quarta-feira, 30 de maio de 2018

Filmes (87)

Malpertuis






















Belga, de 1971, realizado por Harry Kümel, baseado na novela de Jean Ray com o mesmo nome. Desta vez, não me apetece entrar em pormenores, pelo que ficaremos por a) se não acreditarem neles, os deuses morrem; b) uma vez vi dizer a respeito dele que era como se Fellini tivesse filmado uma fantasia psicótica roteirizada por Philip K. Dick. Está bem.

domingo, 27 de maio de 2018

Quinta da Nave — Colheita Seleccionada '2015

A Quinta da Nave, de Valverde, Fundão, faz vinhos potentes, em estilo directo, frutados, verdadeiramente sumarentos e tendencialmente extraídos e alcoólicos, que depois coloca à venda a preços que me parecem bastante inferiores ao que podiam ser (espero não estar a dar ideias).

E este "Colheita Seleccionada" não foi excepção. Carregado de fruta silvestre, vermelho-escura, azul, roxa e preta, não colhida, a cozer ao sol, transportada por uma acidez que, considerando o maduro que torna sumarento e o quente que refresca, só se pode considerar boa e bem colocada, é dos meus tintos jovens preferidos.

Em suma: é um grande vinho? Não. É para todos os gostos? Não. Para quem gostar ou aceitar bem o estilo, é de lamber os beiços? Sim. Ainda melhor que este, ou pelo menos como me lembro dele: afinal, foi abatido há tanto tempo...

E, pelo menos a mim, parece dado.

O contra-rótulo diz o seguinte: "A Quinta da Nave localiza-se num terroir privilegiado da Cova da Beira, estando na posse da família Almeida Garrett há quatro gerações. Caracteriza-se por apresentar uma exposição a Sul com solos argilosos, derivados de xisto, com presença de seixo. Este vinho foi elaborado a partir das castas Tinta Roriz e Touriga Nacional e estagiou em barricas de carvalho francês durante 6 meses. Consumir preferencialmente entre 16 e 18 ºC."

Quando foi, esqueci-me do que estava a fazer e bebi-o todo em menos de hora e meia, junto com uma pizza destas, inteira. Apesar de tudo, não é habitual.

3€.

16

quinta-feira, 24 de maio de 2018










Poderia não ser preservado neste frasco de éter digital o nosso passeio de 17 Km em busca da cascata seca, que culminou no ápice do monte ao lado daquele que seria o nosso destino? Os meses de atraso não importam.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Granja-Amareleja — Reserva '2013

E de repente vão quase cinco anos sobre a última vez que bebi um vinho destes. Como galopa o tempo! Assim, ainda que de causas naturais, a morte virá num instante.

Dizia eu, em 2013, a propósito do "Reserva" de 2011 linkado supra, que o produtor teria renovado a sua presença na web. Assim aconteceu: agora é inequívoco.

Na web e não só, que os vinhos da Cooperativa de Granja-Amareleja são praticamente omnipresentes nos super e hipermercados. Pelo menos naqueles onde vou. Mas vou a tantos e tão espalhados...

Os vinhos da Cooperativa de Granja-Amareleja são também daqueles que mais vezes vejo em promoção nesses supermercados, e com descontos mais significativos. Vinhos com suposto PVP de 9 ou 10€, vendidos por 3 ou 4€ em consequência de ofertas fantásticas.

Sim, que o fantástico acontece, mesmo no mundo das compras no supermercado. Por vezes, quem revende, ou quem trabalha para quem revende, troca marcas e modelos, ou comete erros de julgamento, nem que seja ao não considerar devidamente aquilo que a concorrência próxima está a pedir pelo mesmo artigo.

Mas, no mundo das compras no supermercado, o fantástico, que acontece, é também esporádico. Raro, mesmo. E certas promoções mirabolantes, se não são de carácter definitivo, andarão lá perto.

Perguntar-me-ão que poderá ter o produtor, e ainda mais este vinho em particular, a ver com isso. Não sei. Não me interessa. Associei ideias e o post foi surgindo ao sabor da pena — não, do teclado, enquanto espero que a carne descongele para ir preparar o almoço.

Mas o conteúdo desta eventual — eventual — fuga ao que deveria, ou poderia, se eu assim quisesse, ser o foco do post, que normalmente não passa de uma nota de prova, não deixa de ser pertinente. Ou verdade.

Quanto ao vinho que serviu de mote para outras coisas, cumpre afirmar, antes de tudo o mais, que gostei dele. Ainda não bebi um destes "Reserva" que achasse mau, ou até assim-assim. Gosto sempre. E é normal que goste sempre, que tanto o perfil como a qualidade global do produto me pareceram, também sempre, bastante consistentes, pese a esporadicidade com que os bebo.

Temos então um vinho tipicamente alentejano, maduro mas não quente nem chocho, com fruta preta, alguma transformação — tem 5 anos —, algum vegetal seco, um toque de cabedal, especiarias e, sobretudo quando a temperatura a que é bebido sobe, tabaco e café.

Bonito e bem proporcionado, mais comprido que amplo e saboroso dentro daquilo que poderia oferecer, está muito macio, mas ainda dotado de estrutura, ainda possuidor de espinha dorsal. Não brilha, de facto, mas também não defrauda as expectativas, que no caso dele nunca são baixas.

É um tinto que retém certa flama, flama no sentido de estar vivo, não no de arder, e que, numa idade "madura", ainda se come, ou melhor, bebe bem.

10€.

