sexta-feira, 12 de maio de 2017

Quinta da Fata — Touriga Nacional '2009

Outro velho favorito, o monocasta Touriga Nacional da Quinta da Fata, de Vilar Seco, Nelas.

Feito em lagar, com pisa a pé, estagiou, um ano, em barricas de carvalho francês. Abri a garrafa nº 1493, mas não consegui descobrir quantas foram produzidas.

Mais amplo que longo e muito macio, senhor de uma concentração a que não teve de ceder finura, apareceu ainda pouco terciário, rico em violetas e vívidas sugestões de bergamota, misturadas com fruta bem negra, a degenerar com a passagem do tempo em figos, tâmaras e frutos secos, junto com um pouco de chocolate de leite, mais presente no final.

Com oito anos, não me pareceu nada velho. Retém frescura e alegria — talvez, também, promessas para o futuro? Para já, foi pelo equilíbrio que se destacou, foi de equilíbrio a impressão que dele prevaleceu.

Empurrou um bife com batatas fritas, de acordo com esta interpretação do clássico.

18€.

17

terça-feira, 9 de maio de 2017

Filmes (80)

Fisshu sutôrî (Fish Story)





Este filme é a adaptação cinematográfica da novela de 1971 com o mesmo título, escrita por um japonês chamado Kotaro Isaka.




O contra-rótulo inclui uma breve sinopse: "Fish Story weaves together several seemingly separate storylines taking place at different points in time over a 37-year span to explain how a little punk rock song can save the world."




E aparte o bizarro, que só pode ser bom, nem que seja pela diversidade que implica, não é que funciona?




Como o melhor dele é som e movimento, preferia trazer-vo-lo numa janela de vídeo. Mas, o dinheiro, os direitos! O Youtube não deixa.

sábado, 6 de maio de 2017

Herdade do Esporão — Quatro Castas '2012

Feito com Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Touriga Franca e Tinta Miúda, 25% de cada, vinificadas em separado. O Alicante estagiou, seis meses, em inox; as demais castas, por igual período, em carvalho francês e americano.

Nariz maduro, generoso nas notas evocativas de calor e doçura — preferindo não o afirmar muito alentejano no estilo, expressão a que não falta certa perversidade, digamo-lo, pelo menos, profundamente meridional.

E complexo. À fruta que predomina, a evocar ameixa, groselha preta e outros que tais, por vezes com toque lácteo, por vezes alicorado, juntam-se floral doce e reminiscências de barrica, como baunilha e caramelo de leite.

Na boca, corpo médio, de sabor intenso, com acidez moderada e taninos doces. Em termos de persistência, estará apenas entre o médio e o longo, mas não me pareceu essa a sua característica mais lisonjeira. Em todo o caso, um vinho em boa forma!

Há muito que não abria nenhuma garrafa da Herdade do Esporão; esta serviu para me lembrar que, por norma, vale a pena.

10€.

16,5

quarta-feira, 3 de maio de 2017

O homem que tinha dado o nome de Bill Plantagenet mas primeiro se anunciara como s. s. Lawhill, acordou ao menos com a certeza de uma coisa: estava num barco. Caso contrário, que barulhos espaçados podiam ser aqueles, sons assim, de ferro a malhar em ferro? Identificou o correr de água nas escotilhas, os pesados passos que martelavam por cima dele a ponte, aquele incessante Frère Jacques que é o Frère Jacques das máquinas. Estava num barco, de volta à Inglaterra de onde não devia ter saído. Depois, teve consciência do seu estiraçado, trémulo e malcheiroso corpo. A luz do dia espetou-lhe as pálpebras com setas dolorosas. E ao abri-las viu três marinheiros negros a esfregarem vigorosamente a ponte. Voltou a fechá-las. "É impossível", pensou.

Se estava num barco, e pelos vistos no castelo da proa, a coxia que tinha o seu beliche na ponta por certo atravessava o castelo inteiro. Disparate, concluiu — e fazia-se ao mesmo tempo tão forte o som de corda ferida, que começou a magicar a hipótese de se encontrar deitado em cima do veio propulsor.

À medida que avançava o dia, tornava-se mais difícil suportar aquele ruído de um comboio a andar ali, no tecto, mesmo por cima da cabeça dele. Novamente se fez noite. O ruído ia aumentando e a tripulação, coisa estranha, parecia multiplicar-se. Homens e homens magoados e feridos, sempre bêbados, iam sendo expulsos da coxia pelos contramestres e batiam com a cara no chão, aos berros, ou adormeciam repentinamente nos beliches duros.

