. Este vinho, produzido pela Azienda Agricola Basilisco, de Barile, trazido até nós sob a D.O. Aglianico del Vulture, vem de lá.

Monovarietal de Aglianico criada em terreno vulcânico, a 500m de altitude, fermentou em inox e estagiou "10-12 meses", citando o produtor, em barricas de segundo e terceiro ano. Vem vedado com rolha DIAM.

Fruta em primeiro plano, cereja "seca" de carácter muito mediterrâneo, que me trouxe à memória os poucos Cannonau da Sardenha que experimentei.

Com ela, cacau, folha de tabaco e grafite. Vago almiscarado. Apesar de não muito amplo, bouquet exótico e interessante.

Enche mais de meia boca, com um "miolo" intenso e focado, cheio de personalidade, que alguns poderão entender como abrupto, talvez. O álcool e a acidez sentem-se e os taninos são finos, mas bem presentes. Bastante persistente, acalma um pouco depois do embate inicial.

Proporcionou uma sensação curiosa: à medida que ia sendo consumido, sem que o acompanhamento mudasse, houve momentos em que pareceu ser o álcool o condutor da sua força, com a acidez a refrescá-lo, por assim dizer, a compensar. De outras vezes, pareceu ser a acidez a puxar por ele, independentemente do álcool.

Vivo e bom ao segundo dia — pouco diferente da noite em que foi aberto, talvez mais calmo.

Em suma: forte (sem ser um monstro) e original. Não sei se vale os 93 pontos que a Wine Advocate lhe atribuiu em Abril de 2015, mas será difícil não gostar dele.

12€.

17

segunda-feira, 26 de junho de 2017

dEUS — Worst Case Scenario



And there's always something in the air
Sometimes suds and soda mix okay with beer
Can I, can I break your sentiment?


#2, Suds & Soda

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Tinto da Talha — Grande Escolha '2010

Um "premium" da Roquevale, de Redondo. Há muito que não revisitava este tinto, que continua a não enganar.

Feito na edição de 2010 com Aragonês e Touriga Nacional, vinificadas em separado, embora celebre a tradição romana, que ainda vigora na região, do uso da talha, não viu barro, mas um breve estágio, de cerca de três meses, em barricas novas de carvalho francês e americano.

Cor rubi, sem grande opacidade ou mostras de evolução.

Nariz tipicamente alentejano, com frutos pretos, vegetal seco, madurez, especiarias "quentes" e um aroma etéreo, entre o floral e o químico: certamente da Touriga, mas nada tourigão.

Na boca, porte mediano e carácter capitoso, mau grado a acidez. Tem alguma textura e termina satisfatoriamente longo e especiado.

Indo bem com comida, mesmo pratos robustos, não exige a sua presença para se deixar apreciar. No meu caso concreto, acompanhou bifanas, primeiro, e uma interpretação próxima desta do infame "chicken parmesan", depois.

Em ambos os casos, escorreu "como água sobre as lajes".

Escrevi aqui a respeito de um 2003 notável: colheita que, diz a internet, continua em bom plano. Que pena não ter guardado!

7€.

16,5

terça-feira, 20 de junho de 2017





sábado, 17 de junho de 2017

Pérez Barquero — Gran Barquero, Amontillado

100% Pedro Ximénez. A respeito do seu processo de produção, ficam as informações constantes da ficha técnica que o produtor disponibiliza online:

"Selección de mostos de “yema”, fermentación natural a temperatura controlada y sin necesidad de encabezado. (Similar a la del Fino ya que, en definitiva, es un Fino viejo que tras un largo periodo de crianza biológica bajo velo de flor, ha realizado otra etapa, aún mayor, de crianza oxidativa)"

e "Crianza Biológica bajo velo de flor (>10 años) seguida de envejecimiento oxidativo (>15 años). Los dos procesos tienen lugar en botas de roble americano de 500/600 litros de capacidad y mediante el sistema de criaderas y soleras. En conjunto, su tiempo de crianza y envejecimiento es de 25/30 años".

O processo de elaboração destes vinhos é um mundo — um link de qualidade para os eventuais interessados.