16

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Dom Rafel '2011

Muitos anos depois do último aqui abordado, uma actualização mega extemporânea àquele que inicialmente foi ideado com segundo vinho da Herdade do Mouchão, mas agora é apenas um entrada de gama, dado terem entretanto surgido referências de calibre superior.

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As castas são típicas do Alentejo: Aragonês, Trincadeira e, presente em maior quantidade que as demais, Alicante Bouschet. As uvas fizeram a fermentação alcoólica em lagar, após pisa a pé, para não esmagar as sementes, e o vinho fez a maloláctica e estagiou em grandes tonéis de carvalho português, de 5000 litros, e em barricas de carvalho francês, durante, "pelo menos", diz o produtor, um ano.

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Cor granada, escura. Traz consigo cerejas e frutos do bosque, framboesas, amoras, groselhas, todas a cair de maduras, meio cozidas pelo sol, mas sem por um momento sonegar a frescura. E mato seco, tabaco, café. . . Tem especiarias, mas não é um almofariz. Tem madeira, mas não cheira nem sabe a pau, ou côco, e mesmo a baunilha só muito timidamente dá um ar de sua graça.

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Poderá não passar da medianidade, ainda que uma medianidade avantajada, vá, em termos de longueur e volume. Poderá não ser super concentrado: só o bastante. E está completamente macio, sedoso mesmo, mas não dá qualquer sinal de estar prestes a cair. Pelo contrário: diria que ainda tem muito pela frente e que, bem guardado, poderá vir a resultar, daqui a muitos anos, numa curiosidade engraçada para os apreciadores de vinhos velhos. Enfim! É sóbrio, é fino, é sólido. É elegante. É um vinho de entrada que prova que os vinhos de entrada não são todos iguais — e os produtores também não.

8€.

16,5

terça-feira, 15 de maio de 2018

FOR THE SAKE OF A SINGLE POEM

... Ah, poems amount to so little when you write them too early in your life. You ought to wait and gather sense and sweetness for a whole lifetime, and a long one if possible, and then, at the very end, you might perhaps be able to write ten good lines. For poems are not, as people think, simply emotions (one has emotions early enough) — they are experiences. For the sake of a single poem, you must see many cities, many people and Things, you must understand animals, must feel how birds fly, and know the gesture which small flowers make when they open in the morning. You must be able to think back to streets in unknown neighborhoods, to unexpected encounters, and to partings you had long seen coming; to days of childhood whose mystery is still unexplained, to parents whom you had to hurt when they brought in a joy and you didn’t pick it up (it was a joy meant for somebody else —); to childhood illnesses that began so strangely with so many profound and difficult transformations, to days in quiet, restrained rooms and to mornings by the sea, to the sea itself, to seas, to nights of travel that rushed along high overhead and went flying with all the stars, — and it is still not enough to be able to think of all that. You must have memories of many nights of love, each one different from all the others, memories of women screaming in labor, and of light, pale, sleeping girls who have just given birth and are closing again. But you must also have been beside the dying, must have sat beside the dead in the room with the open window and the scattered noises. And it is not yet enough to have memories. You must be able to forget them when they are many, and you must have the immense patience to wait until they return. For the memories themselves are not important. Only when they have changed into our very blood, into glance and gesture, and are nameless, no longer to be distinguished from ourselves — only then can it happen that in some very rare hour the first word of a poem arises in their midst and goes forth from them.
Rainer Maria Rilke

sábado, 12 de maio de 2018

Blanche de Namur

Blanche de Namur, que viveu entre 1320 e 1363, foi rainha consorte da Suécia e Noruega por casamento com Magnus IV. Filha mais velha do marquês Jean I de Namur e de Marie d'Artois, ficou na história como uma rainha a valer: política e socialmente activa, gira e esperta.

É também o nome de uma Witbier — cerveja branca, feita com trigo e aromatizada com casca de laranja e sementes de coentro, entre outras especiarias — belga, produzida pela Brasserie du Bocq, empresa familiar que labora em em Purnode, perto de Yvoir, desde 1858.

Para além do habitual e, até certo ponto, expectável — cereal e levedura, fruta e amargor —, mostrou certo "punch" cítrico interessante: mais distinto que o presente numa Hoegaarden, mas menos que o de uma Hoegaarden servida com rodela de limão.

Outro aspecto que me agradou (que cervejas é que, aqui, têm direito a post?) foi evidenciar, com uma clareza de que não estava à espera, as especiarias com que foi feita. E tudo isto sem magoar o equilíbrio, de tal forma que, agora mesmo, ao escrever sobre ela, noto querer referir o "qualificativo dos piços", digo, a palavra "suave", que talvez aqui não caísse como uma vagueza desnecessária. Também por só ter 4,5% de álcool, mas, definitivamente, não só.

Apesar de relativamente leve de corpo, a sua espuma cremosa e boa carbonatação tornam-na capaz de acompanhar mais que apenas futebol na TV. No meu caso, foi com sushi, e não considero que me possa queixar, muito pelo contrário. Melhor enquanto bem fria, entre 2 e 4 ºC.

Custou 3,99€/33cl no ECI.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Odelouca '2013

Situada não muito longe de Silves, no Sítio da Dobra, junto à ribeira de Odelouca e à povoação com o mesmo nome, a Quinta do Francês inclui 8 hectares de vinha, plantada em 2002 e que assenta sobre vários tipos de solo, da argila/calcário ao xisto. O clima, Mediterrâneo continental, com propensão a dias quentes e noites comparativamente frias, é influenciado pela brisa marítima do Atlântico, cuja acção "refrescante" ajuda a evitar sobrematurações.

