quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Almirez '2012

100% Tinta de Toro produzido e engarrafado por Teso la Monja, dos irmãos Eguren.

Uvas de cepas com idades entre os 15 e os 65 anos, das zonas de Valdefinjas e Toro.

Vinificação tradicional, com desengace; fermentação com leveduras autóctones; maceração pós-fermentativa; maloláctica e 14 meses de estágio em barricas de carvalho francês, 30% das quais, novas. Só coisas boas.

Bebido há cerca de um mês atrás, foi ficando no caderninho do álcool. Agora que só me lembro dele por alto, era quente e duro, parece-me melhor reproduzir, a cru, as notas tomadas quando o bebi.

"Escuro, fragrante, muito especiado: o nome assenta-lhe que nem uma luva.

Licor de cereja e chocolate no final, qual sobremesa.

Longo, amplo, texturado e concentrado, de alguma forma acaba por conseguir ser elegante no seu jeito, às vezes meio atabalhoado, de coisa grande.

Um bocadinho agressivo, mas bom. Pede as circunstâncias certas para mostrar o seu melhor."

15€.

16,5

sábado, 21 de outubro de 2017

Druida '2015

Feito por C2O na Quinta da Turquide, em Silgueiros, é um monocasta Encruzado de vinhas com 30 anos, estagiado durante dez meses em barricas, 80% usadas, de carvalho francês.

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Cor clarinha, citrina. Malmequeres, limonado, sílex, pederneira. Intenso e cristalino, quase crocante. Muito limpo, muito fresco, sem o peso ou a oleosidade que tantas vezes marcam os vinhos da casta. Leve, de final longo e bom.

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A garrafa foi sendo drenada à medida que eu ia comendo nigiris, mas, quando um vinho é assim, o acompanhamento pouco importa, a menos que seja escolhido a dedo, para prejudicar. E fazê-lo seria estúpido.

18€.

18

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Nightmares on Wax — Smokers Delight

Nightmares on Wax ou George "DJ E.A.S.E." Evelyn. Um inglês de Leeds.

Este álbum data de 1995, mas envelheceu bem, não soa nada datado, continua montes de fixe.

Acompanhou-nos *tantas* vezes pela EN 111! É, talvez, o nosso disco da EN 111.



Fica a 5ª faixa, "Stars".

E reparem na capa...

domingo, 15 de outubro de 2017

Warre's — Quinta da Cavadinha, Vintage '1996

Propriedade da Symington desde 1980, a Quinta da Cavadinha fica no Cima Corgo, entre o Pinhão e Sabrosa, perto de Provesende. Os seus vinhos são integrados nos Vintage da marca Warre's quando estes são declarados e, em anos secundários, engarrafados como "single quinta".

Este foi engarrafado em 1998.

Tem porte mediano (para Vintage) e frutos pretos, terrosos, com vivacidade, passas, folha de tabaco, chocolate preto e espinafre! — e muito me agradou esse seu tom verdoengo.

Evoluído, com bom corpo e persistência.

Mas isto foi logo depois de aberto. Com o tempo, mais foco e certo carácter mineral, a sugestão — sugestão, mais que impressão, mesmo: poderá ser? — de xisto e giz por entre camadas de frutos negros.

Já passou a fase burra e jamais será glorioso, mas está muito bom!

Foi com bolo de noz e chocolate em barra.

30€.

17,5

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Quinta dos Termos — Selecção '2013

Mais um exemplar da ampla gama da Quinta dos Termos, mais um vinho da Beira Interior que aqui é comentado.

Não é que os prefira — parece-me, aliás, que muitos deles seguem o estilo do Douro, desnecessariamente, num terruño a que faltam as particularidades que tornam especial o modelo.

Mas foi na Beira Interior que nasci e cresci e é de lá que gosto. Da terra, do céu, dos bichos, não das pessoas. Afinal, de que pessoas é que eu gosto? :)

Natural, pois, a curiosidade. E as coisas que de lá vêm que são originais, diferentes do habitual, e que calham também ser autênticas, genuínas, fiéis à origem, costumam ser bem giras.