Mantinha-se acordado. Passara a noite a fazer o quê? A tocar piano? E essa noite tinha sido, realmente, a noite anterior? Talvez não. Sentia um remorso a roer-lhe as entranhas. E uma vontade de beber desesperada. Não chegava a perceber se estava de olhos abertos ou fechados. De baixo das mantas saltavam horríveis formas entregues a um indecifrável linguajar; vinham esfregar-lhe a cara com pêlos, mas não conseguiu reagir. E sentia qualquer coisa a tentar levantar-se debaixo da tarimba, precisamente um urso. Vozes, uma prosopopeia de vozes aparecia a murmurar-lhe coisas ao ouvido e afastava-se e voltava a aproximar-se e a sussurrar, ou então dava gargalhadas, gritos e grasnidos; eram vozes que o exortavam a nunca mais beber, a morrer, a ficar amaldiçoado para sempre. Uma multidão de espantosas sombras chegava junto dele para se afastar logo de seguida. Da parede jorrou uma cascata de água que invadiu o quarto. E uma gesticulante mão vermelha espicaçava-o. No flanco devastado de um monte corria uma torrente caudalosa que arrastava corpos sem pernas, a dar berros que saíam de órbitas enormes e sem olhos, mas cheias de dentes partidos. Uma música cresceu até ao grito, e depois cessou. Num edifício de fachada totalmente destruída, um escorpião enorme violava uma negra sem braços, numa cama ensanguentada e desfeita. Por breve instante viu a sua mulher de face triste e banhada em lágrimas, que logo se transformou em Ricardo III prestes a atirar-se a ele, para o estrangular.

Malcolm Lowry, "Lunar Caustic"
Trad. de Aníbal Fernandes
Assírio e Alvim, 1985

domingo, 30 de abril de 2017

Bonjardim '2014 (Branco)

Garrafa nº 2563 de 3000.

Cor evoluída.

Menos intenso na acidez que o seu congénere de 2015; mais macio, mais maduro, ainda muito senhor de si.

Abatido na margem do Ceira, com sushi, fez lembrar flores silvestres, jasmim, baunilha e chocolate branco.

Sobrou talvez um terço da garrafa, que à noite surgiu transformada: pedra, humidade, oxidação.

É um vinho bonito, mas menor que o de 2015 e que, provavelmente, não durará.

Quando procurava saber mais sobre o produtor, online, não desgostei da reportagem que encontrei aqui.

7€.

16

quinta-feira, 27 de abril de 2017







segunda-feira, 24 de abril de 2017

Bonjardim '2015 (Branco)

Animado pela descoberta dos vinhos do post anterior, não tardei a procurar mais exemplares originários da quinta que lhe deu origem.

Encontrei dois brancos secos, de 2014 e 2015, ambos de produção ainda mais reduzida que o tinto: dizem os respectivos contra-rótulos terem sido enchidas, do primeiro, 3000 garrafas de 75cl, e do segundo, apenas 1970 garrafas de meio litro.

Comecemos pelo mais recente. Fernão Pires e Alvarinho, amadurecido "sur lie", em contacto com as leveduras mortas, após a fermentação, e não filtrado.

Primeiro flores silvestres, brancas e amarelas, depois pastelaria, a untuosidade subtil de massas folhadas.

Largo, sério, conduzido por excelente acidez que o refresca e lhe traz profundidade, mesmo já depois de "quente" no copo.

De final amanteigado, com toque de noz de pecan, foi a garrafa nº 1111.

A acompanhar, salada de polvo. O molusco, depois de cozido, foi ao forno num pyrex fechado, 20 minutos, a 140ºC, com azeite, paprika e tomilho seco. Virou-se a meio da assadura.

Misturado com feijão frade, pimento assado, azeitona verde, cebola doce e salsa, tudo cortado relativamente miúdo, constituiu um jantar fácil e agradável, companhia perfeita para um branco muito, muito bonito.

7€.

17

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Bonjardim '2012 e '2013

Feitos, de acordo com os respectivos contra-rótulos, com Touriga Nacional e Syrah, fermentados em lagar e estagiados em barrica, estes são dois dos vinhos biológicos da Quinta da Portela, sita na aldeia do Nesperal, concelho da Sertã.

A quinta, do século XVIII, adquirida pelos actuais proprietários em 1989, além da actividade vinícola, inclui uma unidade de turismo rural, o Albergue do Bonjardim. O enólogo é António Maçanita.

Em 2012, foram produzidas 7200 garrafas deste tinto, das quais abri a nº 4131. Escuro, mas relativamente pouco opaco, não se mostrou o vinho extraído e madurão que, talvez por preconceito, esperava encontrar. Pelo contrário: surgiu muito fino, cheio de boa fruta silvestre, com ponto de frescura balsâmica e bergamota. Sem se poder considerar realmente profundo ou complexo, foi, no entanto, longo, macio e concentrado o suficiente para impressionar. Custou à volta de 8€. 16

Maior surpresa ainda foi o de 2013, ano de produção substancialmente mais reduzida: abri a garrafa nº 2924 de 3700. De novo, frutos do bosque, mais vermelhos que negros, flores, muita bergamota, pimenta preta e ligeira barrica. Parecido com o de 2012, mas algo melhor em todos os aspectos. 8€. 17

Estes tintos constituem, definitivamente, dois belos representante da zona do Pinhal Interior, onde a produção de vinho, apesar de antiga, nunca teve projecção.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Filmes (79)



"I have existed from the morning of the world and I shall exist until the last star falls from the night. Although I have taken the form of Gaius Caligula, I am all men as I am no man and therefore I am a God."

sábado, 15 de abril de 2017

Domini Plus '2011

A colheita de 2011 na Quinta de Mós, propriedade da José Mª da Fonseca no Douro, rendeu 5800 litros deste vinho, engarrafado em Abril de 2014.

