segunda-feira, 19 de março de 2018

Evel '2014

Feito com fruta das vinhas localizadas nas quintas das Carvalhas, dos Aciprestes e do Cidrô, localizadas no Pinhão, vale do Tua e S. João da Pesqueira, respectivamente, é uma das propostas de entrada de gama da Real Cª Velha, que representa, também, uma das mais antigas e reconhecidas marcas de vinho portuguesas, registada em 1913. A título de curiosidade, o nome "Evel" não tem significado para além daquele que resulta da leitura do seu anagrama, leve, a fazer alusão a uma das características organolépticas que o produtor sempre pretendeu que definisse o seu estilo.

Bastante concentrado e elegante, revela substância, estrutura e um frescor que não me lembro de encontrar nas suas edições anteriores que experimentei. Tem boa fruta, tendencialmente vermelha, ameixa e cereja amarga, especiarias com toque apimentado, ligeiro verdor e, com o passar do tempo no copo, tabaco e chocolate. Termina médio/longo. Não me pareceu desmerecer os 90 pontos que levou da Wine Spectator e, para o preço, está extraordinário.

Tornou-se relativamente comum encontrar vinhos classificados com 90 ou mais pontos por publicações de referência, a menos de 5€ por garrafa, nas prateleiras dos supermercados. E é interessante como, se em alguns casos, essa classificação, por "excessiva", parece recurso de marketing, noutros aparenta servir como uma luva ao que está dentro da garrafa. A isto não será alheia a evolução, expectável, das práticas enológicas... e isto, se calhar, vai obrigar-nos, a nós que brincamos aos opinion makers e aos opinion makers que brincam às provas, a redifinir a bitola. Não digo que, à imagem do que tem vindo a acontecer com o Elo no xadrez, exista inflacção no rating: prefiro acreditar no aumento da qualidade. Gostos à parte, não digo que um "90" de há uma dúzia de anos atrás fosse necessariamente melhor que um "90" de agora: espero, simplesmente, que caminhemos para novos "100", com tudo o que possa vir atrás.

4€.

16,5