Mais espesso e glicerinado que este, mas igualmente cheio de presença, é um vinho singularmente intenso, longo e amplo, de complexidade difícil de descrever. Aqui, há que notar que o termo de comparação dado é um Palomino de Jerez, casta com menos açúcar e criada em zona de clima mais mediterrâneo, menos continental, sujeita a menores variações térmicas que o PX de Montilla-Moriles do presente, e que isso leva, por norma, a que estes segundos vinhos precisem de menor porção de álcool adicionado aquando do encabezado, o que, acredito, justificará, pelo menos em parte, a diferença sentida.

De qualquer forma, e passando ao momento importante, que foi bebê-lo, sem exagerar, penso que me tenha trazido um pouco de tudo aquilo que entendo concebível encontrar num vinho . . . Vernizes, lacas, gasolina e outros etéreos, incensos, flores, mel, caramelo, frutos secos, tostados, forno de pastelaria, fruta cristalizada — mas qual ou quais? — e maresia, ranço, vinagrinho . . . Um indivíduo perde-se.

Servido a temperatura sempre ligeiramente inferior aos 15ºC que o produtor recomenda como mínimo, nunca deixou de se mostrar extremamente sápido, com a salinidade característica do género a surgir contida, embrulhada na secura suave que lhe define a boca. Leve toque de calidez em crescendo com a passagem do tempo no copo — são 19% de teor alcoólico.

Numa palavra, grande! E o derradeiro vinho para acompanhar presuntos espectaculares!

A 18€ por garrafa de 75cl, possui uma relação qualidade/preço brutal (coisa comum no mundo do Xerez). Mas consta já ter sido substancialmente mais barato.

18,5

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Boards of Canada — Geogaddi

O segundo álbum dos Boards of Canada foi lançado em Fevereiro de 2002.




Não deixando de ser, sem dúvida, um exemplo da melhor IDM que já foi feita, electrónica que não envelhece, justo merecedor dos muitos elogios que lhe têm vindo a ser dirigidos . . .

. . . Contém vários artifícios e singularidades que terão, certamente, ajudado a reforçar a sua mística.

Talvez a minha favorita seja a oitava faixa do disco, que aqui partilho:

Julie and Candy,

Como em Julie Ponder & Candy Newmaker?

Aw :)

domingo, 11 de junho de 2017

Casas do Côro — Tonel do Vizinho '2010

Casas do Côro é um conjunto de infraestruturas turísticas que inclui casas tradicionais, hotel e spa, localizados na aldeia histórica de Marialva, concelho de Mêda. A componente vínica do projecto tem razoável projecção há anos, com os seus produtos amplamente disponíveis na grande distribuição.

Este monocasta Touriga Nacional foi comprado no Pingo Doce e o seu contra-rótulo diz tratar-se de "um lote adquirido a um vizinho que o produziu com a sua mestria, que o cuidou, mas que tinha uma dificuldade difícil de explicar em escoá-lo".

A caminho dos 7 anos de idade, está sério, diria mesmo algo tímido, com intensidade e volume apenas medianos, mas equilibrado nas suas proporções.

No nariz, fruta preta em transformação . . . mirtilo, amora . . . a par de algum vegetal. Tanto as flores como a madeira do estágio se encontram presentes, mas longe da exuberância que muitas vezes a casta proporciona, no primeiro caso, e que nós, humanos, lhe forçamos, no segundo.

Afinado, macio e de boa envolvência, tem 13,5% de álcool que não sobressaem, apesar da acidez discreta, e um final agradável, essencialmente vegetal, a evocar rama de tomateiro e mato seco, sem amargar.

Posto isto, apesar da ausência de sinais objectivos de velhice, beba-se agora.

A dificuldade em escoá-lo poderá ter tido a ver com a predilecção do público por produtos de satisfação imediata, bem como um preço algo elevado, tendo em conta o padrão actual do mercado. Mas isso já sou eu a teorizar.

11€.

16

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Filmes (81)




Trinta anos depois da estreia, afirmava o seu produtor executivo ao "El Mundo" que "(...) fue un desastre para todos los que intervinimos en ella. Acabó con la carrera de Iván como director y con la mía como productor. Además, casi nadie cobró, nunca supimos adónde fue a parar el poco dinero que ha dado".