68% Touriga Francesa, 22% Tinta Roriz e 10% Touriga Nacional; estagiou 23 meses em madeira nova.

Inicialmente fechado de aroma, melhora tomado algum ar: frutos negros, barrica fina, flores e cola "Dragão". Vaga percepção de doçura. Longo, concentrado; elegante na forma como distribui coisas grandes.

Algo monolítico, é certo, mas muito polido, tem tudo o que se espera de um vinho de gama alta, oriundo de um produtor de referência, que começa a estar realmente pronto a ser bebido.

E agradou, de tal maneira que uma das notas rabiscadas aquando da prova até diz "delicioso". Mas não houve entre nós click que justificasse maiores observações.

Coisas da alma! Se da dele, se da minha, não sei.

35€.

17,5

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Velharias (42)

Tento cristalizar em termos perceptíveis este meu momento. Apesar de ter fumado bastante, sinto-me sóbrio e desperto, o que, perante o espelho, não deixa de surpreender: é uma pobre figura aquela que me enfrenta de olhar fixo, sem pestanejar, os músculos da face meio paralisados numa expressão idiota.

Consigo raciocinar com clareza e escrever depressa, mais depressa que o costume. Mas não chega. Gostava de escrever coisas que penso com destreza tal que o acto de registar não interferisse com o filme, mas temo que tal seja impossível. Registar também é uma tarefa.

Com a corrente de ideias perturbada pelo abrandamento que lhe é imposto pelo acto de registar, há sempre algo que se perde, e consigo a própria corrente. Fica imortalizado um esboço sem graça, nunca nada parecido com o que pretendia representar. Mas insisto em fazê-lo, não que tenha ilusões seja relativamente a produzir pepitas de sabedoria ou a alguma vez vir a conseguir registar algo para o qual não possuo uma linguagem completa e que se transforma e me leva consigo para onde eu não estava, por caminhos que não creio que fosse trilhar, assim que escrito ou dito. A auto-referência é só um de muitos desses demónios. 


Ei-la! Não era onde queria ir e voltar atrás não é permitido, por via da artificialidade. Já não é eu e onde estava a ir: projecção futura e momento presente, mas sim uma recordação revisitada. Por curiosidade, elaboremos sobre isso. Se por vezes o filme flui ligeiro, outras preocupam-me coisas mais pesadas.

E eu, babado ao espelho, antes de me desviar pelas linhas supra, estava ou estive algo atormentado com algo recorrente, que me acompanha não importa quão para trás olhe: acho que dependo de pessoas. A rapidez com que me farto da solidão relativa de quando me isolo dos outros leva-me a pensar que não suportaria viver absolutamente só.

Mesmo assim, evito frequentemente essas pessoas com quem tanto gosto de interagir. Porquê, não sei ao certo. Talvez por medo de não acompanhar as suas expectativas, embora não consiga ver qualquer bom motivo pelo qual havia de me forçar a isso. Ademais, é natural que o indivíduo julgue aquilo que vai conhecendo e de forma alguma isso o transforma automaticamente num inimigo.


Eu também o faço. Ao comprar bananas, escolho um conjunto de frutos que nunca antes tinha visto na vida em função de um julgamento baseado numa banana ideal, que nunca toquei ou comi, mas que ajuda a diferenciar uma "boa" banana de uma "má" banana. Ao conhecer a Joana, amiga de conhecidos que nunca antes tinha visto na vida, é natural que a avalie, por menos importante que esse juízo ou a própria Joana sejam no curso da minha vida: duas semanas depois do dia em que a conheci, encontrando casualmente a Joana na rua, já não é uma gaja sem nome, relativamente magra e loira, como tantas outras, que esteve durante uns segundos no meu campo de visão, mas sim a Joana, amiga do Mário que me vende haxixe, a Joana relativamente magra e loira que às vezes fala mais alto que o aconselhado pela situação e se escangalha a rir com coisas sem jeito nenhum.

Olá Joana. Olá Jorge. E cada um julgou e continuou a sua vida.

Parece-me, pois, algo injusto o tratamento que tantas vezes reservo àqueles que não são eu. Aparecer, não posso evitar. Mas podia, talvez, tentar contrariar o azedume que me tinge uma vez minado pela desconfiança. Podia tentar racionalizá-la. Podia, pelo menos, não a alimentar. Sei que o facto de alguém achar ou esperar algo de mim não implica sempre, necessariamente, que seja um antagonista, infiltrado ou declarado, mas opto por nunca dar o benefício da dúvida. Houvesse algum acontecimento traumático no passado a que pudesse agarrar-me como desculpa, poderia estar descansado, confortar-me-ia a pena de mim mesmo a esse respeito e recomeçaria o jogo. Mas não. Serei estúpido?