Dito isto, pelo que conheço do produtor, tendo a acreditar que este vinho, nem por isso original, seja autêntico q.b.

Agora, porque me lembrei, porque nem sempre os posts do "Puto" são montados, entre a coisa provada e seus predicados, e a propósito da originalidade, uns pozinhos de meta-blogging:

"No ano de 1945 é adquirida por Alexandre Carvalho a quarta gleba de um prédio correspondente a uma terra no sítio dos Termos ou Vilela", posteriormente denominada por Quinta dos Termos.

A ideia é que alguém siga o link e depois reflicta.

Se atiro pedras sem nunca ter pecado? Claro que não. "Pecco ergo sum". E poucas vezes me arrependo. Mas continuemos.

O contra-rótulo desta garrafa diz que o seu conteúdo "só sai a público em anos de grande qualidade", "pretende homenagear os grandes vinhos das casas senhoriais da Beira" e que é "um lote dos melhores vinhos de Touriga Nacional, Rufete, Jaen e Trincadeira".

Conjunto consonante na madurez e robustez, denso e mais firme que gordo, mostrou-se preso logo depois de aberta a garrafa, mas melhorou muito após uma tarde de arejamento. Fruta escura, madura, e terra, fumados e especiados indistintos. Acidez mediana, algum álcool e taninos firmemente entretecidos. Fim de boca bom.

OK com bife na pedra e seus acompanhamentos habituais, porreiro com muffins de chocolate. Tudo indica que ganhará com alguma guarda.

8€.

16

segunda-feira, 9 de outubro de 2017







Mais uma vez. Lugar bonito e vazio, como gosto. Mas uma certa atmosfera de fim, de morte. Questões interiores, provavelmente.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Dois Ponto Cinco — Rufete, Vinhas Velhas '2013

Produzido por Dois Ponto Cinco, Vinhos de Belmonte. A marca "2.5" relaciona as vinhas dos cinco sócios que constituem a empresa com as duas freguesias do concelho de Belmonte onde se localizam as suas vinhas; a adega é em Caria.

Introdução no contra-rótulo: "As vinhas velhas, não aramadas, da variedade Rufete resultam num vinho quente que associa a elegância à robustez. O estágio em barrica lapidou as arestas de uma vinha carregada de história."

Primeiro dia, depois de respirar talvez meia hora, sozinho e com bife na pedra: Fruta vermelha e flores, ervas amargas, malte, café, tosta. Porte mediano e ligeira aresta — tanino. Seco, não áspero, e muito gastronómico.

Mas, acima de tudo, original.

Terceiro dia — no segundo não bebi: Argyreia — Super vivo. Morango, agora nítido, químico e medicinal. Em boa fase, mas poderá valer a pena guardar... para satisfazer a curiosidade, acima de tudo.

11€.

17

terça-feira, 3 de outubro de 2017

¿Podemos, como afirman algunos sabios, ver nuestra vida como un sueño del que habría que despertarse?

Yo diría más bien que de este sueño inconsciente que suele ser nuestra vida hay que hacer un sueño lúcido. Hubo un tiempo en que, antes de dormir, tenía la costumbre de pasar revista a todos los sucesos del día. Visualizaba la película de mi jornada, primero de principio a fin y, después, a la inversa, según el consejo de un viejo libro de magia. Esta práctica de la «marcha atrás» tenía el efecto de permitir ubicarme a cierta distancia de los sucesos del día. Después de haber analizado, juzgado y tomado partido en el primer examen, volvía a repasar el día en sentido inverso y entonces me encontraba distanciado. La realidad así captada presentaba las mismas características que un sueño lúcido. ¡Entonces me di cuenta de que, al igual que todo el mundo, en buena medida yo soñaba mi vida! El acto de pasar revista a la jornada por la noche equivalía a la práctica de rememorar mis sueños por la mañana.