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Quinta dos Termos — Reserva "Vinhas Velhas" '2013 e '2014

Consumidos em simultâneo, mais dois exemplares da Quinta dos Termos, de Carvalhal Formoso, Belmonte. Que gama extensa eles têm!

De acordo com os respectivos contra-rótulos, que são idênticos, foram feitos com uvas de vinhas velhas das castas Trincadeira, Jaen, Rufete e Marufo, junto com 10% de Syrah de vinhas novas.


Bastante parecidos entre si — encontrado o estilo pretendido, será mais fácil manter a coesão entre colheitas? — são dois tintos longos, amplos e estruturados. Robustos, mas não brutos.

No 2013, mais morango que ameixa preta: fruta madura, macerada em álcool. Algum ligeiro floral. Muitos taninos, finos, não sedosos. A barrica, fumado discreto, bem integrado. 9€. 17.


Mais "escuro" o 2014, com sugestões de frutos pretos/roxos e madeira um pouco mais presente. 9€. 16,5. Até ver, foram os dois vinhos do produtor de que mais gostei.

sexta-feira, 2 de junho de 2017





terça-feira, 30 de maio de 2017

Fattoria di Fèlsina Berardenga — Chianti Classico Riserva "Rancia" '2010

Fèlsina está localizada no extremo sudeste da denominação Chianti Classico, entre as últimas esporas das colinas de Chianti e o início do vale de Ombrone. São 600 ha de terra, dos quais 95 plantados com vinha.

Este Rancia, proposta de categoria "reserva" do produtor, vem do vinhedo homónimo, situado na comuna de Castelnuovo Berardenga (este pdf contém um mapa que mostra as localizações das diferentes vinhas da exploração).

Trata-se de um monocasta Sangiovese, fermentado em inox, com maceração, durante 16 a 20 dias, a temperaturas entre 28 e 30°C. Em Março ou Abril do ano seguinte ao da vindima, o vinho novo é transferido para barricas novas de carvalho francês, onde estagia de 18 a 20 meses, antes de loteado e engarrafado.

Abri a garrafa e provei. Logo me passou pela mente o facto de, em função das circunstâncias, nos podermos deparar com vinhos menores que nos sabem pela vida e grandes vinhos que desapontam. Mas depois de basto arejamento, toda a tarde em decantador, as coisas mudaram.

E se, ao jantar, já não parecia o monólito de potencial por realizar que se mostrara antes, tão tenso e concentrado quanto objectivamente pobre em cheiro e sabor, exemplo perfeito de um vinho fechado, nunca deixou de parecer ter mais para dar que o mostrado no momento.

"Muito Chianti", trouxe consigo cereja amarga, framboesa e bagas pretas sobre fundo de barrica, esta sem fumo nem baunilha, coisa estranha para quem consome vinhos portugueses 99 em cada 100 vezes: estes cheiros não são cá da terra, faltam termos de comparação.

A complexidade? Anis estrelado, folha de tabaco, cabedal. Flores. Violetas, mas nada como as da nossa Touriga. Nem melhores nem piores, diferentes: mais terra, menos perfume. E moca, deliciosa, a espreitar no final.

Foi assim que este vinho longo e super limpo, com a acidez considerável que se espera dos bons exemplares do género, acabou por me cativar, apesar de ser daqueles vinhos que, reitero-o, não têm tendência para arrancar exclamações de espanto.

Ademais, apesar de ainda ter muitos anos pela frente, encontra-se já numa fase bastante abordável, dê-se-lhe tempo para se soltar — e esquecidas as expectativas, projecções pessoais para o futuro que, como aqui me pareceu ser o caso, muitas vezes não têm muito de concreto a que se agarrar. . . indubitavelmente agradável.

A S. não lhe perdoou a circunspecção, mas a S. gosta de alentejanos ricos.

35€.

18

sábado, 27 de maio de 2017

2.