Estúpido ou mau? Ah! Sendo mau, é natural que pertença ao inferno, tanto que já lá esteja. Sim, que depender é um inferno e eu acabo por depender de tudo. Qualquer merda me magoa. E pensar "grow a pair, fag" não ajuda, magoa mais. Bah. Teria Kierkegaard razão quando afirmava ser a "doença mortal" o desepero? Porque não a falsa consciência de vida que nos leva tanto a ignorar que vivemos para a morte?

14/1/2002

domingo, 9 de abril de 2017

Terra D'Alter — Alfrocheiro '2014 e '2015

Abertos na mesma noite que o do post anterior, estes Alfrocheiro da Terras D'Alter apareceram muito mais focados e intensos que ele. Definitivamente, não pertencem à mesma liga.


Ora, estes são dois vinhos jovens, cheios de fruta. Em ambos me pareceu a amora a nota dominante, gulosa, super sugestiva, acompanhada no 2014 de cereja negra, vestígios de terra, sangue e algum chocolate, e no 2015, ameixa, especiarias quentes e vegetal seco.


De volume e persistência apenas medianos, ambos assentam boa parte da sua capacidade de impactar em acidez afirmativa e sabor sumarento. Sem arder ou amargar, o de 2015 está algo capitoso, menos redondo que o seu predecessor.

São vinhos de prazer imediato que parecem, no entanto, poder vir a beneficiar de algum tempo em garrafa. Será?

5€, cada.

16, ambos.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Château La Grange d' Orléan '2012

Tal como este Haut-Landon, que foi trazido do mesmo supermercado, o vinho de que trata o presente é um Blaye-côtes-de-bordeaux engarrafado por SAS Robin, que o Guide Hachette des vins et champagnes introduz assim:

Jean-François Réaud a repris en 1983 le vignoble du grand-père, créé en 1904 sous le nom de Domaine du Grand Moulin; il l'a largement restructuré et modernisé, et lui a donné le nom plus flatteur de "château".

Constituem o lote 70% de Merlot, 20% de Cabernet Sauvignon e Franc, e 10% de Malbec, provenientes da vinhas de Annette Venancy, de Saint-Androny.

Savory, não fruit forward, com tabaco e especiarias em evidência.

Fresco e equilibrado, é "médio menos" em termos de presença, apenas firme o suficiente para não se desvanecer no nada . . . Agradável, mas sem grande história.

Embora Bordéus bom e barato não seja miragem, há que garimpar muito e a maior parte do que fica na peneira é cascalho.

Acompanhou cubos de pá de porco, estufada no slow cooker durante 12h, mais coisa menos coisa.  Mesmo no tempo quente, um prato que me sabe sempre bem.

4€.

14,5

segunda-feira, 3 de abril de 2017


Donner - Milic

1. d4, Nf6 2. c4, g6 3. g3, Bg7 4. Bg2, d5 5. cxd5, Nxd5 6. e4, Nb4 7. a3, N4c6 8.d5, Nd4 9. Nc3, c6 10. Nge2

After 10.Be3, White would have had a greater advantage.

10. ..., Bg4 11. O-O, Nxe2+ 12. Nxe2, O-O (12. ..., Qc8!) 13. h3, Bd7 14. Nc3, e6!

Black's last is an excellent move. The passed pawn is weak if anything, but I wanted to win, which would have been well-nigh impossible after a general exchange in the centre.

15. d6!??, e5! 16. Be3, Be6 17. Qd3, Nd7 18. f4, Nb6 19. Rf2!, f5?

Milic failed to understand the position. he should not relinquish files and squares surrounding the passed pawn on d6. With f6 he could have closed the position, condemning White to impotence. Now he ended up in a lost position.

20. fxe5, Bxe5 21. Bf4, Bxf4 22. Rxf4, fxe4 23. Rxf8+, Qxf8 24. Nxe4, Qg7 25. Nc5!, Bd5 26. Bxd5+, Nxd5 27. Re1!, b6


28. d7!, Qf7 29. Qe4, Rf8 30. Ne6, Qxd7

Too bad he did not play Nf6. When I asked him, he came up with some absurd line. Obviously, he hadn't noticed that White would have emerged a piece up with 31.d8=N!!

31. Nxf8, Kxf8 32. Qe6, Qc7 33. Qe8+, Kg7 34. Qe5+, Qxe5 35. Rxe5

Decent players resign in such a position. Black did not and managed a draw, of which I am so ashamed that I will not give the rest of the game. Et le pion noir dit au pion blanc: "Donner".

It was not the first time this happened to me. My repeated failures (until recently) against Wijnans were due to the same phenomenon. Always reaching winning positions, never winning. And the second game of my match against Euwe, in which I gave a pawn away in a drawn position, was something similar.

