terça-feira, 28 de novembro de 2017

Pasmados '2012

A edição de 2012 do sucessor do histórico "Tinto Velho José Mª da Fonseca"! O último representante do que esta quinta faz a aparecer por estas bandas foi da colheita de 2011, consumido bastante mais jovem, em 2013: notas aqui.

72% Syrah, 22% Touriga Nacional e 6% Castelão, estagiou, oito meses, em carvalho francês. Tal como o do post anterior, logo depois de aberto, funk. Brettanomyces, provavelmente, e fiquei na dúvida se "do bom" ou "do mau".

Mas, após meia dúzia de horas num decantador — meia garrafa, do almoço para o jantar —, pareceu-me consideravelmente mais limpo.

Ademais, fruta do bosque, indistinta, mais terrosa e preta que doce e vermelha — amora silvestre terá sido a única que percebi claramente — perpassada de tosta e resina: madeira.

De paladar seco e corpo elegante, para não dizer delgadito, é, no entanto, concentrado quanto baste. E termina razoavelmente longo, acacauzado.

Giro e bom, enfim, mas só após basto arejamento.

9€.

16


sábado, 25 de novembro de 2017

Quinta de São Sebastião — Reserva '2011

O contra-rótulo di-lo lote de Merlot, Touriga Nacional e Syrah, estagiado durante um ano em barricas de carvalho francês.

Tinto de volume e persistência medianos, mas basta potência.

Logo depois de servido, sobressaíram-lhe as arestas de acidez e tanino — e, apesar de muito levezinho, descolado da fruta negra, ácida — entre outras coisas, andava por lá mirtilo! — um toque de estábulo, merda — 4-etilfenol, Brettanomyces, rolha . . .

. . . que apesar de nem sempre constituir defeito e aqui ter acabado por se dispersar, motivo pelo qual não considerei a garrafa imbebível e vós vos encontrais a ler estas linhas a seu respeito, ali, esteve a mais.

Podia, pois, ter sido melhor o primeiro contacto com os produtos de uma das mais badaladas casas de Arruda dos Vinhos. Uma má garrafa?

9€.

15

domingo, 19 de novembro de 2017

Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão '1994

O produtor é o Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão,  situado na Quinta da Cale, em Nelas, parte da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro, um serviço do Ministério da Agricultura.

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Provado logo depois de aberto e após várias horas de arejamento, este tinto confirmou tudo o que já tinha lido por aí a respeito dos seus congéneres — as opiniões são unânimes.

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Tourigão escuro e robusto, de sabor denso e prolongado, acidez firme e taninos quase contundentes, é um vinho para muito longa guarda, que abri cedo de mais. Que não iluda o comentário sucinto: ele é, a todos os títulos, impressionante.

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Acompanhou tolma (ou dolma) georgiana, de pimento vermelho, assim, lombo de porco assado, temperado com alho, vinho branco e pimiento choricero, entre outros, e um chocolate  peculiar, engraçado, escuro mas não muito, com pistácios, da Palmeira.

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Uma vez houve na Garrafeira Nacional, a 40€ a unidade, se a memória não me falha. E eu comprei.

18,5

quinta-feira, 16 de novembro de 2017








"A história é filha da morte e mãe da lenda."
— Louis Hillairaud

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Marquês de Marialva — Baga: Reserva '2011 e '2012

Depois do 2010, uma muito sucinta "actualização" a respeito dos Baga "Reserva" da Adega Cooperativa de Cantanhede.


2011: Framboesa, cereja, resina, fumados, café — retrato típico da casta com algum envelhecimento. Amplo e concentrado, pareceu-me ser o maior e melhor dos "Reserva" do produtor que já experimentei até à data. 16,5


2012: Cor granada, com bom corpo e acidez. Não se afasta muito do seu predecessor em termos de cheiros e sabores: sempre muito Baga, tão macia quanto possível, quiçá à procura de consensualidade. Mas pareceu-me não ter tanta substância. 16

De qualidade e estilo consistentes e, claro, bastante elevados, estes vinhos poderão já ser considerados pequenos clássicos da região.

