Fermentou em lagares de granito e estagiou durante um ano em barricas de carvalho francês. Produziram-se 1500 garrafas; abri a nº 455.Deixei-o arejar durante mais de uma hora antes de me fazer a ele.
Não fora a espuma arroxeada, di-lo-ia preto. No nariz mostra-se pujante, de madurez vincada. O cheiro abafado, terroso, das violetas, o travo acídulo da bergamota, a amora silvestre quase em compota, a ameixa negra carregada. . . uma nesga de madeira resinosa, outra de tosta. . . qualquer coisa de vegetal seco, sugestões de café. E na boca não destoa. Aparece extremamente concentrado, ao mesmo tempo ácido, alcoólico e taninoso, cheio, longo e encorpado.
É um vinho de casta, não de terroir — logo um semi-desnaturado que, ainda por cima, muitos poderão achar demasiado agressivo.
No entanto, pessoalmente, gosto muito dele. Por um lado, dê-se-lhe a comida adequada (pratos fortes) e ele fluirá maravilhosamente. Por outro, mesmo a solo o acho tão saboroso que não consigo deixar de pensar que, de alguma forma, terá conseguido encontrar equilíbrio no excesso. E isso é admirável.
Acho que já está muito bom agora, mas aguentará perfeitamente mais meia dúzia de anos em garrafa.
15€.
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