I love all positions. Give me a difficult positional game, I'll play it. Give me a bad position, I'll defend it. Openings, endgames, complicated positions and dull, drawn positions, I love them all and will give them my best efforts. But totally winning positions I cannot stand. There are other players in Holland who suffer from the same pathetic phenomenon, notably Van den Berg and Barendregt, who, as a result, are not really taken seriously and of whom it is mockingly said: "Just give a pawn away and you're sure to win." It is much better, in fact, to play an objectively less correct game but to be able to win once you've got a winning position, as is the case with Cortlever and Prins, for example.

And that is why I am writing all this under the heading "On the justice of chess". For it is indeed the strongest who will win: not the one who is objectively the best thinker, but the one who is the most tenacious fighter, as is also the case in life.

Club Magazine DD, Jul/Set 1950


Publicado pela New in Chess, "The King" é a tradução inglesa do clássico de 1987 "De Koning", uma antologia de artigos escritos pelo grande J.H. Donner, organizada por Tim Krabbé e Max Pam.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Monte da Ravasqueira — Vinha das Romãs '2013

O Monte da Ravasqueira é uma propriedade localizada perto de Arraiolos. Além de vinho, produz azeite e mel.

Este seu "Vinha das Romãs" foi feito com Syrah e Touriga Franca provenientes de uma parcela onde antes estava plantado um pomar de romãzeiras.

Da colheita de 2013, encheram-se 31538 garrafas em Junho de 2015, após 20 meses de estágio em barricas novas de carvalho francês.

Aberto para acompanhar um estufado de pá de porco feito na panela de cozedura lenta, foi servido directamente da garrafa e evidenciou, desde logo, grande presença.

Em primeiro plano, aroma doce de flores e fruta carnuda, preta e roxa, a cozer ao sol. Entretanto, tostados, baunilha e outras especiarias, chocolate de leite.

De peso/volume médio/grandes, mas acima de tudo macio, envolvente, mostrou-se longo e muito saboroso, com álcool discreto e acidez suficiente, por ora.

Deixei metade para o dia seguinte, dentro da garrafa, tapada com a rolha virada ao contrário, na porta do frigorífico, e ainda me pareceu mais ligado, a madeira melhor fundida na fruta, e mais solto, mais fragrante. Muito bom!

15€.

17,5

terça-feira, 28 de março de 2017





sábado, 25 de março de 2017

Cistus — Grande Reserva '2009

Garrafa nº 1032 de 10335 enchidas em Abril de 2014: 42% Tinta Roriz, 35% Touriga Franca e 23% Touriga Nacional; estagiou 21 meses em barricas de carvalho francês.

Cor granada, escura e concentrada.

Abre etéreo. Intenso, mas um pouco preso. Agitado, mostra frutos negros de nenhuma espécie em particular, doces, com toque de rebuçado. E baunilha, coco, toffee e moca. Barrica.

Saboroso, com acidez suculenta e corpo suficiente para compensar o álcool, 16%, que aquece sem amargar, tem bastante força e algum grão também. Fácil de beber, mau grado o estilo extraído. Termina longo.

Vale a pena referir a evolução no copo. O lado químico/floral das Tourigas tem um momento de evidência antes de o conjunto estabilizar em plano mais discreto, com empireumáticos à frente da fruta macerada.

Lançado no mercado quase 8 anos após a colheita, o topo de gama da Quinta do Vale da Perdiz, de Torre de Moncorvo, é um vinho grande, que ainda pede tempo em garrafa.

Foi enviado pelo produtor, que recomenda um PVP de 20€.

17

quarta-feira, 22 de março de 2017

Filmes (78)

Bring Me the Head of Alfredo Garcia




Mais uma brutalidade de Peckinpah :P

domingo, 19 de março de 2017

Solanera — Viñas Viejas '2012

Nunca tinha bebido nada provindo da denominação de origem Yecla, localizada no nordeste da província de Murcia.

70% Monastrell (Mourvèdre), 15% Garnacha Tintorera e 15% Cabernet Sauvignon. Segundo o produtor, as cepas das duas primeiras castas referidas têm cerca de 40 anos e o Cabernet, metade dessa idade.

Gerou-se certo hype à sua volta quando Robert Parker lhe atribuiu 94 pontos em 100 possíveis, em Novembro de 2013. Não morro de amores pela parkerização e seus derivados, mas compreendo que tantos pontos suscitem interesse, então tratando-se de um vinho relativamente barato.

Servido directamente da garrafa, a 16 °C.

A cor, granada, escura, não retinta.

Logo depois de aberto, bouquet de amora, mirtilo e ameixa: não como aqueles espécimes desengraçados, acídulos, que habitualmente se encontram nos supermercados: fruta escura, doce, seca ao sol. Alguma compota. Especiarias. Fumo, barrica já assente (estagiou 10 meses em carvalho francês e americano).

Intenso, mas também macio, de corpo largo. Ainda firme, com acidez suficiente. Persiste denso, com insinuações de grandeza.

Enfim, algo diferente daquilo que costumo consumir. Fácil, mas genuinamente rico. Bem fixe.

12€.

16,5

quinta-feira, 16 de março de 2017

segunda-feira, 13 de março de 2017

Vista Alegre — Colheita '2000

Engarrafado em 2014.

