quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Domaine du Pegau — Cuvée Reservée '2011

Já aqui comentei alguns vinhos do Ródano, mas, tanto quanto me lembre ou tenha conseguido pesquisar, nenhum Châteauneuf-du-Pape.

Historicamente, a appellation começou a desenvolver-se com a transferência do papado de Roma para Avinhão, em 1309, por iniciativa de Clemente V, o papa que dissolveu a Ordem dos Templários, tendo sido o seu sucessor, João XXII, o papa que declarou oficialmente a bruxaria e paganismo hostis à doutrina cristã, devendo os seus seguidores ser purgados, o primeiro grande responsável pelo desenvolvimento da cultura da vinha na região.

A marca Domaine du Pegau surgiu em 1987, quando pai e filha ampliaram e melhoraram a produção da propriedade familiar. Contituído por 80% de Grenache, 6% de Syrah, 4% de Mourvèdre e 10% de várias outras castas, não discriminadas, este Cuvée Réservée fermentou em cubas de cimento e estagiou, dois anos, em pipas de madeira avinhada.

Novo e nervoso logo depois de aberto, típico lote GSM, grande, intenso, maduro e concentrado, mais amplo que longo, com uma complexidade que não recusa certos cheiros mais feiinhos, que noutro lugar sugeririam defeito.

No ataque, borracha, fumo e Syrah, banana seca e Grenache alegre, fruta vermelha, cerejas, morangos, goût de merde... Mais tarde, floral, um floral fechado, austero à sua maneira, e terra, e grafite. Tanta coisa, mas sempre longe do verde. Um grande vinho, e 2011 não foi, sequer, um grande ano para o produtor.

Bebi-o de uma vez, acompanhado apenas por isto.

50€.

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