Terá a manhã sempre que voltar? Não terminará jamais o poder da Terra? Agitação nefasta consome o celeste poisar das asas da Noite. Jamais ficará a arder sem fim a secreta oferenda do amor? O tempo da Luz é mensurável; mas o império da Noite é sem tempo e sem espaço. — Perene é a duração do sono. Sagrado sono, não sejas avaro de teus benefícios para todos os que nesta jornada terrena se consagram à Noite. Só os loucos te desconhecem, não sabendo de outro sono que a sombra que tu misericordiosamente sobre nós lanças no crepúsculo desta vera Noite. Eles não te sentem no dourado caudal das uvas — na maravilha do óleo de amêndoas, no suco escuro da papoila. Não sabem que és tu que pairando no contorno dos seios das tenras donzelas tornas o seu regaço o Céu — não supõem que tu, vindo de histórias antiquíssimas ao nosso encontro, vens para abrires o Céu e trazeres contigo as chaves das moradas dos bem-aventurados, mensageiro silente de infindáveis segredos.

Novalis, "Os Hinos à Noite"
Trad. de Fiama H. P. Brandão
Assírio & Alvim, 1988

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Quinta dos Termos — Colheita Seleccionada '2008

Diz o Prof. Virgílio Loureiro no contra-rótulo deste seu vinho que "... juntei à Touriga Nacional um pouco do melhor vinho de Trincadeira, depois acrescentei o Rufete e, por fim, um bocado de Tinta Roriz, que, em anos bons, fica com um aroma encantador".

Começou algo preso, insistente nas reminiscências de fumo, pimenta preta, coco e baunilha, tudo a apontar para um estágio em carvalho americano, que, sem assoberbarem o conjunto, acabaram por ganhar em definição, e assim sobrepor a sua presença ao "cheiro a vinho" predominante, coisa séria, austera, nada terciária, que só bastante tempo após a abertura começou a deixar perceber a alegria de certa frutinha negra, bonita, é certo, mas de expressão muito suave. Entretanto, cacau, em crescendo.

Na boca, se o volume e o comprimento não se poderiam qualificar como mais que apenas "bonzinhos", era notória a substância, e talvez mais ainda, a coesão evidenciada. Como se, não obstante os quase nove anos volvidos sobre a data da colheita, este vinho ainda estivesse realmente por abrir — e a deixar as sementes da questão sobre se irá realmente fazê-lo . . . Por norma, os tintos de taninos firmes embirram com a acidez e gordura do queijo que, por sua vez, costuma entrar em rota de colisão com a fruta. Mas aqui pareceu-me já existir macieza suficiente e o seu intenso sabor, em concordância com o nariz, era de vinho, vinho mesmo, sem grande fruta, sem pingo de açúcar. Como se de um pequeno Vintage seco se tratasse.

Então resolvi consumir com ele uns quantos queijos maduros que por aí tinha: Stilton, Manchego e da Serra da Estrela, e não me pareceu que a ligação tenha corrido mal, de modo algum. Estava, enfim, contente. Mas quando vieram uns pãezinhos com patê de veado e Pedro Ximenez, de La Cacereña, deste, não consegui mais escapar à forma como o sabor do vinho, sem o ser, puxava maravilhosamente pelo animal, gamy, da carne. E foi como ver a luz.

9€.

16,5

domingo, 21 de maio de 2017







quinta-feira, 18 de maio de 2017

Convento da Tomina '2013

Fundado por Manuel de Jesus Maria, em 1686, o Convento da Tomina está localizado no sítio da Tomina, junto ao Ribeiro de Pai Joannes, em zona fronteiriça entre as localidades de Santo Aleixo da Restauração, do lado português, e Aroche, do espanhol, integrado na chamada Herdade da Contenda, a cujo respeito encontrei uma tese interessantíssima.

Em 1709, por decisão de D. João V, o Convento ficou adstrito à Congregação dos Clérigos Regulares dos Doentes, os chamados clérigos agonizantes, cuja principal missão consistia na assistência aos moribundos. De lá saíram os religiosos que fundaram, entre outros, o Convento de Nossa Senhora de Sacaparte, em Alfaiates, que já não me é estranho.

Feito com Aragonês, Alicante Bouschet, Trincadeira e Alfrocheiro, sem passagem por madeira, este Convento da Tomina corresponde a um vinho que o produtor da zona de Moura, em tempos, vendia em garrafão, à porta da adega, e que era tão bom que várias pessoas próximas o terão tentado convencer a engarrafar, com sucesso. Ainda bem.