Tem cor acastanhada, bastante densa e escura, tendo em conta tratar-se de um tawny com idade.

Inclina-se para a aguardente e os frutos secos tostados, com notas de caramelo, licor e ranço — definitivamente, somethin' funky goin' on.

É um "Colheita" vigoroso, dos mais robustos que já bebi.

Versátil, esteve bem com bolo de noz, filhoses, chocolate em barra, pão com compota… Mas foi com castanhas assadas que me pareceu melhor.

Antes dele, o único Porto da Vallegre aqui registado foi um LBV de 2002 que deixou "mixed feelings".

23€.

17

sexta-feira, 10 de março de 2017

Om — Pilgrimage

O terceiro álbum dos Om abre assim...



O som é grandioso, épico.

E as letras não destoam:

Trumpeter sounds a periphic dream the cries now shorn as prelate falls and send away.
Overture mits' forth clarion sky to sun she climbs and sheds her wings into the sea.
Memories rise to obscurate orb — the astral causate forms dissolve and send away.
Severance from illusory field the pilgrim wills to correspond with freedom.

Hold the oscillate light driven on to sender.
Soul arraigns the perceived and the seen to reap.
From the little drawn breath climbs away to the freedom sea.
Consecrates the sushumnic vertebrae.



#1, Pilgrimage

terça-feira, 7 de março de 2017

Lisini — San Biagio '2013

A Azienda Agraria Lisini está localizada na província de Siena, 8 Km a sul de Montalcino, perto do povoado de Sant'Angelo in Colle.

Feito exclusivamente com Sangiovese Grosso, ou Brunello, a grande casta da região, e engarrafado sem passar por madeira, este é o seu vinho de entrada.

Tem cor pouco carregada e nariz rico em cereja e frutos do bosque, vermelhos, a que se juntam especiarias, flores e um toque medicinal.

Mais difícil de descrever face à ausência de bons termos de comparação que objectivamente indistinto. Enfim, bastante varietal.

Na boca, nem quente nem frio. Seco. Apesar dos taninos ainda um pouco duros, evidencia finura, infere-se um bom trabalho na adega.

É um tinto bonito, dotado dos traços de um Brunello di Montalcino, mas menor em concentração, amplitude, complexidade.

O seu maior pecado é faltar-lhe a substância necessária para materializar o carácter vincado que tem.

9€.

16

sábado, 4 de março de 2017

quarta-feira, 1 de março de 2017

Carolina '2013

Este é o segundo vinho da Quinta da Carolina, propriedade situada na margem esquerda do Douro, 4 Km a sul do Pinhão: "field blend" de cepas com cerca de 40 anos, onde predominam Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca...

Fermentou em lagar, fez a maloláctica em cubas de inox e estagiou, seis meses, em barricas de segundo ano. Encheram-se 3000 garrafas, não numeradas, em Janeiro de 2015.

Muito Douro no nariz, da linha clássica: os frutos, pretos e vermelhos, possuem uma madurez "circunspecta", entremeada de mato seco/esteva.

Agradavelmente texturado na boca, é equilibrado, persistente — substância sem soberba — e uma alegria suave, como que pequenina, mas tão presente que o ilumina todo.

Enfim, um vinho muito bonito, a que falta um bocadinho de dimensão, e de "wow factor" — impressionabilidade? — também, para se poder contar entre os mesmo muito bons.

9€.

17

domingo, 26 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Quinta dos Termos — Reserva do Patrão '2012

Foi um Fonte Cal interessantíssimo que me deu vontade de conhecer melhor os vinhos do produtor de Carvalhal Formoso, Belmonte.

Abri, então, este monocasta Syrah, cujo contra-rótulo apresenta como "o vinho que merece a preferência do patrão quando se faz a prova dos vinhos novos".

Notas vegetais envolvem um núcleo forte, de frutos negros e barrica.

Fortemente sápido, com taninos firmes da madeira onde estagiou e boa acidez.

Sério, mas não sisudo. Robusto, não agressivo. Potente, apesar de relativamente simples.

É um Syrah da Beira, mais próximo da austeridade dos da Bairrada que da gulodice dos do Alentejo.

Indubitavelmente melhor com comida a condizer — no caso, acompanhou feijoada.

E pronto a beber, mas que poderá valer a pena guardar mais uns anos.

10€.

16

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Quinta da Fonte do Ouro — Reserva '2013

Quase um mês sem aqui trazer um vinho do Dão! Poderá ser?

Este consiste num lote composto por 50% de Touriga Nacional, junto com Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen. Após a fermentação maloláctica, metade estagiou, 9 meses, em barricas novas de Allier, metade em inox. Abri a garrafa nº 11938 de 13333 produzidas.

Servido sem arejamento prévio, combina camadas de fruta vermelha, entre a cereja e a framboesa, com uma quantidade apreciável de grafite e chocolate preto que lhe "escurecem" o carácter — meio contraste original e interessante.