Este Odelouca é uma espécie de "segundo vinho" da casa, nascido a partir de Cabernet Sauvignon, Trincadeira, Syrah e Aragonês. De acordo com a informação disponibilizada pelo produtor, a vinificação deste 2013 incluiu 18 dias de maceração e 8 de fermentação, em inox, a 30 ºC. O estágio prévio ao engarrafamento foi em barricas de carvalho francês, "9 a 12 meses".

Bastante intenso e envolvente, mostrou ameixa preta e muitas especiarias, com uma incidência incomum, mas interessante, em aromas que remetiam a azeitona, parda e de Kalamata — talvez do Syrah, e longe de defeito, feitio e feitio vincado. A boca surgiu como continuação natural do nariz, embora sem qualquer sabor que remetesse à já mencionada azeitona. Especiarias, sim, muitas, perfeitamente integradas num quadro delineado em torno daquela maturidade peculiar que, nos vinhos capazes de durar alguns anos, antecede a velhice: com ligeira calidez e muita harmonia.

Quando o bebi, terminei o que tinha apontado sobre ele com a nota "um pequeno grande vinho". Porque não?

8€.

16,5

domingo, 6 de maio de 2018

O Open Internacional Queima das Fitas '2018 decorreu em Coimbra, entre 27/4 e 1/5/2018. Impecavelmente organizado pela SXAAC, foi jogado, como já se tornou habitual, no Hotel D. Luís.

Depois do resultado manhosito do ano passado, voltei lá, mas num registo menos escaquístico e mais de passeio. Pedi dois "byes", dos bons — são aqueles que valem o mesmo que um empate, sem ter de jogar — para a segunda e quarta rondas, o que me permitiu ter um já muito ansiado "fix" de clássicas, sem exagerar: uma partida por dia, ao anoitecer, sabe bem e não farta.

Este ano não há crónica detalhada das cinco rondas que joguei. Esta merda é basicamente para mim e não me apetece. Não obstante, no espírito do marreta que publica a sua caderneta pessoal de cromos de beber, para que o pontual visitante possa apreciar a fixeza da minha vida, e também para que eu me possa lembrar quando, daqui a uns tempos, tiver apagado as fotos e as partidas, ou espetado com elas num DVD entretanto perdido algures, aí ficam uns pós.











Base em Quiaios. Onde mais? A praia, deserta, com uma luz espectacular. Não existiu no jogo da primeira ronda nada passível de comentário e não joguei na segunda. Estando seguro de que não ia escrever sobre ela, não sabia, no entanto, o que ligar aqui a respeito da questão dos "byes". Então perguntei ao Google e acabei colado a esta discussão, o que a tornou boa o suficiente para ocupar o lugar.

Perdi o terceiro jogo, talvez o mais engraçado de todos os que fiz:



E voltei a não jogar na quarta sessão. A Bogueira lá estava, com chuva e árvores caídas. A quinta jornada foi no Domingo, 29/4. Fiz um jogo mau pra xuxu, que, de alguma forma, consegui ganhar.









Antes da penúltima sessão, leitão assado numa feira medieval — A S mexeu na cabra e na ovelha — e os montes! Inevitavelmente, como tinha mesmo, mesmo de ser! um pouco de Vale de Canas. Deixei lá um bocado da alma. Um bocado grande. O jogo, sem ser nada de especial, escapou.



A última ronda foi às 3 da tarde do dia 1/5. Uma última barrigada de sushi, no shopping. Com chá verde, doce, iec. O meu adversário, Manuel Pedro, secretário-geral da FIDE para Angola. "Não me ganhas!" Mas a dada altura, com uns etéreos por peão, pensei que me ganhava mesmo!









Acabou por não correr mal, empatámos. Afinal, aquele peão também não era assim tão perigoso. No fim, fiquei em 31º lugar, entre 119 participantes, com 4,5 pontos em 7 (ou 3,5 em 5, que foram os jogos que fiz: uma derrota, um empate e três vitórias). Meh. A ver se para o ano há mais.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Palácio da Brejoeira '2014

O Palácio da Brejoeira localiza-se na freguesia de Pinheiros, 6 Km a sul de Monção.

Terminado em 1834, foi erigido por Luís Pereira Velho de Moscoso, fidalgo da casa Real, Comendador da Ordem de Cristo, e herdeiro do Morgado da Brejoeira, morgadio instituído por tradição, em 1500.

Trocou de mãos várias vezes, tendo tido momentos de prosperidade e de abandono. E consta lá se ter sempre produzido vinho, mas apenas para consumo da casa,  até 1977, ano em que é lançado no mercado o primeiro Alvarinho "Palácio da Brejoeira".

A propriedade que envolve o palácio, com 30 hectares de superfície, inclui bosques, jardins e 18 ha de vinha, plantada em solo argilo-calcário, de onde sai a matéria-prima deste branco.

Em traços gerais, a sua vinificação consistiu/consiste numa fermentação lenta, a baixa temperatura, seguida de estágio sobre as borras finas. Nas suas diversas edições, tem vindo a ser engarrafado sem passar por madeira.

Servido a 12ºC, como recomendado, surgiu fresco e portador de alguma estrutura. De toque untoso na boca e boa persistência, mostrou razoável complexidade, dividida entre o citrino e o tropical, mostrando mais do segundo que do primeiro.

Ainda amanteigados, ligeira baunilha e curiosas sugestões de giz. O tempo em garrafa trouxe-lhe outra maturidade, mas ainda não decadência. Muito interessante.

Foi aberta a garrafa nº 44054.

17€.

