quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Quinta do Senhor — Vale da Favaca, Reserva '2012

Feito com Touriga Nacional, Rufete e Folgazão do vale da ribeira de Maçaínhas, perto de Belmonte, estagiou nove meses em barricas de carvalho francês e americano antes de ser engarrafado.

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É escuro e cálido, com frutos do bosque e sua aguardente, café, tosta e especiarias. Tem algum corpo, um ou outro tanino rebelde e persistência razoável.

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Partilha o lugar de origem e as castas que o constituem com o outro vinho da casa que abati recentemente, pelo que não admira que me tenha parecido seguir na mesma linha que ele — mais complexo, mas menos limpo, provavelmente devido à (maior?) permanência em barrica.

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No dia em que o abri, tinha preparado naquinhos de javali com vinho branco e pimentão doce, que foram comidos com raivacas (ou sanchas: Lactarius deliciosus) cozinhadas sobre um refogado de cebola, alho, tomate e presunto, a que, depois de bem desenvolvido, se foi juntando água, pouco a pouco, para não queimar.

5,50€.

15,5

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Château de L'Ecole '2010

90% Sémillon, 10% Sauvignon, é um Sauternes de Julie Gonet-Médeville, que também possui o Château Gilette.

Só que ao contrário desse, aqui temos um vinho de ataque, daqueles feitos mais para obter rentabilidade no mercado que para espalhar pelo mundo a alma daquela terra, preservada em garrafa.

Bouquet de complexidade razoável, com boa projecção: citrinos e abacaxi em primeiríssimo plano, mas também ameixa branca, alperce, pêra, mel, biscoitos, flores etc., sem o esmaecimento ou a decomposição "doce" que muitas vezes vem associada ao género.

Na boca, sabores consentâneos com o nariz, tendencialmente cítricos e amanteigados, alguma untuosidade e persistência satisfatória. Teria proporcionado melhor prova se tivesse um bocadinho mais de acidez e se esta não estivesse tão voltada para o lado cítrico do conjunto — assim acabou por parecer algo unidimensional, e pior, chocho.

Em suma, não fez um brilharete, mas valeu pela curiosidade. Não me pareceu pior que a generalidade das propostas da nossa produção nacional no que respeita a vinhos do mesmo género e preço — será, até, mais limpo e vivaz que a generalidade deles.

Ainda assim, com o que custa, compra-se um bom tawny "dez anos". Estou a comparar maçãs com laranjas, mas, às vezes, quem compra precisa de fazê-lo e eu, por norma, prefiro maçãs.

12€/37,5cl.

15,5

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

The KLF — Chill Out

Chill Out foi o terceiro álbum dos KLF, lançado em Fevereiro de 1990.

Evoca uma viagem nocturna, de automóvel, pelo "deep south" dos EUA, do Texas ao Louisiana.

Corre esta "Elvis on the Radio, Steel Guitar in My Soul" e o nosso herói ainda não chegou a Beaumont, mas o deserto já se foi.



No rádio, Elvis, "In the Ghetto":

As the snow flies on a cold and gray Chicago mornin'
A poor little baby child is born in the ghetto

And his mama cries
'Cause if there's one thing that she don't need it's another hungry mouth to feed in the ghetto

As the snow flies.


E a chuva e os comboios e os bichos e outros barulhos da noite, lá fora.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Quinta do Senhor — Vinhas Velhas '2012

O vinho do piquenique no cimo da Gardunha foi um tinto produzido pela Soc. Agrícola Quinta do Senhor, de Maçaínhas, Belmonte.

Diz o contra-rótulo que provém de vinhas velhas situadas nas encostas do vale da ribeira de Maçaínhas, das castas Touriga Nacional, Rufete e Folgazão — recordemos que esta última é branca, conhecida na Madeira como Terrantez, que dá fortificados míticos.

Um toque de originalidade com raízes veneráveis, que se perdem no tempo! Mas não se confunda com clarete, que este vinho é tinto e de carácter bem escuro.