Cresce no copo. Persiste o carácter achocolatado, mas não como tom dominante, em parte substituído por complexidade floral. Na boca, um compromisso simpático entre porte e delicadeza. Termina razoavelmente longo.

Nesse dia, a S grelhou espargos e rodelas de courgette. Assou cenoura e couves-de-bruxelas. Arranjei fatias finas de lombo adobado de porco ibérico. Não foi preciso mais.

Localizada em Nelas, a Quinta da Fonte do Ouro abrange 3,5 hectares de vinha e pertence à Soc. Agrícola Boas Quintas, de Nuno Cancela de Abreu.

11€.

17

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

VVR





terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Château Le Puy Joubert '2011

Monocasta Merlot, a uva predominante nos tintos da "margem direita".

Especiado, fiel q.b. ao carácter da casta, está um vinho atraente, mas também intenso, a beirar o agressivo.

Fresco, de peso e persistência medianos.

Simples, mas é impossível não referir o toque extra de café com que me brindou, mais sentido na boca.

Pena que algo taninoso, um pouco rústico.

Aberto ao lanche, assoberbou o queijo e o patê.

Com feijoada, bom. Pede comida com raça.

Proveniente da AOC Côtes de Bourg, foi feito por Cédric Laquilin, de Lansac, que integra a cooperativa Les Vignerons de Tutiac.

5€.

15

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Blandy's — Sercial 5 Anos

Oito anos de blog e nem um Madeira publicado!

Mas vou bebendo algum.

O último foi este Blandy's, um vinho seco, com 19% de álcool e 50g/l de açúcar residual.

De acordo com o produtor, a fermentação do Sercial é interrompida "aproximadamente após 5 ou 6 dias" por adição de álcool vínico.

O estágio, em cascos antigos, de carvalho americano, guardados em armazéns com dois ou três andares: os vinhos novos são colocados no topo, mais quente, e descidos, gradualmente, à medida que envelhecem, num processo oxidativo dito "Canteiro".

Sem data de engarrafamento.

No nariz, transformação e oxidação. Frutos secos, amêndoas. Alguma complexidade.

Paladar de intensidade mediana, sem doçura. Redondo, apesar da acidez. Um pouco como um Amontillado, mais ácido e menos amplo.

No rótulo, dizem que vai bem com amêndoas salgadas, chouriço picante e pimentos "piquillo" — eu gostei muito com ananás e líchias.

12€.

16

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Morgado de Sta. Catherina — Reserva '2013

Cor palha. Manteve o perfil do 2012 — sobre pêssego e pêra, ou melhor, generalizando, frutos de caroço, baunilha e tostados, barrica — talvez um pouco mais pesado, mais outonal que ele.

É gordito, vacalhufo, mas possui frescura suficiente e um fim de boca muito bom.

O tempo no copo trouxe-lhe marmelada e caramelos de fruta — engraçado como me fez lembrar aqueles caramelos de limão "Penha" que em miúdo recebia quando me portava bem na escola.

Engarrafado em Abril de 2015, após 10 meses em madeira, é um monocasta Arinto dos solos calcários da Quinta da Romeira, que foi adquirida pela Wine Ventures à Companhia das Quintas em 2013.

O contra-rótulo contém uma nota de prova algo barroca. A respeito destas, observa Jennifer Rosen, no seu livro "Waiter, There's a Horse in My Wine", serem "one part winemaker's ego to two parts PR copywriter's fantasy" e que "any resemblance to the wine inside, living or dead, is purely coincidental." Mas aqui, não. Removido o floreado, pareceu-me honesta. Engraçado.

Foi o vinho da noite do jantar dos meus 12 anos com a S.

10€.

16,5

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Vinha Grande '2015 (Branco)

Por outro lado, há vinhos/momentos fecundos em observações.

Como este, a ligar muitíssimo bem com uma variação vegetariana do clássico chicken tikka masala em que, entre outras alterações, a galinha é substituída por grão de bico.

Fresco, traz consigo um conjunto de aromas amplo e agradável, com alguma contenção no nariz e força considerável na boca.

Tal como o entendo agora, será a barrica o seu traço característico maior, pelo leque de especiarias que coloca sobre o núcleo limonado, sem assoberbar.

Apesar de rico e bem dimensionado, permanece afastado do exagero. A acidez não fere, o corpo não pesa, as flores não enjoam. E termina com um belo toque salino.

Pouco diferente no dia seguinte — mais cheiro a banana. Jovem de tipo firme, deverá viver em garrafa mais uns anos.

A ficha que o produtor oferece online di-lo composto por 40% de Viosinho, 30% de Arinto, 10% de Gouveio, 10% de Códega e 10% de Rabigato.

Uvas da Quinta do Sairrão, adquirida  em 2006 pela Sogrape, que já era proprietária da A.A. Ferreira SA, com as marcas Ferreira para vinhos Porto e Casa Ferreirinha para vinhos Douro.

Nas palavras de Mark Squires, "Sogrape is Portugal's 800 pound gorilla, a huge company that has holdings throughout the country".