17

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Quinta dos Termos — Trincadeira, Reserva '2010

Mais um tinto da Quinta dos Termos — falei aqui sobre uma data deles em finais do ano passado. No caso, um monovarietal Trincadeira da colheita de 2010, logo com quase oito anos.

O contra-rótulo diz: "Quando o ano vitícola corre de feição, a Trincadeira origina vinhos surpreendentes na Beira interior. Foi o que aconteceu na colheita de 2010, em que as uvas amadureceram de forma muito equilibrada. Uma vinificação minimalista e um breve estágio em barricas de carvalho deram-lhe o toque necessário para nos decidir engarrafá-lo estreme."

Começou meio porquito, a cheirar a suor, mas um ligeiro arejamento limpou-o e, em vez de estragado, mostrou-se um tinto muito interessante, ainda sem sinais de cansaço — imagino, no entanto, que se aproxime do limiar do plateau — aludindo à "lei da maturidade" de Clive Coates, que diz que um vinho permanecerá na sua fase ideal de consumo por tanto tempo quanto o que demorou a maturar, até atingir essa mesma fase.

Algo circunspecto, foi fácil apontar-lhe, acusá-lo de ser algo monolítico, na altura da prova, que não foi prova, mas abate de uma garrafa inteira, a empurrar daqueles hambúrgueres "Angus", do Pingo Doce, preparados, diz o YouTube, a la Gordon Ramsay Mas esses são os exageros do momento, abundantes no caderninho negro do álcool.

Ficou apontado, e lembro-me, de lhe ter apanhado muita fruta silvestre, indiferenciada, misturada e transformada, mais preta que vermelha ou roxa, e essencialmente em licor. Com ela, flores amarelas e um toque resinoso, vegetal, a fazer lembrar lenho verde. Barrica, assim, ainda? Talvez. E aquele travo "porco" de que já falei, provavelmente Brettanomyces em quantidade mesmo muito moderada.

Na boca, paladar morno, de toque macio, com reminiscências tácteis de veludo e xisto bem embrulhadas naquilo a que chamei "acidez redonda" — digo, acidez apenas suficiente para cortar o ardor e perfeitamente ligada. Algum corpo, di-lo-ia "médio mais", com certa densidade, mas não objectivamente "gordo", "pesado", nem nada que se parecesse, e um final bastante persistente.

Enfim, um vinho de boa concentração, com substância bastante para ser interessante, mas também contido e equilibrado na medida em que a finura, a leveza, o fácil apareceram a contrabalançar o intenso, o pesado, o sério, o fechado.

Sem ser divino, foi daqueles que deixaram impressão.

7€.

16,5

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Filmes (86)




É um filme turco, passado na Turquia. Uns polícias encontram, literalmente, um alçapão para o Inferno. E metem-se lá dentro. Mas os gajos lá de baixo não querem saber muito da autoridade do Erdogan...

terça-feira, 24 de abril de 2018

Abadía Retuerta — Selección Especial '2002

Outra relíquia! Este é o vinho mais conhecido de Abadía Retuerta, produtor baseado junto da localidade de Sardón de Duero — Valladolid.

Esta grande propriedade, que "abriu" tal como agora a conhecemos em 1996, inclui cerca de 710 ha de terras, dos quais 210 ha estão ocupados por vinhedos, divididos por diferentes parcelas, todas elas plantadas entre 1991 e 1994. Existe lá, de facto, uma antiga abadia Cisterciense que data do século XII.

No entanto, o foco da produção agrícola das terras que a envolviam nunca foi o vinho, mais tubérculos e cereais — a "Finca Retuerta" acaba adquirida por uma empresa de sementes, a Prodes, em 1920, e, consta, não tinha uma única cepa plantada no final dos anos 70.

Em 1990, a farmacêutica Sandoz, hoje parte do grupo Novartis, toma controlo da propriedade (movimentações de capital entre badochas, vale mesmo a pena investigar porquê?) e resolve valorizar a sua componente vínica, primeiro — afinal, a parte oriental da propriedade está a apenas 10 Km de Vega Sicilia... — e turística, com a construção de hotel e restaurante, depois.

Os solos são heterogéneos, com areia, argila e cascalho nas partes mais próximas do rio Duero/Douro, a cerca de 640 metros de altitude, e pedra calcária nos altos, que atingem os 850 metros sobre o nível do mar. O clima é continental, com grandes amplitudes térmicas e tendencialmente seco, mas estando o produtor fora da DO Ribera del Duero — todos os seus vinhos saem sob a denominação de Vino de la Tierra de Castilla y León — utiliza rega gota-a-gota quando necessário.

O vinho, bem, este ainda vivia. Muito mais escuro que o "Riserva Ducale" e muito menos atijolado também, trouxe consigo frutos pretos no limite da madurez, em compota e em licor, tabaco, especiarias indefinidas, mas quentes, e cacau. Na boca, mostrou uma redondez consentânea com o carácter "quente" dos seus aromas. A acidez está bem integrada e os taninos, finos, perfeitamente cobertos. O fim de boca pode considerar-se longo. Como não há post que não inclua esta informação, aí fica: lote de Tempranillo, Merlot e Cabernet Sauvignon provenientes das várias parcelas da quinta, estagia "de 16 a 22 meses", diz o produtor, em barricas francesas e americanas.

Enfim, este e o vinho do post anterior, dois velhos senhores que ainda mexem! Mas se o italiano, apesar de reter alguma dignidade, não conseguiu esconder estar com os pés para a cova, neste ainda perdura aquela fase bonita da maturidade plácida e elegante... Mas não nos enganemos: também não é para guardar.

