quarta-feira, 24 de maio de 2017

Quinta dos Termos — Colheita Seleccionada '2008

Diz o Prof. Virgílio Loureiro no contra-rótulo deste seu vinho que "... juntei à Touriga Nacional um pouco do melhor vinho de Trincadeira, depois acrescentei o Rufete e, por fim, um bocado de Tinta Roriz, que, em anos bons, fica com um aroma encantador".

Começou algo preso, insistente nas reminiscências de fumo, pimenta preta, coco e baunilha, tudo a apontar para um estágio em carvalho americano, que, sem assoberbarem o conjunto, acabaram por ganhar em definição, e assim sobrepor a sua presença ao "cheiro a vinho" predominante, coisa séria, austera, nada terciária, que só bastante tempo após a abertura começou a deixar perceber a alegria de certa frutinha negra, bonita, é certo, mas de expressão muito suave. Entretanto, cacau, em crescendo.

Na boca, se o volume e o comprimento não se poderiam qualificar como mais que apenas "bonzinhos", era notória a substância, e talvez mais ainda, a coesão evidenciada. Como se, não obstante os quase nove anos volvidos sobre a data da colheita, este vinho ainda estivesse realmente por abrir — e a deixar as sementes da questão sobre se irá realmente fazê-lo . . . Por norma, os tintos de taninos firmes embirram com a acidez e gordura do queijo que, por sua vez, costuma entrar em rota de colisão com a fruta. Mas aqui pareceu-me já existir macieza suficiente e o seu intenso sabor, em concordância com o nariz, era de vinho, vinho mesmo, sem grande fruta, sem pingo de açúcar. Como se de um pequeno Vintage seco se tratasse.

Então resolvi consumir com ele uns quantos queijos maduros que por aí tinha: Stilton, Manchego e da Serra da Estrela, e não me pareceu que a ligação tenha corrido mal, de modo algum. Estava, enfim, contente. Mas quando vieram uns pãezinhos com patê de veado e Pedro Ximenez, de La Cacereña, deste, não consegui mais escapar à forma como o sabor do vinho, sem o ser, puxava maravilhosamente pelo animal, gamy, da carne. E foi como ver a luz.

9€.

16,5