Porque já tinha saudades de um nariz tão puramente alentejano! Tem frutos pretos cozidos pelo sol e em marmelada, entre os quais pesa a inevitável ameixa, junto com flores e vegetal: aquilo que, há muitos anos, eu chamava "podrum alentejano", rapidamente seguido de — e completado por — sugestões ferrosas e sanguíneas. Xisto?! Mais para o fim, chocolate branco. Na boca, já bastante macia, corpo e persistência "médios mais", com algum álcool e acidez suficiente. E apesar do estilo generoso, não me parecesse que deixasse qualquer impressão de doçura residual no paladar.

A caminho dos quatro anos de idade, está um vinho fácil de entender, directo, franco. Simples, no bom sentido da palavra, e sólido também.

8€.

16

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Slint — Spiderland

Spiderland foi o segundo e último álbum dos Slint.



Goodnight, my love
Remember me as you fall to sleep.
Fill your pockets with the dust and the memory,
That rises from the shoes on my feet.

I won't be back here
Though we may meet again.

I know, it's dark outside
Don't be afraid.
Every time I ever cried for fear,
Was just a mistake that I made.
Wash yourself in your tears,
And build your church
On the strength of your faith.

Please,
Listen to me,
Don't let go,
Don't let this desperate moonlight leave me,
With your empty pillow,
Promise me
The sun will rise again.

I, too, am tired now
Embracing thoughts of tonight's dreamless sleep.
My head is empty,
My toes are warm.

I am safe from harm.



#4, Washer

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Quinta da Fata — Touriga Nacional '2009

Outro velho favorito, o monocasta Touriga Nacional da Quinta da Fata, de Vilar Seco, Nelas.

Feito em lagar, com pisa a pé, estagiou, um ano, em barricas de carvalho francês. Abri a garrafa nº 1493, mas não consegui descobrir quantas foram produzidas.

Mais amplo que longo e muito macio, senhor de uma concentração a que não teve de ceder finura, apareceu ainda pouco terciário, rico em violetas e vívidas sugestões de bergamota, misturadas com fruta bem negra, a degenerar com a passagem do tempo em figos, tâmaras e frutos secos, junto com um pouco de chocolate de leite, mais presente no final.

Com oito anos, não me pareceu nada velho. Retém frescura e alegria — talvez, também, promessas para o futuro? Para já, foi pelo equilíbrio que se destacou, foi de equilíbrio a impressão que dele prevaleceu.

Empurrou um bife com batatas fritas, de acordo com esta interpretação do clássico.

18€.

17

terça-feira, 9 de maio de 2017

Filmes (80)

Fisshu sutôrî (Fish Story)





Este filme é a adaptação cinematográfica da novela de 1971 com o mesmo título, escrita por um japonês chamado Kotaro Isaka.




O contra-rótulo inclui uma breve sinopse: "Fish Story weaves together several seemingly separate storylines taking place at different points in time over a 37-year span to explain how a little punk rock song can save the world."




E aparte o bizarro, que só pode ser bom, nem que seja pela diversidade que implica, não é que funciona?




Como o melhor dele é som e movimento, preferia trazer-vo-lo numa janela de vídeo. Mas, o dinheiro, os direitos! O Youtube não deixa.

sábado, 6 de maio de 2017

Herdade do Esporão — Quatro Castas '2012

Feito com Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Touriga Franca e Tinta Miúda, 25% de cada, vinificadas em separado. O Alicante estagiou, seis meses, em inox; as demais castas, por igual período, em carvalho francês e americano.

Nariz maduro, generoso nas notas evocativas de calor e doçura — preferindo não o afirmar muito alentejano no estilo, expressão a que não falta certa perversidade, digamo-lo, pelo menos, profundamente meridional.

E complexo. À fruta que predomina, a evocar ameixa, groselha preta e outros que tais, por vezes com toque lácteo, por vezes alicorado, juntam-se floral doce e reminiscências de barrica, como baunilha e caramelo de leite.

Na boca, corpo médio, de sabor intenso, com acidez moderada e taninos doces. Em termos de persistência, estará apenas entre o médio e o longo, mas não me pareceu essa a sua característica mais lisonjeira. Em todo o caso, um vinho em boa forma!

Há muito que não abria nenhuma garrafa da Herdade do Esporão; esta serviu para me lembrar que, por norma, vale a pena.

10€.

16,5