quinta-feira, 18 de maio de 2017

Convento da Tomina '2013

Fundado por Manuel de Jesus Maria, em 1686, o Convento da Tomina está localizado no sítio da Tomina, junto ao Ribeiro de Pai Joannes, em zona fronteiriça entre as localidades de Santo Aleixo da Restauração, do lado português, e Aroche, do espanhol, integrado na chamada Herdade da Contenda, a cujo respeito encontrei uma tese interessantíssima.

Em 1709, por decisão de D. João V, o Convento ficou adstrito à Congregação dos Clérigos Regulares dos Doentes, os chamados clérigos agonizantes, cuja principal missão consistia na assistência aos moribundos. De lá saíram os religiosos que fundaram, entre outros, o Convento de Nossa Senhora de Sacaparte, em Alfaiates, que já não me é estranho.

Feito com Aragonês, Alicante Bouschet, Trincadeira e Alfrocheiro, sem passagem por madeira, este Convento da Tomina corresponde a um vinho que o produtor da zona de Moura, em tempos, vendia em garrafão, à porta da adega, e que era tão bom que várias pessoas próximas o terão tentado convencer a engarrafar, com sucesso. Ainda bem.

Porque já tinha saudades de um nariz tão puramente alentejano! Tem frutos pretos cozidos pelo sol e em marmelada, entre os quais pesa a inevitável ameixa, junto com flores e vegetal: aquilo que, há muitos anos, eu chamava "podrum alentejano", rapidamente seguido de — e completado por — sugestões ferrosas e sanguíneas. Xisto?! Mais para o fim, chocolate branco. Na boca, já bastante macia, corpo e persistência "médios mais", com algum álcool e acidez suficiente. E apesar do estilo generoso, não me parecesse que deixasse qualquer impressão de doçura residual no paladar.

A caminho dos quatro anos de idade, está um vinho fácil de entender, directo, franco. Simples, no bom sentido da palavra, e sólido também.

8€.

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