Cada garrafa custou cerca de 5€.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Quinta de la Rosa — Reserva '2013 (Branco)

Gosto dos brancos "reserva" da Quinta de la Rosa com alguns anos — envelhecem bem. O último a ser aqui comentado foi da colheita de 2012, abatido em Setembro de 2016.

Em relação a esse, a composição deste 2013 mudou: a quantidade de Viosinho subiu dos 35 para os 60%, sendo o restante uma mistura de Rabigato, Gouveio e Códega do Larinho em proporções que o rótulo não menciona.

Tal como o seu predecessor, metade dele fermentou e envelheceu em barricas e o restante, em inox. Foi engarrafado em Abril de 2014.

Bebido fresco, primeiro sozinho, em jeito de prova, depois a acompanhar salada de bacalhau cozido a vapor, trouxe consigo flores e ameixa, brancas, pêssego pouco maduro e barrica, granito e humidade, tudo envolvido por um véu de casca de limão. Mais que fruta, sobressaíram os amanteigados, especiarias e cremes da madeira por onde passou.

Considerando que estamos no final de 2017, muito ligeira a evolução evidenciada por esta garrafa. E que engraçado quando um vinho me faz lembrar água da chuva a correr sobre granito (não é inédito).

Na boca, longo e delicado, com bom compromisso entre frescor e redondez. Muito bom.

10€.

17,5

terça-feira, 7 de novembro de 2017

sábado, 4 de novembro de 2017

Covela — Escolha '2012

O produtor renasceu cheio de vitalidade. Depois de ter achado duas edições do seu varietal Avesso bem convincentes, foi com sobeja expectativa que abri este "Escolha" tinto.

Lote de Touriga Nacional, Cabernet Franc e Merlot, é um vinho feito à beira Douro: veio daqui.

Vê-se no pedaço de mapa devolvido pela hiperligação um lugar chamado Valadares, que não é a terra do seminário do tio padre Alberto, que, à beira dos 90 anos, vai morrendo de tédio num lar para idosos enquanto sonha voltar para África, onde conhece um casal amigo que, garante, lhe dará guarida. Heh.

Servido logo depois de aberto, trouxe consigo muitos frutos negros, vegetal seco e especiado (Merlot q.b.) e um toque terroso que muito me agradou.

Vigoroso e persistente, cheio de sabor, mas também equilibrado, fino.

Definitivamente gastronómico, a acompanhar um assado de lombo de porco e abóbora (e que boa era a abóbora), escorregou-me pelas goelas abaixo como água por entre os dedos — vede a elegância da aposição de imagens.

15€.

17

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Filmes (83)

Raw





Este ano não houve filme do Halloween. Na noite de 31/10 para 1/11 vimos o filme do Al Berto no centro cultural da parvónia. Uma incursão pelo paneleiro Al Berto ou por Al Berto, o homem, que entre outras coisas também foi paneleiro? Depois a noite falhou e deambulámos por aí, de madrugada. Não foi mau, não, mas não teve filme de terror nem missa satânica com sacrifício ritual (merda para o veganismo).




Dias depois, este francês. "Grave" no original. Muito resumidamente, uma caloira vegetariana de medicina veterinária come um bocadinho de carne no âmbito de uma praxe e começa a gostar. Mas isso é apenas a ponta do iceberg, que afinal, a cena com a carne é coisa de família.




A banda sonora é jeitosinha. Por exemplo "Plus Putes que toutes les Putes" por Orties — este link tem de ser: "Première leçon d'séduction / Être une pute avec éducation / Se moquer des garçons / Préférer l’équitation / S'amuser d'la fellation / Censurer l'appellation / Et assurer pendant l'action, han / Acide citrique et phéromones / Faire grimper le métronome".




Os protocolos dos sábios de Sião não me deixam partilhar um bocadinho no Youtube, "blocked worldwide" — e brinco, obviamente: quem não me deixa partilhar o referido bocadinho no Youtube é o direito: aquilo que é justo, pelos melhores motivos. Ai ai, adiante. Bonitinho, vai direito para a "cake box" da mamã.