Fermentou primeiro em inox e depois em barricas, onde estagiou 8 meses antes de engarrafado. É o primeiro branco da Casa Ferreirinha.

8€.

17

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Crónica pessoal de um torneio de xadrez (1)

Ao fim de meses, algo mais sobre xadrez.
Não deixei de o jogar. Aliás, até regressei, apesar de sem brilho, à competição.
Talvez por ter demasiado tempo livre, talvez por não me preocupar com as coisas certas, resolvi fazer a minha pequena, e necessariamente modesta, crónica pessoal de um torneio de xadrez, qual imitação de Marcel Sisniega.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Marka '2009

Por enquanto, evito resumir as minhas notas a "gostei" ou "nem por isso", mesmo quando, depois de ter apreciado um qualquer vinho com vagar, e daí ter opinião formada sobre se cheira mais a ameixas ou a cerejas, se é fresco ou morno, sinto que não tenho nada mais a dizer a seu respeito.

Poderei até ter garatujado algo enquanto bebia, mas dias depois, na altura de transportar essa informação para aqui, parece tudo tão sem sentido. Desses, acabo por só referir aqueles que tiverem conseguido despertar em mim interesse suficiente para compensar o esforço exigido pelo acto de escrever uma dúzia de linhas sobre eles.

Não que a minha opinião seja importante, mas já que estou a fazer algo...

Fica então o apontamento de que este está um tinto composto, rico na fruta polpuda, de carácter maduro, com boa presença de especiarias doces, manifestamente não exclusivas da madeira, e que termina com nota de tabaco. Por enquanto, mostra maturidade sem velhice — aplicada à alma, que ideia tão profundamente cristã!

Produzido pela Durham-Agrellos, consiste num lote composto por 55% de Touriga Franca, 40% de Tinta Roriz e 5% de Touriga Nacional, parcialmente estagiado, oito meses, em barricas de carvalho francês.

7€.

16


Não relacionado com o teor do post: ocorreu-me que podia ser boa ideia adicionar um world of text aos contactos do blog. A ver.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Filmes (77)

Dos filmes que vi pela primeira vez no último mês ou mês e meio, estes três foram os que maior interesse me despertaram. Todos eles fortemente visuais, agradaram-me mais quando apreciados sob o efeito de entorpecentes.

Amer





Beyond the Black Rainbow





Tra(sgre)dire



Serei só eu a achar os mundos onde se passam os filmes de Tinto Brass das melhores aproximações possíveis à experiência humana daquilo que entendemos como o Paraíso?

sábado, 21 de janeiro de 2017

Morgado de Silgueiros '2013 (Branco)

Foi o vinho do jantar do dia em que o haxixe voltou.

Vinho e haxixe! — à excepção de alguns Porto, sobretudo aqueles tawny cujas sugestões de frutos secos realçam a terrosidade do tabaco, não tenho extraído resultados satisfatórios das minhas tentativas de os combinar.

Por esse motivo e porque o fumo embota o olfacto e o gosto, tenho preferido fumar algo antes e logo depois de comer.

Assim, meia hora antes do almoço, o haxixe, dizem eles que com 30-35% de THC, de corpo e fumo a meio caminho entre pólen e carrasco, foi consumido em gordos charros feitos com tabaco Dunhill, mortalhas Smoking e filtros de cartão.

Depois, com caldeirada, um branco da Adega de Silgueiros: Encruzado e Malvasia Fina, sem barrica, a mostrar citrinos sobre fundo melado e ligeiras notas de garrafa.

Manterá algum do frescor que lhe gabaram em jovem, mas não me pareceu de guarda.

De qualquer forma, superior ao seu congénere tinto do mesmo ano.

3€.

15

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017







domingo, 15 de janeiro de 2017

Família Horácio Simões '2015

De porte mediano e estrutura firme, com 14% de volume alcoólico e um contra-rótulo bilingue cuja parte em inglês aparenta ter sido traduzida por uma máquina, este Horácio Simões é, sem dúvida, dos Castelão "jovens" mais frescos e menos melados que alguma vez provei.

Servido directo da garrafa, deu-se de chapa, fresco de acidez e forte de álcool ao mesmo tempo. Cheio de fruta. Apesar do final apenas médio/curto, com toque achocolatado, pareceu-me um vinho básico muito bem feito.

Acompanhou um temaki de salmão e pão com vários tipos de queijo. Por vezes lancho assim.

Já bem bebido, apetece-me jogar umas rápidas. Entro no FICS e acontece fazer "finger" a mim próprio antes de procurar qualquer jogo.
Na consola, entre outras coisas, surge a informação:

Total time online: 88 days, 5 hrs, 13 mins
% of life online: 3.0 (since Thu Dec 4, 03:07 EST 2008)

Percentagem de vida online!
Se colasse o tempo que passei a jogar no FICS, desde 4/12/2008, resultaria um intervalo de quase três meses.
Três por cento do meu tempo de vida logado no FICS. Três meses, sem comer, sem dormir.

3€.

15,5

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017