As garrafas de 75cl das colheitas mais recentes custam à volta de 25€, mas o produtor ainda vende este 2002, a 58€. A oferta do produtor na sua loja virtual vai, aliás, até 1995!

16,5

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Ruffino — Riserva Ducale '2001

O blog é um monstro sedento de tempo, disponibilidade e energia! O blog converte vida interior em cangalhadas para outros verem e a análise do tráfego por ele gerado conjura a partir do éter, do aparente nada, satisfação para o ego. No fim, nada sobre nada. Não, exagero. Muito pouco sobre muito pouco, a tender para nada — assim é mais correcto.

Mas apesar de o seu dono saber disso, tanto que o escreve, o blog ainda vive: de tal maneira que é nele, para ele, e para mim também, através dele, que escrevo isto. E não se preocupe o monstrinho com a queda nas listas de agregadores e motores de busca que os períodos de fome consigo trazem: estou decidido a actualizá-lo e, junto com o meu tempo e alma, terá também o vinho a que o habituei. Simplesmente, desta vez, que empurre com ele um bocadito escangalhado de meta-análise.

Para começar, umas notas a respeito da minha última garrafa (originalmente eram três) da colheita de 2001 de Ruffino "Riserva Ducale". O produtor é dos mais conhecidos de Itália e este Chianti Classico é talvez o seu vinho-bandeira, embora não o absoluto topo de gama. A gama "Riserva Ducale" existe desde 1927, nomeada em homenagem ao duque de Aosta, presumo que o segundo, que em 1890 tornou a então jovem casa Ruffino fornecedor oficial da família real italiana, contam que depois de ter atravessado os Alpes, numa viagem que não terá sido das mais simples e/ou suaves, especificamente para provar estes já na altura afamados vinhos, pétalas no galho preto e molhado que então era a produção de Chianti — que, salvo algumas honrosas exepções, continuou a ser um vinho horrível até bem dentro do século XX.

80% Sangiovese e 20% Merlot e Cabernet Sauvignon, este tinto estagiou durante dois anos em madeira, inox e cimento. Não me surpreendeu que ainda estivesse vivo porque a última garrafa aberta, há cerca de meio ano atrás, estava num momento muito bonito. Assim, pelo contrário, surpreendeu-me encontrá-lo muito mais velhinho e cansado do que aquilo que esperava.

Mas perfeitamente bebível e ainda bom. De cor granada, acastanhada, surgiu muito terciário, com aromas a terra, licor de cereja e café. Talvez uma ponta de volátil. Na boca, mostrou acidez ainda capaz de fazer salivar e, mau grado o "meio" um pouco magro, taninos... — eis um vinho, literalmente, taninoso até à morte! Some-se a isto um final razoável e temos um tinto velho que ainda mexe, apesar de, naturalmente, se encontrar já em decadência. Considerando o que os utilizadores do Cellartracker dizem dele, talvez não tenha sido, apesar de tudo, uma má garrafa.

Custou à volta de 20€, back in the time, e continua a ser esse o preço das colheitas mais recentes.

Há quem ache que classificar vinhos velhos é veadagem, mas velho não é morto e o numerozinho da qualidade tem razão de ser, pelo menos para mim. Pelo que 14,5

domingo, 15 de abril de 2018

Barbeito — Rainwater Reserva, 5 Anos

Mais de um ano volvido sobre a publicação das primeiras notas a respeito de um Madeira, aqui deixo o segundo.

Este Barbeito "Rainwater Reserva" é um Madeira meio seco, lote de vinhos produzidos a partir das castas Tinta Negra (80%) e Verdelho, de vinhas das zonas do Estreito de Câmara de Lobos e Prazeres, estagiados em Canteiro durante 5 anos, em cascos antigos de carvalho francês. Foi filtrado antes do engarrafamento, pelo que não requer decantação.

O rótulo inclui uma explicação do termo que define o estilo deste vinho: a designação Rainwater remonta ao século XVIII. A história mais comum conta que, na altura, os cascos eram deixados na praia de calhau antes do embarque. Conta-se que os cascos foram deixados na praia durante muito tempo e como chovia muito a madeira acabou por absorver a água, estilo que agradou ao comprador.

De cor dourada, trouxe consigo fruta cristalizada, pêssegos ou damascos, frescos e em calda, baunilha, mel e caramelo, figos e frutos secos. Ou, melhor dito, cheiro a vinho da Madeira, com a dose certa de alegria e finura, e também já com alguma complexidade, não obstante tratar-se de uma proposta de entrada de gama (ou quase). Elegante, persiste razoavelmente.

O extra de acidez confere-lhe um brilho que o aproxima mais de um Xerez Amontillado que de um Porto Tawny. E como tal, acaba por também ir bem com queijo, azeitonas e tapas, do porco ao polvo.

10€.

16,5

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Recorrente, a discussão sobre o blog de vinhos como veículo do desocupado que troca o seu muito tempo livre e torpe engenho – gato – por uma data de boas garrafas à borla – lebre.

Normalmente, apontam o dedo acusador os visitantes desses mesmos blogs ou utilizadores de fóruns ou grupos de redes sociais dedicados ao tema. Não há nada de estranho nisso: é gente do vinho na net que acusa de coisas outra gente do vinho na net.

Pessoalmente, e não tenciono com estas linhas responder a alguém, dado que o "puto" é demasiado pequeno para essas coisas e assim pretende manter-se, não sei quantos convites para eventos recebi desde algures em 2008. Certamente muitas dezenas, talvez mais. Nunca fui a uma única. Nunca ponderei seriamente ir a uma única.

