segunda-feira, 21 de maio de 2018

Granja-Amareleja — Reserva '2013

E de repente vão quase cinco anos sobre a última vez que bebi um vinho destes. Como galopa o tempo! Assim, ainda que de causas naturais, a morte virá num instante.

Dizia eu, em 2013, a propósito do "Reserva" de 2011 linkado supra, que o produtor teria renovado a sua presença na web. Assim aconteceu: agora é inequívoco.

Na web e não só, que os vinhos da Cooperativa de Granja-Amareleja são praticamente omnipresentes nos super e hipermercados. Pelo menos naqueles onde vou. Mas vou a tantos e tão espalhados...

Os vinhos da Cooperativa de Granja-Amareleja são também daqueles que mais vezes vejo em promoção nesses supermercados, e com descontos mais significativos. Vinhos com suposto PVP de 9 ou 10€, vendidos por 3 ou 4€ em consequência de ofertas fantásticas.

Sim, que o fantástico acontece, mesmo no mundo das compras no supermercado. Por vezes, quem revende, ou quem trabalha para quem revende, troca marcas e modelos, ou comete erros de julgamento, nem que seja ao não considerar devidamente aquilo que a concorrência próxima está a pedir pelo mesmo artigo.

Mas, no mundo das compras no supermercado, o fantástico, que acontece, é também esporádico. Raro, mesmo. E certas promoções mirabolantes, se não são de carácter definitivo, andarão lá perto.

Perguntar-me-ão que poderá ter o produtor, e ainda mais este vinho em particular, a ver com isso. Não sei. Não me interessa. Associei ideias e o post foi surgindo ao sabor da pena — não, do teclado, enquanto espero que a carne descongele para ir preparar o almoço.

Mas o conteúdo desta eventual — eventual — fuga ao que deveria, ou poderia, se eu assim quisesse, ser o foco do post, que normalmente não passa de uma nota de prova, não deixa de ser pertinente. Ou verdade.

Quanto ao vinho que serviu de mote para outras coisas, cumpre afirmar, antes de tudo o mais, que gostei dele. Ainda não bebi um destes "Reserva" que achasse mau, ou até assim-assim. Gosto sempre. E é normal que goste sempre, que tanto o perfil como a qualidade global do produto me pareceram, também sempre, bastante consistentes, pese a esporadicidade com que os bebo.

Temos então um vinho tipicamente alentejano, maduro mas não quente nem chocho, com fruta preta, alguma transformação — tem 5 anos —, algum vegetal seco, um toque de cabedal, especiarias e, sobretudo quando a temperatura a que é bebido sobe, tabaco e café.

Bonito e bem proporcionado, mais comprido que amplo e saboroso dentro daquilo que poderia oferecer, está muito macio, mas ainda dotado de estrutura, ainda possuidor de espinha dorsal. Não brilha, de facto, mas também não defrauda as expectativas, que no caso dele nunca são baixas.

É um tinto que retém certa flama, flama no sentido de estar vivo, não no de arder, e que, numa idade "madura", ainda se come, ou melhor, bebe bem.

10€.

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