Foi aberto ao ar livre, no alto de um monte, mas o balão de conhaque onde foi bebido e o facto de eu ter passado um bom bocado com ele entre as coxas (não foi de propósito para o aquecer nem no âmbito de uma qualquer bizarria sexual) permitiram-lhe mostrar qualquer coisa: fruta negra, madura, generosa, que a dada altura me fez lembrar amora, com clareza, especiarias quentes, razoável estrutura tânica, com alguma textura, coesão e persistência bem satisfatórias.

Ademais, e apesar de ter 14% de teor aloólico, pareceu-me bastante fresco, mas, mas, mas...

Um vinho que merecia ser mais conhecido!

4,50€.

16

sábado, 16 de dezembro de 2017


Por aí acima até à Gardunha.


Alcongosta — parque de antenas, ao pôr do sol.


O Natura Glamping é simpático. O interior das tendas tem uma luz estupidamente fotogénica.


Mas não houve água quente durante a noite e chamam "mística" à tosta de queijo e fiambre. Estão no bom caminho, mas precisam, a meu ver, de apostar menos no hip e mais em qualidades concretas.


Pequeno almoço na esplanada, com companhia.


Subir a pé. Ao alto do Cavalinho, primeiro, e mais um bocado, na direcção da Penha, depois.


Almoço fora do caminho, sobre uns calhaus. 40.101893 N 7.507488 W, diz o EXIF das fotos tiradas à garrafa. Que griso, caralho. O tinto em balão de conhaque, uma tábua de embutidos, pão. Para o próximo post.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Flor das Tecedeiras '2013

A propriedade fica na margem esquerda do Douro, ao lado da Quinta de Roriz e de frente para a Romaneira. Antiga, foi pertença do condado de S. Pedro das Águias, habitada por freiras que se dedicavam à tecelagem do linho que lá era cultivado. Mais tarde, em época indeterminada (tanto quanto sei), mas muito anterior ao surto de filoxera da segunda metade do século XIX, começou a produzir vinho.

A história recente da marca é breve: em 2000, o proprietário da quinta chegou a acordo com a Dão Sul para um arrendamento de longa duração que englobava vinhas e adega. O então enólogo e sócio da Dão Sul, Carlos Lucas, desenvolveu a marca e os vinhos, que rapidamente obtiveram reconhecimento q.b. — e eu adorava-os.

Mas, em 2011, saiu da empresa, em ruptura com o principal accionista, Joaquim Coimbra (fonte), e não houve Tecedeiras em 2012. Em 2013, a Lima & Smith comprou à Dão Sul / Global Wines a marca e o direito de exploração das vinhas, e este foi o primeiro vinho a sair de lá após a mudança de gestão.

Vinho básico da casa, consiste num lote tipicamente duriense de tourigas Nacional e Franca e tintas Roriz, Barroca e Amarela, implantadas a baixa altitude, entre os 90 e os 190 metros, com exposição a Norte. Não passou por madeira.

Popped & poured, mostrou-se um peso-médio cheio de energia, cheio de frutos silvestres, com toque floral, doce, e vagamente lácteo. Relativamente simples, mas cativante. Macio, fresco e num ponto de evolução que estará próximo do ideal, termina razoavelmente longo.

Agora há que experimentar os "Reserva"!

9€.

16,5

domingo, 10 de dezembro de 2017

Roseira '2010

Há muito que por aqui não assentava nada da Quinta do Infantado, de Gontelho, Chanceleiros — que no mapa, fica aqui.

Segundo o contra-rótulo, foi vinificado em lagar e estagiou em cuba e 14 meses em barricas de carvalho. Abri a garrafa nº 2734 de 4816 (mais 198 magnum) enchidas a 7 de Setembro de 2012.

Aproximadamente uma hora depois de aberto, mostrou-se um tinto de força e volume "médios mais" que trouxe consigo fruta madura, escura — para não dizer negra, especiarias quentes e doces, como alcaçuz e baunilha, e fumados, tostados, enfim, barrica. Com o tempo, surgiram caramelo e cacau.