Quanto ao vinho à borla, sim, já recebi algum, já me obriguei a provar algum que recebi sem ter pedido e jamais compraria, já me obriguei a tentar entendê-lo e, em alguns casos menos inspiradores, quase a garimpar para ter algo a dizer. Mesmo que no final a opinião publicada não fosse positiva.

Ah, tantas vezes é mais aborrecido ter de beber o que não se escolheu e ter de escrever sobre ele, num intervalo de tempo que, mesmo não sendo forçado por uma qualquer cláusula contratual, acaba por ter os seus limites pressupostos por um sentimento de decência face às expectativas de quem enviou e que também incomoda quando não se consegue!

Ora, se ele existir, e acredito piamente que exista, tenho pena do dissimulado que se obriga a procurar interesse onde não o encontra naturalmente, por umas hipóteses de aumentar a sua rede de contactos e/ou umas garrafas de vinho à borla! Se ele existir, espero que me leia e fique também com pena de si mesmo.

E que cresça qualquer coisa e passe a fazer, nem que seja só um pouco mais, aquilo que realmente quer. Que esta vida é só uma e não dura nada...

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Lidl — Vino Nobile di Montepulciano '2012

Tanto quanto sei, este 2012 é o mais recente Vino Nobile di Montepulciano "genérico" do Lidl. O contra-rótulo di-o engarrafado por EGT: Via del Palazzone, 4, 53040 Cetona, morada que confere com a da sede da Barbanera Vini, que, de facto, inclui no seu catálogo propostas desta D.O., provenientes da zona de Valiano — isto se for mesmo um produto da casa, e não uma coisa de négociant, à francesa. O código QR da banda que a entidade reguladora coloca nas garrafas não funcionou.

No copo, mesmo pondo de parte os pontinhos adicionais que vale o diferente, a fuga do mais comum, não se portou mal. O nariz pareceu-me pequeno em termos de projecção, mas razoavelmente amplo no que toca a diversidade de aromas sugeridos... Cassis, cereja, alguma ameixa, almiscarados, alcaçuz, canela, vagas notas oxidativas e outros aromas que tipicamente associo a evolução em barril grande, de madeira velha. Pode ser filme meu!

Na boca, entrada um pouco agressiva, virada para a acidez, corpo entre o delgado e o médio, com certa alegria, taninos que, apesar de numa primeira análise parecerem apenas ligeiramente acima do residual, foram já suficientes para que um tinto de 2012 ainda esteja bem vivo em 2018, algum volume, alguma firmeza na concentração dos sabores transmitidos, mais uma vez por via da acidez e que me pareceram "muito Sangiovese", sem que tal constitua surpresa, e um final entre o curto e o mediano, talvez a pender mais para o segundo porque aceitável face à constituição global do corpo de líquido deglutido. Não falei do álcool porque não dei por ele.

2012 foi uma colheita excepcional na região, mas este vinho não encantou. Na verdade, fez-me lembrar um Chianti "mainstream", daqueles de supermercado, que não brilham nem comprometem, com alguma garrafa. Surgiu quatro anos depois deste e, a acreditar no que ficou registado — porque a memória se esbate — não terá deixado uma impressão muito diferente.

5€.

15

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Adega de Pegões — Cinquentenário '2008

Este tinto foi criado com o objectivo de celebrar os 50 anos da Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões, constituída por Alvará de 7 de Março de 1958, assente em terras anteriormente doadas (em 1937) por José Rovisco Pais aos Hospitais Civis de Lisboa. Hoje em dia, o produtor é dos mais consistentes de Portugal, tanto no volume de vinho produzido como na sua relação qualidade-preço.

Feito a partir de Syrah, Castelão, Cabernet Sauvignon e Trincadeira, estagiou, um ano, em meias pipas de carvalho.

Denso e intenso, mostrou predominância de fruta escura, como amora silvestre, ameixa e groselha negra, com o carácter de basta madurez — e alguma compota — que costuma marcar os bons tintos das areias de Palmela. Com ela, tostados e fumados de barrica . . . nem vincados nem discretos . . . enfim, em retrato comum — é esta muito imprecisa terminologia a que me parece melhor descrever o que me mostrou. Algumas especiarias, algum vegetal . . . Embora presente, muito vago o toque melado do Castelão.

Na boca, volume e estrutura. Digo: não sendo um monstro, pareceu-me pesar qualquer coisa. O paladar, seco. A acidez, mediana, vá, suficiente, com os taninos a surgirem já redondos. Persistiu bastante longamente, com um pós-gosto que trouxe consigo notas de café e chocolate.

É um bom vinho, sem dúvida, mas não está a anos-luz do "Colheita Seleccionada", digamos, comum, da casa, e custou quase três vezes mais.

Acompanhou um misto de naquitos de vaca e porco, salteados em óleo de sésamo e azeite, acompanhados de courgette grelhada e quinoa com agaricus frescos, shiitake maduro, orelha-de-judas reidratada e pimento vermelho. À sobremesa, por via das dúvidas, veio uma tábua de queijos com a qual a sua prestação não me fez voltar atrás no anteriormente dito.

12€.

16

terça-feira, 3 de abril de 2018

Grimes — Visions



It's hard to understand
Cause when you're really by yourself
It's hard to find someone to hold your hand


#3, Oblivion

sábado, 31 de março de 2018

Lavradores de Feitoria — Três Bagos, Reserva '2013

Criada no ano 2000, a Lavradores de Feitoria, é uma espécie de cooperativa que resultou da união de 15 proprietários de quintas distribuídas pelo Douro, repartidas pelas suas três sub-regiões. Este foi o primeiro "Três Bagos Reserva" lançado no mercado, ligeiro upgrade face ao que talvez fosse o vinho-bandeira da casa, e levou 90 pontos da Wine Spectator logo no primeiro ano em que saiu para o mercado. Começava a desenhar-se uma tendência!