El solo hecho de acordarme de un sueño es ya como organizarlo. Yo no veo el sueño completo, sino aquello que he seleccionado de él. Análogamente, al repasar las últimas veinticuatro horas, no tengo acceso a todos los actos del día, sino a los que he retenido. Esta selección constituye ya una interpretación sobre la cual baso luego mis juicios y apreciaciones. Para hacernos más conscientes, podemos empezar por distinguir nuestra percepción subjetiva del día de aquello que constituye su realidad objetiva. Cuando ya hemos dejado de confundirlas, somos capaces de asistir como espectadores al desarrollo de la jornada, sin dejarnos influir por juicios y apreciaciones. Desde esta actitud de testigo se puede interpretar la vida como se interpreta un sueño. Por ejemplo: un día Guy Mauchamp, un alumno mío, me pidió consejo; no sabía qué hacer para que unos inquilinos jóvenes y desaprensivos desalojaran una casa que era de su propiedad. Después de expresar mi extrañeza porque no hubiera acudido a la policía, puesto que la ley estaba de su parte, le dije: «En cierto modo, esta situación te conviene. Gracias a ella, expresas una vieja angustia. Te propongo este planteamiento: considera esta situación como un sueño que hubieras tenido y trata de interpretarla como interpretarías un sueño de la noche anterior. ¿Tienes un hermano menor?». Me contestó que sí, y entonces le pregunté si, de niño, no se sentía postergado cuando ese nene captaba toda la atención de sus padres, y él respondió que así era, efectivamente. Después le interrogué sobre las relaciones que ahora mantenía con su hermano. Como yo imaginaba, Guy me confesó que no mantenían buenas relaciones ni se veían nunca. Entonces le expliqué que era él mismo quien propiciaba la invasión de los inquilinos, a fin de exteriorizar la angustia que en su niñez le causaba la presencia de su hermano. Añadí que, si quería que se resolviera la situación, era preciso que perdonara a su hermano, que lo tratara bien e hicieran las paces. Le di un consejo de psicomagia y, al cabo de una semana, recibí una postal de Estrasburgo («Fuegos artificiales en la catedral, explosión de sagrada alegría») con el siguiente mensaje: «En respuesta a mi consulta, me prescribió un acto de psicomagia y, para concluirlo, le doy el resultado. Tenía que ofrecer un ramo de flores a mi hermano y almorzar con él, a fin de establecer una relación fraternal y dejar a un lado el pasado en el que me sentía desplazado por su causa. El objetivo era conseguir la marcha de los inquilinos ilegales de mi casa. Envié las flores a mi hermano y hablé con él el viernes a mediodía. El viernes por la noche los dos inquilinos se marchaban... ¡llevándose mis muebles! Pero, en fin, se fueron, y pude recuperar mi casa. Gracias». Interesante, ¿no? Llevarse los muebles era como llevarse una parte de su pasado.

Es decir, usted indujo a ese joven a interpretar una situación real como si se tratara de un sueño lleno de símbolos que descifrar...

Exactamente. Puesto que soñamos nuestra vida, vamos a interpretarla y descubrir lo que trata de decirnos, los mensajes que quiere transmitirnos, hasta transformarla en sueño lúcido. Una vez conseguida la lucidez, tendremos libertad para actuar sobre la realidad, sabiendo que si sólo tratamos de satisfacer nuestros deseos egoístas seremos arrastrados, perderemos la ecuanimidad, el control y, por lo tanto, la posibilidad de hacer un acto verdadero. Para lograr divertirnos actuando, tanto en el sueño nocturno como en este sueño diurno que llamamos vida, hemos de estar cada vez menos implicados.

Ese distanciamiento que no impide ni la acción ni la compasión, pero no autoriza ni la codicia ni la sensiblería, se parece mucho a la sabiduría.

¡Desde luego! ¿De qué puede servirte vivir con tus sueños y hacer un esfuerzo para conseguir la lucidez sino para encontrar la sabiduría? La realidad es un sueño en el que debemos trabajar a fin de pasar progresivamente del sueño inconsciente, carente de toda lucidez, y que puede ser una pesadilla, a lo que yo llamo el sueño sabio.

¿Y el Despertar? Las tradiciones espirituales hablan de los que han despertado...

Despertar es dejar de soñar, desaparecer de ese universo onírico para convertirse en aquel que lo sueña.

Alejandro Jodorowsky, "Psicomagia"
Ed. Siruela, 2004