Sério na boca, de paladar seco, pareceu-me pender para a calidez (tem 14% de álcool) e ter ainda um ou outro tanino  mais duro. Persistência OK.

Enfim, um bom vinho, agradável, gastronómico, ainda com alguma margem de progressão, mas que, para mim, não mostrou aquele "wow factor" — impressionabilidade?! — que separa os grandes dos outros.

Foi com "Meatballs Languedoc" feitas no slow cooker conforme a receita do livro de Diane Phillips, "The Mediterranean Slow Cooker Cookbook":

Numa frigideira, refogam-se cubinhos de bacon em azeite, até ficarem estaladiços. Descarta-se o azeite dessa fritura, excepto uma colher de sopa, onde se refoga uma cebola, picada, até amolecer, junto com 6 estigmas de açafrão, esmagados, e uma pitada de paprika. Adicionam-se 480 ml de caldo de galinha e deixa-se levantar fervura, raspando qualquer pedaço que se possa ter pegado ao fundo. Deita-se o conteúdo da frigideira no slow cooker, adicionam-se duas latas de 800 g de tomate, com o respectivo sumo, e deixa-se cozinhar na posição "high" enquanto se preparam as almôndegas.

Num recipiente grande, misturam-se 455 g de carne de porco, picada (usei pá) com 225 g de carne de vaca, também picada (usei cachaço), 4 dentes de alho, esmagados, sal e pimenta preta. Adiciona-se um ovo, ligeiramente batido, para ligar a mistura e fazem-se bolinhas com aproximadamente 2,5 cm de diâmetro, que se juntam ao slow cooker. Deixa-se cozinhar em "high" durante 3 horas ou "low" durante 5/6 horas (optei pela segunda; sempre que posso, cozinho em "low"), descarta-se o eventual excesso de gordura que se possa ter formado no molho e serve-se, polvilhado de salsa, com massa, batata ou polenta.

15€.

16

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Casa Américo '2014

Da Seacampo, Soc. Agrícola, Lda., de Vila Nova de Tazém. As uvas, Tinta Roriz, Touriga Nacional e Jaen de vinhas com idades entre 15 e 40 anos. Fermentou em lagares de inox e foi engarrafado sem passar por barrica.

Cor escura e razoavelmente opaca. Fruta e mais fruta, tendencialmente negra, algum corpo, alguma potência, alguma profundidade. Algo quente, apesar de "apenas" ter 13% de teor alcoólico.

Em suma: correcto para lá de qualquer dúvida, mas também (me pareceu) estranhamente comum, desinteressante . . . melhor em inglês: unremarkable.

Em entrevista ao "Mundo Português", publicada em Abril de 2016, a responsável pelo marketing da casa resumia a sua história nos seguintes termos:

"Este projecto foi iniciado pelo senhor Américo Seabra que emigrou, há muitos anos atrás, com os seus seis filhos, para a América. Há cerca de 20 anos, depois de estarem todos bem estabelecidos, com as suas empresas e empregos, resolveu regressar à terra, porque nunca tinha perdido o amor e a vontade de fazer vinho na sua terra natal. Então começou o projecto. Comprou uma quinta com 15 hectares e enviou os primeiros vinhos para os Estados Unidos. Entretanto, em virtude do seu falecimento, não conseguiu dar continuidade ao seu sonho. Então, os seus seis filhos resolveram juntar-se e dar continuidade ao sonho do pai.

Um dos filhos, o senhor Albano Seabra veio para a região e comprou uma propriedade muito antiga, do século XVIII. Reconstruiu a propriedade e começou a adquirir mais vinha. Como há muitas pessoas nesta zona que têm vinhas, são produtores, mas que não vinificam, precisam de algum sítio onde entregar as uvas. Ao saberem que o senhor Albano tinha uma adega acabada de construir, vieram cá oferecer as propriedades. Ele começou a aceitar e, pouco a pouco, já tem 100 hectares de vinha (…)"

5€.

14,5

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017






A Couca (Cerejeira) é relevante porque foi lá que, após uma data de anos, voltei a nadar — ou isso.