Na sua elaboração, foram utilizadas uvas das castas Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca, provenientes de cepas moderadamente velhas, com mais de 30 anos. Metade do lote final estagiou em inox e a outra metade em madeira, durante onze meses: desse, metade evoluiu em barricas de carvalho francês, novas, e o restante em barricas de segundo ano.

A caminho dos cinco anos de idade — não é segredo que existem pressões económicas, de mercado, que levam os vinicultores a ter certa pressa em lançar os seus vinhos, bem como a fazê-lo todos os anos, e que o comprador, caso se limite a comprar e consumir as novidades, dificilmente vai apanhar tintos no ponto — pareceu-me num muito bom momento, talvez o melhor a que possa almejar no decorrer da sua vida.

Robusto, apesar de não propriamente "full bodied", encontrei-o firme e cheio de sabor. Sem explodir, mostrou boa fruta vermelha, junto com o toque campestre, de mato baixo, que com um pouco de boa vontade conseguiremos reduzir a "esteva", típico do Douro, com toque de baunilha e fumado, em jeito de tempero. O paladar, seco, apresentou boa acidez e taninos arredondados — lendo o que outros escreveram ao prová-lo mais novo, sou levado a crer que por efeito do tempo em garrafa. Com a oxigenação advinda do passar do tempo no copo, especiarias e um ligeiro vincar das marcas da permanência em madeira. Final razoável, a dar para o longo. Bom!

9€.

16

quarta-feira, 28 de março de 2018

Tons de Duorum '2016

Duorum, projecto cujo nome é um termo latino que significa "de dois" e ao mesmo tempo remete por similaridade a "Douro", surgiu em Janeiro de 2007, a partir da vontade de dois reconhecidos enólogos nacionais, João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco, de desenvolver uma parceria vinícola exclusivamente dedicada ao Douro.

Este vinho, tinto de entrada da casa, consiste num lote composto por 50% de Touriga Franca, 30% de Touriga Nacional e 20% de Tinta Roriz, de cepas implantadas em terreno xistoso, a cerca de 400 metros de altitude, na Quinta de Castelo Melhor, propriedade localizada à beira da espectacular EN 222, pouco antes da cortada para a localidade que lhe empresta o nome, quando se segue no sentido de V.N. de Foz Côa para Almendra. O mosto, de uvas desengaçadas, sofre uma maceração a frio antes de fermentar em cubas de inox, sendo parte do produto final estagiado, seis meses, em barricas de carvalho francês de segundo e terceiro ano.

Provado, não me pareceu diferir muito dos seus predecessores, que, apesar de aqui nunca terem sido comentados, já me vieram parar à mesa umas quantas vezes: aromas e sabores limpos e jovens, de projecção mediana, mas suficiente face ao corpo do líquido, é um vinho simples, com especial incidência na fruta silvestre, mais vermelha que preta, completada por um toque floral típico, certamente trazido ao conjunto pelas Tourigas, e um tempero de barrica que se revela sob a forma de muito ligeiro abaunilhado. Macio e equilibrado (acidez mediana, 13% de teor alcoólico), está pronto a beber e não será expectável que dure muitos anos.

Nestes vinhos de grande tiragem, é desejável a definição de um perfil que vá de encontro às expectativas do público-alvo, e que se consiga manter esse perfil, traço comum e característico, que cimenta a imagem de uma marca ao longo do tempo, não obstante as diferenças entre edições que, ditadas pela natureza, acabam por reforçar o carácter do produto enquanto coisa única. Afinal é vinho, não refrigerante gaseificado com sabor a noz-de-cola. Muitas vezes, encontrar esse perfil "para manter" pode demorar tempo, o que aparentemente não aconteceu aqui. Provavelmente, tendo em conta o produto final, ainda bem.

A garrafa foi enviada pelo produtor, que recomenda um PVP de 4,49€.

15,5

domingo, 25 de março de 2018


Mysteriously enough, not only is there a large number of particles in the visible universe, but the basic laws themselves display large numbers. According to modern physics, there are four fundamental interactions between particles: the electromagnetic, the gravitational, the strong, and the weak.

The electromagnet interaction holds atoms together, governs the propagation of light and radio waves, causes chemical reactions, and prevents us from walking through walls and sinking through the floor. In an atom, electrons, with their negative electric charges, are prevented from flying off because of their attraction to the positive charges carried by protons located in the nucleus. The gravitational interaction keeps us from flying off into space, holds planetary systems and galaxies together, and controls the expansion of the universe. The strong interaction holds the nucleus of the atom together, the weak causes certain radioactive nuclei to disintegrate. Although of fundamental importance in nature's design, the strong and weak interactions do not appear to play a role in any phenomenon at the human scale. As we saw earlier, all four interactions play crucial roles in stellar burning.

As the names strong and weak suggest, one interaction is considerably stronger than the electromagnetic interaction, the other considerably weaker. But most dramatically, the gravitational force is far, farf weaker than the other three. The electric force between two protons is stronger then the gravitational attraction by the enormous ratio of 1 to about 10^38, another absurdly large number.

ironically, we are normally most aware of gravity, by far the most feeble force in nature. Although the gravitational attraction between any two atoms is fantastically small, every atom in our bodies is attracted to every atom in the earth, and the force adds up. In this example, the incredibly large number of particles involved compensates for the incredible weakness of gravity. In contrast, the electric force between two particles is attractive or repulsive according to the signs of the electric charges involved. A lump of everyday matter contains almost exactly an equal number of electron and protons, so the electric force between two such lumps almost cancels out.

Anthony Zee, "Fearful Symmetry: The Search for Beauty in Modern Physics"
Princeton University Press, 2016

quinta-feira, 22 de março de 2018

Cistus '2014

Com o seu último representante a ser um exemplar da colheita de 2007, aqui partilhado em Agosto de 2010, convenhamos que os "colheita" da Quinta do Vale da Perdiz, de Torre de Moncorvo, têm sido vinhos muito mais bebidos que falados por estas bandas. O que não lhes faz jus, dado que constituem propostas de excelente qualidade para o preço que custam — tendencialmente simples, mas que oferecem sempre "algo mais" que apenas a correcção esperada.

Este tinto, que caminha para os quatro anos de idade, continua sem evidenciar sinais de cansaço, muito pelo contrário. Em primeiro plano, fruta, silvestre, misturada e por conseguinte indefinida, mas atraente, boa, tendencialmente negra, mau grado algum toque de acidez "vermelha" que o nariz teimasse em apontar, e com ela, mato e barrica, mais que simples "overtones", por vezes a quererem sugerir camadas.

A acidez, mais vincada que o habitual nos tintos do Douro da sua gama de preços, e a estrutura bem definida, com taninos ainda vivos, confirmaram a ideia de vinho robusto, capaz de aguentar mais uns anos em garrafa. Fim de boca médio +.

Acompanhou entrecosto grelhado e pão: coisas simples.

4€.

15,5


segunda-feira, 19 de março de 2018

Evel '2014

Feito com fruta das vinhas localizadas nas quintas das Carvalhas, dos Aciprestes e do Cidrô, localizadas no Pinhão, vale do Tua e S. João da Pesqueira, respectivamente, é uma das propostas de entrada de gama da Real Cª Velha, que representa, também, uma das mais antigas e reconhecidas marcas de vinho portuguesas, registada em 1913. A título de curiosidade, o nome "Evel" não tem significado para além daquele que resulta da leitura do seu anagrama, leve, a fazer alusão a uma das características organolépticas que o produtor sempre pretendeu que definisse o seu estilo.

Bastante concentrado e elegante, revela substância, estrutura e um frescor que não me lembro de encontrar nas suas edições anteriores que experimentei. Tem boa fruta, tendencialmente vermelha, ameixa e cereja amarga, especiarias com toque apimentado, ligeiro verdor e, com o passar do tempo no copo, tabaco e chocolate. Termina médio/longo. Não me pareceu desmerecer os 90 pontos que levou da Wine Spectator e, para o preço, está extraordinário.

Tornou-se relativamente comum encontrar vinhos classificados com 90 ou mais pontos por publicações de referência, a menos de 5€ por garrafa, nas prateleiras dos supermercados. E é interessante como, se em alguns casos, essa classificação, por "excessiva", parece recurso de marketing, noutros aparenta servir como uma luva ao que está dentro da garrafa. A isto não será alheia a evolução, expectável, das práticas enológicas... e isto, se calhar, vai obrigar-nos, a nós que brincamos aos opinion makers e aos opinion makers que brincam às provas, a redifinir a bitola. Não digo que, à imagem do que tem vindo a acontecer com o Elo no xadrez, exista inflacção no rating: prefiro acreditar no aumento da qualidade. Gostos à parte, não digo que um "90" de há uma dúzia de anos atrás fosse necessariamente melhor que um "90" de agora: espero, simplesmente, que caminhemos para novos "100", com tudo o que possa vir atrás.

4€.

16,5

sexta-feira, 16 de março de 2018

Filmes (85)






Tommy e Austin, pai e filho, são médicos-legistas numa pequena cidade do interior dos EUA. Numa noite igual a tantas outras, recebem o corpo de uma rapariga não identificada, removida da cave de uma família assassinada sob circunstâncias bizarras. Mas, com o avançar da autópsia, vão-se apercebendo de que algo não bate certo.




Uma canção que se repete curiosamente na rádio. Telefones que deixam de funcionar. Sangue espalhado onde não devia. Gavetas frigoríficas abertas. O gato da morgue que sai mortalmente ferido de dentro de um respiradouro. O corpo da desconhecida: imaculado por fora, todo fodido por dentro.




Eventualmente, apuram que a rapariga não é deste tempo, mas uma presumível bruxa, torturada com requintes de crueldade e deixada por morta, nos idos do século XVII. Mas a língua cortada, o dente arrancado e forçado boca abaixo, o veneno, os pulsos e tornozelos quebrados, a pele lacerada com marcas ritualísticas, as entranhas queimadas e cortadas, a fogueira... em vez de matarem uma bruxa, criaram-na a partir de uma inocente.




E agora ela ressuscita um bocadinho cada vez que mata, coisa que passou os últimos séculos a fazer, sempre que ia sendo "encontrada"... E um dia será capaz de se levantar, e aí caminhará sobre a Terra, marchando inexorevalmente sobre o sangue e as entranhas dos hoje considerados justos, para glória suprema de Satanás!! Enfim, o filme não vai tão longe... Em todo o caso, no presente, apesar da mobilidade ainda reduzida, a rapariga é resistente, decidida e cheia de recursos. O seu bom gosto musical é outro "plus", mas isso será tema para um próximo post.